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Édouard Philippe sob investigação por suspeitas de desvio de fundos públicos em Le Havre

Homem de fato subindo escadas para tribunal, com fita policial e fotógrafos ao fundo.

Investigação judicial em Le Havre envolvendo Édouard Philippe

Édouard Philippe, antigo primeiro-ministro francês e atual presidente da câmara de Le Havre (noroeste de França), passou a ser alvo de uma investigação por suspeitas de desvio de fundos públicos, favorecimento, conflito de interesses e suborno.

A Procuradoria Nacional Financeira (PNF) indicou à agência AFP que, a 7 de maio, foi instaurada uma queixa preliminar - um mecanismo que permite encaminhar o processo para um juiz de instrução e, simultaneamente, balizar o perímetro da investigação.

O caso teve origem numa denúncia apresentada em setembro de 2023 sobre os alegados crimes, na sequência da qual a PNF abriu diligências e realizou buscas em abril de 2024. Mais tarde, em junho de 2025, a mesma denunciante formalizou a queixa, passando a constituir-se parte civil no processo.

O advogado da denunciante, Jérôme Karsenti, afirmou à AFP que a sua cliente "acolhe com satisfação a abertura de um inquérito judicial sobre as alegações que apresenta e aguarda ansiosamente a sua audiência com o juiz de instrução".

Desde o primeiro momento, Philippe contestou as acusações. Recorde-se que foi primeiro-ministro (2017-2020) do presidente Emmanuel Macron.

Uma fonte próxima do presidente da câmara de Le Havre referiu que Philippe "reconhece a abertura de um inquérito judicial", do qual "tomou conhecimento através da imprensa". "Naturalmente, responderá a todas as questões colocadas pelo sistema judicial", acrescentou a mesma fonte.

Queixa e suspeitas sobre a Cité Numérique

A queixa também menciona Stéphanie de Bazelaire, vice-presidente da câmara com o pelouro da inovação e assuntos digitais, e Claire-Sophie Tasias, diretora-geral de serviços da comunidade urbana de Le Havre.

De acordo com a acusação consultada pela AFP, o juiz de instrução deverá "avaliar se houve um pacto" entre Philippe e, em particular, de Bazelaire - incluindo um eventual apoio político e financeiro - em troca da gestão da Cité Numérique, descrita como um polo de inovação colaborativa.

Candidato presidencial

A 10 de maio, Philippe oficializou a candidatura às eleições presidenciais de 2027, liderando o partido Horizontes. Nessa ocasião, recusou-se a "pedir desculpa" por ter sido o "primeiro primeiro-ministro" no primeiro mandato de Macron e anunciou ainda um grande evento político marcado para 5 de julho, em Paris.

Sondagens e outros potenciais candidatos

Entre os nomes já confirmados na corrida estão Jean-Luc Mélenchon, da esquerda radical A França Insubmissa (LFI, na sigla em francês) - que se apresenta pela quarta vez - e o antigo ministro do Interior Bruno Retailleau, atual presidente do partido conservador Os Republicanos.

A direita nacionalista continua na dianteira das sondagens, com cerca de 32% das intenções de voto. No entanto, permanece em aberto se Marine Le Pen poderá candidatar-se, devido aos processos judiciais em que está envolvida, ou se será Jordan Bardella, presidente do partido União Nacional, a avançar.

Jean-Luc Mélenchon, de 74 anos, anunciou no início do mês a candidatura às presidenciais de abril de 2027, na sua quarta tentativa de chegar ao Palácio do Eliseu. Num cenário político francês fragmentado, Mélenchon é uma figura pouco consensual: a direita e o centro acusam-no de antissemitismo por declarações sobre o conflito israelo-árabe, acusação que também é partilhada por alguns setores da esquerda moderada.

Apesar de ter construído duas alianças eleitorais vitoriosas com o Partido Socialista (PS) - nas legislativas de 2022 e 2024 -, o líder da LFI encontra-se em rutura com o seu antigo partido, o que abriu um cisma entre os dois principais movimentos progressistas em França.

O seu plano de criação da VI República Francesa, com mais poderes para o Parlamento e com referendos populares, bem como a sua visão de uma "Nova França", que promove a diversidade racial, conquistaram apoio nas periferias das maiores cidades francesas, onde uma parte significativa da população tem origens no Magrebe e na África Subsaariana.

Emmanuel Macron, por sua vez, não poderá voltar a concorrer, depois de cumprir dois mandatos consecutivos.

No campo presidencial, começa a fechar-se o capítulo do pós-Macron sem que exista um herdeiro evidente no espaço centrista - terreno que Édouard Philippe pretende ocupar, embora possa vir a ser disputado com Gabriel Attal.

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