O automóvel continua, de longe, a ser o meio de transporte mais usado pelos residentes da Área Metropolitana do Porto (AMP) nas suas deslocações diárias: 69% opta pelo carro. Já o transporte público é escolhido como modo principal por 17%, de acordo com o Barómetro de Mobilidade do ACP. Entre as razões para esta preferência, a rapidez surge como o fator mais citado (56%). E, quando se pergunta o que impede a mudança para o transporte público, a resposta mais frequente é a inexistência de uma alternativa conveniente (39%), mesmo com 72% da população a assumir que vive perto (até 500 metros) de uma paragem de autocarro, estação de metro ou comboio.
Estes resultados fazem parte de um estudo sobre tendências de mobilidade nos 17 municípios que integram a AMP. O trabalho foi realizado pelo Automóvel Clube de Portugal, com base em 1150 inquéritos conduzidos pela Pitagórica junto de cidadãos com 18 ou mais anos (um universo de cerca de 1,5 milhões de pessoas). A superioridade do automóvel fica bem evidente: mais de um milhão de habitantes da metrópole (69%) identifica-o como o principal meio de transporte. Em contraste, são pouco mais de 250 mil (17%) aqueles que colocam os transportes públicos à frente, seja em modos rodoviários (12%) ou ferroviários (5%).
Paragem fica até 500 metros de casa
O inquérito (assente em 1150 respostas) também ajuda a explicar a adesão massiva ao carro. Entre quem conduz, 56% aponta a rapidez como motivo determinante; e, entre os "penduras", essa justificação é referida por 45%. O estudo clarifica ainda o que teria de mudar para que os cidadãos metropolitanos deixassem o automóvel em casa e passassem a usar transporte público: em primeiro lugar, horários mais ajustados e maior frequência (46%); em seguida, mais ligações diretas e menos transbordos (29%).
Em termos práticos, isto significa que cerca de um milhão de pessoas estaria disponível para escolher autocarro, metro ou comboio se existirem ligações mais rápidas e mais simples. Não se trata, importa sublinhar, de ter transporte público à porta de cada habitação. Mais de um milhão de inquiridos (72%) já vive a, no máximo, 500 metros de uma paragem ou estação (entre cinco e dez minutos a pé), e um terço dos residentes da AMP encontra-se a menos de 200 metros (dois a três minutos a pé).
Passes baratos (ou grátis) são importantes
Há ainda um fator que, embora com menor peso, pode contribuir para alterar o cenário: 21% dos cidadãos diz que usaria mais transportes públicos se os bilhetes ou o passe fossem mais baratos. Em número de pessoas, esta percentagem corresponde a cerca de 300 mil. Além disso, e apenas no caso dos residentes no Porto, os transportes públicos passarão a ser gratuitos a partir de julho, em linha com um dos compromissos do atual presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte.
Quando a pergunta deixa de ser o que poderia incentivar a mudança para o transporte público e passa a focar as principais barreiras à alteração do modo de deslocação, o padrão repete-se: 39% (o equivalente a quase 600 mil pessoas) indica a falta de alternativa e um quarto dos inquiridos menciona o tempo e a necessidade de flexibilidade.
Outros indicadores sugerem que existe margem para reduzir o tráfego automóvel (e os engarrafamentos). Mais de metade dos cidadãos metropolitanos tinha recorrido a algum tipo de transporte público no mês anterior ao inquérito (embora apenas 30% o tivesse feito nos últimos três dias).
Utentes adoram o metro e detestam a UNIR
Ainda assim, para que a mudança aconteça de forma relevante, será necessário reforçar a qualidade do serviço prestado pelos operadores. No estudo de mobilidade do ACP foi utilizado um indicador internacional de satisfação do cliente, o NPS, e os resultados são negativos em quase todos os casos, com exceção do metro.
Este valor é calculado pela diferença entre a percentagem de avaliações dos chamados "promotores" (clientes que recomendam o operador) e a dos "detratores" (clientes insatisfeitos). A Metro do Porto apresenta um saldo positivo de 21 pontos. Já os comboios suburbanos da CP (linhas do Norte, Douro e Minho) registam um saldo negativo de seis pontos. Nos autocarros, o resultado é ainda mais desfavorável: a STCP fica com um saldo negativo de 20 pontos e a UNIR - responsável por ligações nas freguesias e concelhos mais periféricos da AMP - desce para um saldo negativo de 49 pontos.
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