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OMS alerta que surto de Ébola na RDCongo pode prolongar-se

Profissional de saúde com PPE a examinar criança nos braços da mãe, ambos com máscara, num ambiente rural.

Situação do surto de Ébola na RDCongo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) avisou esta terça-feira que o surto de Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) poderá estender-se no tempo e indicou que está a avaliar que vacinas e tratamentos podem vir a ser utilizados.

A responsável da OMS Anne Ancia sustentou que o fim da epidemia não deverá acontecer num horizonte curto: "Não creio que esta epidemia termine dentro de dois meses. A dimensão da epidemia dependerá da rapidez da nossa resposta, da nossa capacidade de travar rapidamente a transmissão. Não dispomos de vacina e, por isso, temos de contar com a cooperação da população", declarou.

Entretanto, já foram contabilizadas 131 mortes e 513 casos suspeitos na RDCongo, de acordo com a informação mais recente divulgada pelas autoridades congolesas.

Fora do território congolês, foi reportada uma morte na vizinha Uganda e confirmado um caso no Sudão do Sul, país que também partilha fronteira com a RDCongo.

Resposta da OMS e avaliação de vacinas e tratamentos

Segundo Anne Ancia, a OMS está a estudar que vacinas ou terapêuticas existem e poderão ser mobilizadas, numa altura em que há mais de 100 mortes suspeitas de terem sido provocadas pelo Ébola.

A organização classificou o surto desta febre hemorrágica, descrita como altamente contagiosa, como uma emergência de saúde pública internacional e convocou hoje um comité de emergência.

Esse comité terá a missão de apresentar recomendações para responder à epidemia. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou-se "profundamente preocupado" com a dimensão do surto e a velocidade com que se está a expandir.

Contexto: estirpes, vacinação e transmissão do vírus

Não existe vacina nem tratamento para a nova estirpe Bundibugyo do vírus do Ébola, a mesma que esteve na origem da mais recente epidemia da doença, responsável por mais de 15 mil mortes em África ao longo dos últimos 50 anos.

As vacinas disponíveis destinam-se apenas à estirpe Zaire, identificada em 1976.

Ancia referiu que, neste momento, especialistas internacionais entendem que as vacinas desenvolvidas para a estirpe Zaire "não podem ser utilizadas no âmbito da resposta atual".

"É claro que é necessário realizar muito mais estudos a este nível e penso que iremos, de facto, discutir muito em breve as possibilidades de realizar ensaios clínicos", acrescentou.

O Presidente congolês, Félix Tshisekedi, pediu hoje à população que "mantenha a calma" face ao avanço do vírus e deu instruções ao "Governo a aplicar imediatamente todas as medidas necessárias para reforçar a resposta sanitária".

A RDCongo é frequentemente atingida por surtos de Ébola. O vírus transmite-se através do contacto direto com sangue ou outros fluidos corporais de pessoas infetadas, bem como de animais infetados, e pode causar febre hemorrágica grave, dores musculares, fraqueza, dores de cabeça, irritação da garganta, febre, vómitos, diarreia e hemorragias internas.

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