Conversações entre o Irão e os Estados Unidos marcadas pela desconfiança
O Irão considerou que a falta de confiança é o principal entrave às negociações para pôr termo à guerra com os Estados Unidos, indicando na sexta-feira que Teerão continua disponível para recorrer a apoio diplomático que contribua para reduzir as tensões.
Numa altura em que os contactos entre o Irão e os Estados Unidos permanecem bloqueados durante um cessar-fogo frágil, o clima continua tenso e existe o risco de o Médio Oriente voltar a cair num confronto aberto, prolongando a crise energética global desencadeada pelo conflito.
Falando aos jornalistas em Nova Deli, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que sinais e mensagens contraditórias fazem com que Teerão se torne "relutante quanto às verdadeiras intenções dos norte-americanos".
"Temos dúvidas sobre a sua seriedade", disse Araghchi, sublinhando que as conversações poderiam avançar caso Washington aceitasse um "acordo justo e equilibrado".
Exigências nucleares e o impasse sobre o urânio enriquecido
O Presidente norte-americano, Donald Trump, rejeitou esta semana a mais recente proposta formal do Irão, descrevendo-a como "lixo".
Apesar de, alegadamente, o Irão ter incluído algumas concessões no domínio nuclear, Trump afirmou pretender retirar do país o urânio altamente enriquecido e travar qualquer desenvolvimento de armas nucleares. Teerão insiste, por seu lado, que o seu programa nuclear tem objetivos pacíficos.
Trump exigiu ainda uma redução expressiva das atividades nucleares iranianas, enquanto o Irão mantém que tem o direito de enriquecer urânio.
Araghchi reconheceu que o tema das reservas de urânio enriquecido está entre os dossiês mais complexos nas negociações com os Estados Unidos.
A Rússia já se disponibilizou, no passado, para acolher essas reservas, caso o Irão estivesse disposto a abdicar delas. O chefe da diplomacia iraniana afirmou que a proposta russa não está, neste momento, a ser discutida de forma ativa, embora possa vir a ser retomada.
"Quando chegarmos a essa fase, teremos naturalmente mais consultas com a Rússia e veremos se a proposta russa pode ajudar ou não", afirmou.
China, diplomacia e a pressão sobre o estreito de Ormuz
Segundo o Irão, a China poderá ter margem para desempenhar um papel diplomático. Araghchi afirmou que Teerão acolheria apoio diplomático de outros países, em especial da China, recordando o papel anteriormente desempenhado por Pequim na facilitação do restabelecimento das relações entre Teerão e Riade.
Ainda assim, Pequim tem mostrado pouco interesse público perante os pedidos dos Estados Unidos para um envolvimento maior, embora Trump tenha dito ao apresentador da Fox News Sean Hannity que Xi se ofereceu para ajudar nas conversações entre os dois países.
Entretanto, o Irão continua a controlar o estreito de Ormuz, uma rota marítima crucial por onde circulava um quinto do petróleo mundial antes da guerra, enquanto os Estados Unidos mantêm um bloqueio aos portos iranianos.
Trump e o Presidente chinês, Xi Jinping, que concluíram conversações esta sexta-feira, concordaram que o estreito deve ser reaberto.
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