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Kia EV2: primeiro contacto com o elétrico do segmento B

Carro elétrico branco Kia EV2 estacionado numa garagem moderna com janelas amplas e muita luz natural.

A Kia não tentou reinventar a roda com o EV2: preferiu uma receita já testada - e ainda bem.


Há modelos que só começam a fazer sentido depois de muitos quilómetros, mas o Kia EV2 não precisa disso. Bastaram alguns quilómetros ao volante para ficar clara uma ideia: a Kia percebe muito bem o que o público europeu procura num elétrico do segmento B.

Em vez de forçar uma solução “revolucionária”, a marca optou por algo bem mais pragmático: pegou no EV3, que já mostrou o que vale, e encolheu-o. O que sai daqui é um automóvel mais pequeno e mais acessível, mas igualmente bem pensado. Confesso que não estava à espera de uma execução tão convincente - como pode ver neste vídeo:

Visual joga a seu favor

Numa fase em que muitos consumidores apontam o dedo às marcas por estarem a produzir carros demasiado parecidos entre si, a Kia tem-se distinguido por arriscar no desenho. Nem sempre com o mesmo grau de acerto.

Não escondo que não sou particularmente fã do novo EV4 berlina, mas, nesta linguagem “Opostos Unidos” da Kia, o EV2 parece-me um dos resultados mais bem conseguidos. Seja como for, com agrado ou sem ele, é difícil ficar indiferente à atual família de elétricos da marca sul-coreana.

Mesmo com dimensões compactas - 4,06 m de comprimento, menos 24 cm do que o EV3 -, o EV2 passa uma sensação de robustez. A frente vertical, as proteções nos para-choques e nas cavas das rodas e a assinatura luminosa vertical colocada junto às extremidades ajudam a reforçar a perceção de largura e a dar-lhe uma postura sólida.

Pequeno por fora. Grande por dentro

A frase assenta-lhe na perfeição: o EV2 recorre à mesma plataforma E-GMP usada em modelos como o EV6 ou o EV9, o que diz muito (quase tudo, na verdade) sobre a flexibilidade desta base.

E a versatilidade é mesmo uma das palavras-chave neste SUV. O aproveitamento do espaço é exemplar, a ponto de o habitáculo conseguir competir com propostas de segmentos superiores.

Infelizmente, a solução de quatro lugares com dois bancos traseiros deslizantes não chegará a Portugal. Por cá, a oferta fica-se pela configuração tradicional de cinco lugares que, por ter a segunda fila fixa, acaba por retirar algum volume útil à bagageira.

Ainda assim, o espaço para as pernas atrás é mais do que suficiente para duas pessoas adultas viajarem com conforto, até porque o piso é plano. Tenho 1,83 m e sento-me sem dificuldades na segunda fila. Já o lugar central, como é habitual, é bem mais limitado.

Mini-EV3?

Ao olhar para os bancos e para o tabliê de linhas minimalistas, as semelhanças com o EV3 saltam imediatamente à vista - e isso é, claramente, uma boa notícia.

O destaque principal vai para o conjunto de três ecrãs atrás do volante: um de 12,3” para a instrumentação, outro de 5,3” para a climatização e um de 12,3” para o sistema de infoentretenimento, tudo bem encaixado no desenho do interior. A presença de alguns comandos físicos para funções essenciais também merece aplauso.

O infoentretenimento não atinge o nível do principal rival, o Renault 4 E-Tech, mas é rápido e suficientemente fluído para oferecer uma utilização agradável. Exige alguma adaptação, porém a organização é, no geral, competente.

Também merece referência a consola central, muito modular e com bastante capacidade de arrumação. Há três portas USB-C (duas com carregamento rápido), uma zona de carregamento sem fios para o telemóvel e ainda uma tomada de 12 V.

E os materiais?

Como se espera neste segmento, há plásticos rígidos em várias áreas do interior. Ainda assim, a montagem transmite uma sensação de solidez e de durabilidade - embora só o tempo permita confirmar se esta impressão se mantém.

Os bancos, por sua vez, combinam bom apoio lateral com um nível de conforto acima do que é comum nesta categoria. Nas versões mais equipadas, podem ainda incluir aquecimento, tal como o volante.

Duas baterias e autonomia recorde

O Kia EV2 vai contar com duas baterias de iões de lítio: uma LFP de 42,2 kWh (Autonomia Standard), com autonomia anunciada até 317 km; e uma NMC de 61 kWh (Autonomia Longa), capaz de chegar até 453 km por carga - um valor recorde no segmento.

Independentemente da versão, a potência de carregamento em corrente alternada (CA) é sempre de 11 kW de série. Em opção, pode escolher-se um carregador de bordo preparado para suportar carregamentos até 22 kW.

No carregamento em corrente contínua, o valor fica nos 118 kW, ligeiramente acima dos 100 kW anunciados pelo Renault 4 E-Tech - e permite carregar de 10% a 80% em cerca de 30 minutos.

Feito para europeus

Em estrada, o EV2 deixa depressa uma mensagem: é um carro desenhado a pensar nos clientes europeus. E isso nota-se desde os primeiros quilómetros.

É simples de conduzir, muito previsível, equilibrado e, acima de tudo, racional. É assim que descrevo este elétrico compacto que, na versão com a bateria mais pequena (a única que conduzimos na apresentação), utiliza um motor elétrico dianteiro com 108 kW (147 cv) e 205 Nm de binário máximo.

A Kia ainda não divulgou as especificações finais do motor da versão de maior autonomia, mas não é de esperar uma diferença grande. E ainda bem: o EV2 lembra-nos que, muitas vezes, damos peso a mais aos números de potência e às acelerações.

Os 147 cv chegam e sobram para o propósito. O mesmo se aplica aos 8,7s dos 0 aos 100 km/h e à velocidade máxima de 160 km/h. Não é um carro para fazer figura de velocista - muito menos de desportivo. É um utilitário elétrico pensado para a cidade. E, nesse ambiente, sente-se no seu habitat natural.

Mais relevante do que isso é a eficiência do conjunto elétrico. E aqui o EV2 coloca-se entre os melhores do segmento: neste primeiro contacto, consegui registar consumos abaixo dos 10 kWh/100 km. É verdade que conduzi sobretudo em cidade, mas continua a ser um valor muito interessante.

Na condução, destaca-se pela facilidade, pelas reações previsíveis e pelo conforto. Gostaria, no entanto, que os movimentos verticais estivessem mais controlados ao passar em juntas de dilatação ou lombas. Fora isso, pouco há a criticar.

A sensação global é positiva, o isolamento acústico está acima da média do segmento (para-brisas laminado de série em todas as versões e vidros dianteiros laminados nas versões de topo) e a suavidade com que tudo acontece também contribui para essa perceção.

Quanto vai custar?

As primeiras unidades do novo Kia EV2 só chegam ao mercado nacional em junho e, por isso, os preços para Portugal ainda não estão fechados. Ainda assim, a marca já confirmou que as versões de entrada ficarão abaixo dos 30 mil euros. Em Espanha, os valores já são oficiais: o EV2 mais barato custa 29 450 euros.

É um posicionamento muito próximo daquele que considero ser o seu principal rival, o Renault 4 E-Tech. Mas convém lembrar que a pressão competitiva vai aumentar, com a chegada do Skoda Epiq e do Volkswagen ID.Cross.

Do lado do EV2, contam a favor o estilo exterior claramente distinto, a autonomia nas versões com a bateria maior, os consumos muito contidos e, claro, o nível de equipamento de série - algo que já era um ponto forte no «irmão» EV3.

Veredito

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