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Autoridades iranianas somam mais de quatro mil detenções na guerra com os Estados Unidos e Israel, diz HRANA

Pessoa a segurar quatro fotos de identificação, com algemas e bandeira de Portugal sobre a mesa, televisão ligada ao fundo.

As autoridades iranianas terão ultrapassado a marca das quatro mil detenções por suspeitas ligadas à guerra com os Estados Unidos e Israel, segundo dados compilados por uma organização de defesa dos direitos humanos.

Detenções e acusações apontadas pela HRANA

A Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA), sediada nos Estados Unidos, afirmou ter conseguido documentar pelo menos 4023 detenções no período entre 28 de fevereiro - data em que começou a ofensiva israelo-americana contra a República Islâmica - e 9 de maio.

De acordo com a HRANA, entre as imputações registadas surgem alegações de espionagem, ameaças à segurança nacional e ainda comunicação ou partilha de dados sobre o conflito com meios de comunicação estrangeiros.

"As autoridades iranianas têm usado o conflito para justificar detenções, restrições à liberdade de expressão e violência contra civis", acrescentou a organização.

Repressão interna e alertas sobre execuções na República Islâmica

No domingo, o comandante da Polícia Nacional iraniana, Ahmad Reza Radan, declarou que, desde os protestos antigovernamentais que abalaram o país em janeiro - no mês anterior ao início da guerra -, foram detidos mais de 6500 “traidores e espiões” associados ao “inimigo”.

A repressão a manifestações por todo o país contra as autoridades do Irão, desencadeadas por protestos na capital devido ao aumento do custo de vida, terá resultado em dezenas de milhares de mortos e detidos, segundo várias organizações iranianas de defesa dos direitos humanos com base no estrangeiro. O Governo, por seu lado, reconheceu mais de três mil vítimas.

Paralelamente, têm-se intensificado os alertas relativos a execuções na República Islâmica. Organizações de direitos humanos dizem que, desde o começo da guerra, as autoridades executaram 26 homens classificados como “presos políticos”: 14 condenados por participação nos protestos de janeiro, um por manifestações anteriores em 2022 e outros 11 por ligações a grupos de oposição proibidos.

Segundo os meios de comunicação social estatais iranianos, desde o início do conflito seis homens foram enforcados no Irão por espionagem a favor de Israel.

Mortes atribuídas ao ataque, discurso de Donald Trump e negociações

A HRANA contabilizou também pelo menos 3636 mortes associadas ao ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, incluindo 1701 civis.

O presidente norte-americano, Donald Trump, chegou a invocar a repressão da população civil como um dos motivos para desencadear o conflito, incentivando-a a promover ações destinadas a mudar o regime.

Mais recentemente, tem colocado o foco nas limitações ao programa nuclear iraniano e na reabertura do estreito de Ormuz, que as forças iranianas colocaram sob ameaça militar como resposta à ofensiva dos Estados Unidos e Israel desde 28 de fevereiro, contribuindo para a subida dos preços dos bens petrolíferos a nível global.

Está em vigor um cessar-fogo desde 8 de abril, enquanto continuam negociações indiretas entre Washington e Teerão que, até agora, não produziram resultados.

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