Quando se fala em GTI, a conversa vai quase sempre dar ao Volkswagen Golf GTI. E não por acaso: foi esse modelo, lançado em 1976, que ajudou a definir aquilo que hoje chamamos de *hot hatch* - um carro compacto, útil no dia a dia, mas com prestações que, até então, só se viam em modelos mais desportivos e… bem mais caros.
A sigla, abreviação de *Gran Turismo Injection* (embora possa variar consoante a língua), juntava o “GT”, associado a performance, com o “i”, que assinalava a chegada da injeção eletrónica de combustível numa época em que a maioria dos motores ainda dependia do carburador. Com o tempo, o significado deixou de ser apenas técnico e passou a representar muito mais do que isso.
Acabou por dar nome a uma classe de automóveis e também a versões desportivas de outras marcas, mas a ligação ao Golf, e à Volkswagen em geral, continua a ser a mais forte. Não admira, portanto, que “Golf” e “GTI” sejam, para muitos, praticamente sinónimos…
Mas o êxito do primeiro Golf GTI - que já conduzimos - levou a Volkswagen a aplicar a sigla noutros modelos, alguns bem conhecidos e outros já quase esquecidos. E é precisamente sobre os GTI que não foram o Golf que vai poder ler nas próximas linhas.
Scirocco GTI (1976)
O Scirocco GTI foi um dos primeiros Volkswagen a receber esta designação, quase em simultâneo com o Golf. Distinguia-se pela carroçaria coupé de três portas, mas por baixo da pele era, na prática, igual.
Partilhava a plataforma e o motor 1,6 litros com 110 cv e 140 Nm de binário. Ainda assim, nunca atingiu o mesmo estatuto do Golf, embora tenha chegado a uma segunda geração com a mesma motorização. Mais tarde, recebeu também o 1,8 litros com 139 cv do Golf GTI de segunda geração. Em alguns mercados, foi comercializado como Scirocco GTX.
Polo GTI
Se no Scirocco a sigla GTI apareceu logo depois do Golf, no Polo demorou bem mais tempo. O utilitário germânico só recebeu esta designação pela primeira vez no final dos anos 90. Antes disso, a versão mais desportiva do Polo foi assegurada pelo lendário, popular e até algo infame Polo G40 - que pode conhecer melhor aqui.
Desde então, o Polo GTI tem sido presença constante naquele que é, para muitos, um dos tipos de automóveis mais divertidos de conduzir: os *pocket-rockets*. O conceito é semelhante ao dos *hot hatch*, mas em formato mais pequeno. O Mini Cooper S (1963) é muitas vezes apontado como o modelo que abriu caminho a esta categoria, ainda antes dos *hot hatch*.
Na galeria abaixo, pode conhecer todas as gerações do Volkswagen Polo GTI:
Volkswagen Lupo GTI
O primeiro Polo GTI (1998) acabaria por ter uma concorrência interna séria: em 2000, a Volkswagen mostrava ao mundo o Lupo GTI.
Trazia o mesmo motor 1,6 litros com 125 cv, mas era mais pequeno, pesava dezenas de quilos menos (975 kg) - o que lhe permitia fazer os 0 aos 100 km/h em menos 0,5 s e igualar os 205 km/h de velocidade máxima - e era… ainda mais divertido de conduzir.
Não surpreende que tenha sido visto como a escolha dos entusiastas e o verdadeiro sucessor do primeiro… Golf GTI.
Volkswagen up! GTI
Décadas depois do Lupo, a Volkswagen voltou a aplicar a mesma receita ao sucessor. O Volkswagen up! GTI foi revelado em 2017 e recuperou a ideia de um *pocket-rocket* leve, simples e divertido de conduzir - quase uma homenagem moderna ao conceito original do primeiro Golf GTI.
Com um motor 1.0 TSI de 115 cv e pouco mais de uma tonelada, o up! GTI anunciava 8,8 s dos 0 aos 100 km/h e 196 km/h. Quando chegou a Portugal, a Razão Automóvel pôde conduzi-lo no Kartódromo de Palmela, um traçado muito adequado à sua dimensão - recorde esse momento.
Há mais GTI que não foram o Golf
Os Volkswagen GTI acima chegaram até nós, mas não foram os únicos. Entre protótipos e modelos vendidos noutras regiões do mundo, a sigla GTI acabou por ser usada em mais automóveis.
Um dos exemplos mais curiosos é o protótipo do Volkswagen Passat GTI (primeira geração), pensado para testar a hipótese de aplicar a mesma filosofia do Golf GTI a um familiar de maiores dimensões. A marca alemã acabou por não avançar, por não encontrar um modelo de negócio viável para um Passat GTI.
Voltando aos modelos de produção, houve outros Volkswagen que usaram a sigla GTI, mas fora da Europa. Talvez o mais conhecido seja o brasileiro Gol GTI - *Gol* e não *Golf*.
Lançado em 1988, distinguia-se do Golf por ter um motor 2,0 litros com 120 cv em posição longitudinal, em vez de transversal, mas sempre com tração dianteira. Teve duas gerações e várias versões, com a mais potente a chegar aos 153 cv. Tal como o Golf GTI, também é um ícone da marca no Brasil.
Sem sair do Brasil, o Volkswagen Pointer GTI foi, provavelmente, uma das interpretações mais improváveis desta sigla. Comercializado em alguns mercados da América Latina nos anos 90, resultava de uma parceria industrial entre a Volkswagen e a Ford (Autolatina) e não era mais do que um… Ford Escort (quinta geração) reestilizado para parecer um Volkswagen. Montava um 2,0 litros com cerca de 115 cv.
Por fim, temos o Jetta GLI norte-americano, que herda praticamente tudo do Golf GTI, à exceção da sigla. Ao longo de várias gerações - desde os anos 80 até hoje -, o Jetta GLI tem recebido as mesmas alterações ao nível do chassis, da suspensão e também das mecânicas (algumas adaptadas ao mercado norte-americano). Na essência, é um Golf GTI com três volumes.
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