Encerramento inesperado da passagem de nível na Rua Nova dos Loureiros
Mantém-se a indignação entre os moradores de Silvalde, no concelho de Espinho, depois de terem sido confrontados, de um dia para o outro, com o fecho da passagem de nível da Linha do Vouga. Face à decisão súbita da Infraestruturas de Portugal (IP), justificada por motivos de segurança, há residentes que chegam a admitir remover as barreiras instaladas.
Sem qualquer aviso, durante a noite de 13 para 14 deste mês, a IP avançou com o encerramento da passagem de nível situada na Rua Nova dos Loureiros. "Não é admissível tapar uma rua destas pela calada da noite. Chegámos de manhã e estava tudo bloqueado", afirma, revoltado, Manuel Oliveira, residente naquela artéria. Segundo o morador, a população foi apanhada desprevenida. "Chegamos de manhã e estava tudo tapado. É como se nos tivessem enfiado uma faca na barriga", desabafa.
Moradores de Silvalde (Linha do Vouga) falam em “ditadura” e admitem retirar proteções
"Entrámos na ditadura novamente", atira Manuel Oliveira, lembrando que, há 15 anos, esteve ligado a um movimento que travou uma tentativa anterior de encerrar a mesma passagem. "Fizemos um abaixo-assinado e conseguimos que não fosse encerrado", recorda. E admite que, noutras circunstâncias, "já teria retirado estas coisas [proteções]".
A crítica ao modo como a medida foi executada é partilhada por outros moradores. "Foi da noite para o dia, para ninguém se opor", reforça Rosa Milheiro. Explica que o impacto no quotidiano é significativo: com o bloqueio, "faz muita diferença, porque agora temos de dar a volta ao quarteirão todo". "Devíamos levantar estas proteções todas", defende.
Pedem cancelas
José Alfredo, também residente na zona, classifica o encerramento como "mal feito". "As pessoas foram apanhadas de surpresa. Os homens da recolha do lixo, os bombeiros e outras pessoas têm de dar a volta ao quarteirão para terem acesso a partes desta rua", aponta. Para o morador, a alternativa deveria passar por controlar a travessia e não por a impedir: "É uma estrada com muito trânsito, deviam colocar cancelas, como noutros locais", disse. Palmira Rodrigues acrescenta que a hipótese chegou a ser sugerida: ainda lhes disseram para colocarem cancelas, "mas responderam que dava muito trabalho". "Mas queremos as cancelas", insiste.
Junta de Silvalde e Câmara de Espinho criticam forma do processo
O fecho surpreendeu igualmente a Junta de Silvalde e a Câmara de Espinho, levando as autarquias a criticarem a forma como a decisão foi conduzida. O presidente da Câmara, Jorge Ratola, aponta os efeitos na vida local. "O Município compreende a necessidade de garantir a segurança ferroviária, mas lamenta uma decisão que poderá criar constrangimentos à população e condicionar a circulação local. A Câmara defendeu uma solução que permitisse conciliar segurança e mobilidade", revela ao JN.
Em comunicado, a Junta manifesta "profundo descontentamento" por se tratar de uma imposição sem aviso. "A solução imposta obriga ao desvio do tráfego para rotas alternativas que não estão dimensionadas para este volume de circulação. Esta sobrecarga nas artérias secundárias resultará, inevitavelmente, num aumento do risco de acidentes rodoviários, transferindo a insegurança da via férrea para as ruas da nossa freguesia", escreve a Junta. A autarquia conclui exigindo esclarecimentos urgentes à IP e garante que, em conjunto com a Câmara, irá insistir junto das entidades superiores para reverter a medida.
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