Num cenário em que o treino de combate aéreo precisa de ser cada vez mais próximo da realidade, a Top Aces garantiu um novo contrato de dez anos com a Força Aérea alemã (Luftwaffe), no valor de até 420 milhões de euros. Inserido no programa Contracted Fast Adversary Air, o acordo prevê o uso de Douglas A-4N Skyhawk e Dornier Alpha Jet no papel de “agressores”, simulando ameaças para os caças da Luftwaffe. Esta renovação aprofunda uma colaboração que já dura há mais de uma década e que agora se prolonga até 2035.
Segundo Thomas Beringer, vice-presidente da Top Aces para a Europa, este novo entendimento é “um marco na parceria com a Força Aérea Alemã”. O responsável sublinhou que o propósito passa por reforçar a prontidão operacional das forças aéreas, terrestres e navais do país. Para isso, os A-4N Skyhawk da empresa foram modernizados com radares AESA (varrimento eletrónico ativo) e com o sistema proprietário Advanced Aggressor Mission System (AAMS), uma arquitetura aberta que permite integrar sensores avançados capazes de reproduzir ameaças e perfis de voo de caças modernos.
Com mais de 150.000 horas de voo sem acidentes, a Top Aces firmou-se como uma referência mundial no treino de combate aéreo. Além disso, é a única operadora comercial no mundo com F-16 Fighting Falcon, que junta aos Alpha Jet e aos A-4N Skyhawk. Estes últimos, concebidos no início da década de 1950 por Ed Heinemann, distinguem-se pelo baixo custo operacional, pela elevada manobrabilidade e pela fiabilidade.
Mesmo com a sua idade avançada, os Scooter, como também são conhecidos os A-4 Skyhawk, continuam a provar utilidade. Equipados com sistemas IRST (Infrared Search and Track) e radares AESA, os Skyhawk da Top Aces conseguem recriar cenários de combate ar-ar muito fiéis, oferecendo aos pilotos da Luftwaffe um treino exigente e próximo das ameaças atuais. Esta capacidade permite simular confrontos contra adversários tecnologicamente avançados, sem gastar em excesso os recursos nem acelerar o desgaste das aeronaves de primeira linha.
Atualmente, o Brasil mantém-se como o único operador militar ativo do A-4 no mundo, através dos AF-1M da Marinha, modernizados pela Embraer. Na Argentina, por sua vez, a frota de A-4AR Fightinghawk está fora de serviço desde o acidente fatal de 2024, o que marcou uma longa interrupção na sua vida operacional na Força Aérea Argentina.
Com esta adjudicação, a Top Aces reforça a sua posição de liderança no treino aéreo tático e confirma a atualidade do lendário A-4 Skyhawk - uma aeronave que, mais de setenta anos após o primeiro voo, continua a enfrentar caças de última geração, agora em missões de treino.
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