Saltar para o conteúdo

Sindicato dos Jornalistas repudia críticas da Câmara Municipal de Gaia à Lusa

Mulher numa sala a falar ao microfone, segurando documento com texto destacado, janela e edifícios ao fundo.

Críticas da Câmara Municipal de Gaia à agência Lusa

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) manifestou, este sábado, a sua reprovação perante as “críticas inaceitáveis” dirigidas pela Câmara Municipal de Gaia à agência Lusa, advertindo que “estes ataques” representam um risco para o funcionamento normal da comunicação social e da própria democracia.

Na origem do caso está um comunicado divulgado nas redes sociais da autarquia, onde a Lusa é acusada de “tentativa de manipulação”, descrita como “lastimável, mentirosa e reles”, além de “habitual”.

Notícia baseada no Diário da República e reacção interna na Lusa

O comunicado municipal - em formulações que a Direção de Informação (DI) da agência considerou “muito gravosos para a agência e para o jornalismo” - diz respeito a uma notícia da Lusa publicada no Jornal de Notícias e sustentada em informação disponibilizada no Diário da República.

A agência noticiou a anulação de um concurso para 136 funcionários, no dia seguinte ao conteúdo relativo à abertura de concursos para 93 cargos de chefia na mesma autarquia.

Perante a situação, a DI da Lusa remeteu uma carta ao presidente da câmara de Vila Nova de Gaia, na qual censurou a postura do executivo, tendo essa missiva contado com o apoio do Conselho de Redação.

Reacção do Sindicato dos Jornalistas (SJ)

Em comunicado divulgado hoje, o SJ lamentou que, após um trabalho assente “meramente em factos divulgados” pelo Diário da República, a autarquia tenha tornado público um texto com “linguagem absolutamente inapropriada, que mais não é um ataque gratuito e lamentável ao trabalho digno dos jornalistas da agência Lusa”.

“O SJ é obrigado a vir reiterar novamente que estes ataques ao jornalismo são inaceitáveis, intoleráveis e um perigo real para o normal funcionamento dos órgãos de comunicação social e da democracia”, salientou o sindicato.

Para a estrutura sindical, o uso de “termos inqualificáveis” presentes no comunicado “só podem ser interpretados como uma tentativa óbvia de pressão e condicionamento do jornalismo”.

“O SJ afirma, sem hesitações, que quem deve um pedido de desculpas à Lusa, ao jornalista visado e à própria população em geral é o executivo da Câmara de Vila Nova de Gaia, que aparentemente não sabe conviver com o escrutínio normal e habitual em democracia”, acrescentou.

Preocupação com a independência da Lusa e repetição de episódios

O sindicato considerou também “particularmente preocupante” que estas críticas surjam numa fase em que a “agência enfrenta um processo de reestruturação e alterações aos estatutos que põe em risco a sua independência”.

“Infelizmente, nas últimas semanas, sucedem-se episódios em que figuras com responsabilidades políticas (nomeadamente autarcas) utilizam o seu espaço mediático para atacar jornalistas, situações que o SJ já denunciou no passado”, alertou ainda o SJ, defendendo que estes “ataques gratuitos devem cessar de forma imediata”.

Depois de expressar solidariedade para com a Lusa e os seus jornalistas, a direção do SJ garantiu que continuará a acompanhar este caso.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário