Estudo do IPAM sobre o impacto dos concertos de Pedro Abrunhosa
Quanto vale, para uma cidade ou uma vila, receber um concerto de um dos principais músicos ou bandas portuguesas? Para esclarecer esta questão, o Instituto Português de Administração de Marketing (IPAM) avançou com um estudo pioneiro, centrado nas dezenas de espetáculos que Pedro Abrunhosa realizou no ano passado. A conclusão aponta que as 77 atuações injetaram 25 milhões de euros no comércio, na restauração, na hotelaria e noutros setores das economias locais.
De acordo com a análise, o peso maior destes valores vem sobretudo dos espectadores não residentes. Representam mais de metade dos 933 inquiridos e, em regra, acabam por gastar mais do que o público local. As investigadoras Ana Ramires e Isabel Machado consideram ainda que existe margem para elevar as receitas, nomeadamente ao incentivar a permanência, ao criar oferta cultural complementar e ao desenvolver experiências coletivas.
Mais público ao ar livre
Entre os 77 concertos dados pelo músico no ano passado, aqueles que mais mexeram com a economia foram os realizados ao ar livre: com uma afluência estimada de 435 mil pessoas, geraram perto de 20 milhões de euros. Já os espetáculos em recintos fechados reuniram 65 500 espectadores e tiveram um impacto de cinco milhões de euros.
No entanto, quando se olha para a despesa individual, o retrato altera-se: foram os espectadores dos concertos em espaços fechados que demonstraram maior poder de compra, assegurando 58,5% dos lucros, com uma média de 55 euros por pessoa.
Entre as localidades analisadas, o Porto destacou-se como uma das que mais beneficiou com os concertos de Abrunhosa. Estima-se que os 22 200 espectadores que se deslocaram à Super Bock Arena, para cinco espetáculos, tenham deixado cerca de dois milhões de euros na cidade - o que equivale a um gasto médio de 92 euros.
Nos concertos ao ar livre, apesar de atraírem mais público, o gasto por pessoa foi inferior: a média ficou nos 43 euros, correspondendo a 41,5% do montante final. Nas Festas Praia da Memória, em Matosinhos, por exemplo, a presença do músico terá representado um impacto de um milhão de euros, com o gasto médio por espectador a rondar os 56 euros.
Espaço para crescer
Em qualquer um dos formatos, e como seria expectável, foram os não residentes quem mais desembolsou, com maior peso em alimentação e transportes do que os locais. A maioria destes espectadores diz ter viajado propositadamente para a cidade por causa do concerto, mas apenas 17,4% ficou a dormir no destino. Além disso, menos de metade dos inquiridos refere ter feito atividades na cidade depois do espetáculo.
Para as investigadoras, estes indicadores mostram que há potencial para reforçar o impacto financeiro dos eventos através de medidas que levem o público a prolongar a estadia - por exemplo, com "packs" de estadia, acordos com restaurantes ou a divulgação de atividades antes ou após o concerto.
Tendo como amostra os espetáculos de Pedro Abrunhosa realizados em 2025, é sublinhada a capacidade da música ao vivo para captar visitantes, dinamizar o comércio local e influenciar a economia local em áreas como restauração, alojamento, transportes e lazer.
"Os resultados ajudam a perceber que os concertos podem ter um papel estratégico na afirmação dos territórios. Quando existe capacidade para transformar o espetáculo numa experiência mais alargada, as cidades conseguem aumentar o tempo de permanência, consumo e ligação emocional dos visitantes ao destino", afirmam as autoras do estudo, que vai ser esta tarde apresentado, no Porto.
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