Saltar para o conteúdo

Carros de slot: a minha primeira vez a «conduzir» um carro elétrico

Carro desportivo clássico vermelho com faixa branca e matrícula SCX Monza em exposição interior moderna.

O primeiro contacto: a pista no tapete

A primeira vez que «conduzi» um carro elétrico tinha sete anos - e aconteceu no tapete da sala lá de casa, numa pista cheia de loopings e com curvas mais inclinadas do que as do oval de Terramar.

Sim, acabei de misturar um monte de assuntos e imagens num único parágrafo. Foi intencional. A razão é simples e tem nome: carros de slot.

Se está a ler isto, é bem provável que já saiba do que falo. Ainda assim, para quem nunca ouviu o termo, aqui fica uma definição bem resumida: são pequenos carros em miniatura (existem em várias escalas), movidos por um motor elétrico, que seguem guiados por uma fenda/ranhura ao longo de uma pista.

Se quiser uma explicação mais completa, então convido-o/a a ver esta espécie de guia em vídeo sobre carros de slot:

Entre passatempo e “coisa séria”

Para muita gente, o slot é um passatempo levado muito a sério, onde se pode gastar com facilidade muitos milhares de euros à procura do carro mais rápido ou do circuito ideal. Há até quem participe em competições e esteja inscrito em clubes, onde treina e afina o carro para a corrida seguinte. E está tudo bem.

No meu caso, porém, nunca encarei o slot dessa forma.

Para mim foi sempre, acima de tudo, diversão - um passatempo simples, tal como os videojogos. E tudo começou com aquela pista que recebi aos sete anos, no Natal, precisamente a tal dos loopings.

Infelizmente já não tenho forma de ilustrar essa primeira “iniciação” ao slot, mas recordo bem o que veio a seguir. Era um conjunto básico, com peças cujo «asfalto» tinha grafismos fluorescentes e dois carros algo genéricos; nem sequer me lembro da marca.

Do que me lembro mesmo é que as ligações entre as peças se soltavam com facilidade e que os loopings eram feitos a tal velocidade que era frequente os carrinhos «aterraram» fora da «estrada». Valeu-nos o facto de haver sempre um tapete por baixo, pronto para amortecer a queda.

O «bicho» do slot ficou, mas a verdade é que a vida útil daquela pista não foi grande coisa. Só mais tarde, já com 12 ou 13 anos, é que percebi a dimensão do mundo que cabia dentro da palavra slot.

A descoberta do mundo SCX e a pista “Monza”

Essa fase coincidiu com a popularização da SCX em Portugal e, como seria de esperar, voltei a pedir uma pista aos meus pais pelo Natal. A partir daí, a coisa mudou de patamar.

A primeira pista dessa nova etapa chamava-se Monza (era apenas um nome - o traçado não tinha relação com o circuito real) e trazia dois Fórmula 1, ambos à escala 1:32: o McLaren Mercedes de Kimi Raikkonen e o Jaguar Racing do espanhol Pedro de la Rosa.

Repetiu-se o ritual: montar tudo no chão, mas agora com um aspeto bem mais realista, um tamanho muito maior - e com carros consideravelmente mais rápidos.

Esse conjunto vinha também com um contador de voltas digital e eu fazia quase todos os dias corridas de 100 voltas. Muitas vezes acabava por controlar os dois carros ao mesmo tempo (quando nenhum dos meus primos alinhava numa maratona destas).

Não demorou muitas semanas até eu começar a chatear os meus pais para comprar mais carros e mais peças, para aumentar o circuito. Felizmente, o meu pai sempre gostou de miniaturas - ambos temos uma coleção de comboios em miniatura na escala HO - e foi alimentando este meu entusiasmo com alguma regularidade.

A seguir vieram mais retas e mais curvas (vendiam-se aos pares), e ainda um segundo conjunto completo, mais pequeno e com temática de rali, que trazia dois novos carros. E que dois: Subaru Impreza WRC e Mitsubishi Lancer Evolution WRC.

Ao contrário dos Fórmula 1, estes tinham tração às quatro rodas, o que lhes dava outra aderência em curva - e isso puxou por mim para tentar construir circuitos cada vez mais técnicos.

A mesa na cave e os carros que ficaram na memória

Daí em diante, a «febre» do slot não me largou. Em pouco tempo, o aparato já era de tal ordem que o meu pai decidiu construir uma mesa de madeira para montarmos uma pista mais “definitiva” na cave de casa. Podem vê-la aqui:

Com o tempo, a pista foi crescendo - e a coleção também. Recordo-me perfeitamente de receber um Chevrolet da NASCAR com a decoração da Pennzoil, um Audi TT DTM com a decoração da Red Bull, o Renault com que Fernando Alonso conquistou o primeiro título mundial de F1, em 2005, e o Mercedes-AMG CLK DTM com a decoração da Vodafone.

Ainda assim, houve três modelos que andaram mais do que todos os outros e que, mesmo hoje, continuam a ter um lugar especial na minha coleção de miniaturas: Mercedes-Benz CLK GTR Team Original-Teile, Dome Judd S 101 e Honda NSX ARTA.

Estes três eram diferentes. Em muitas tardes, faziam com que a minha cave deixasse de ser a minha cave e passasse a ser o Circuito de la Sarthe, a «casa» das 24 Horas de Le Mans.

Alguns carros já tinham iluminação própria, o que abria espaço para uma paragem estratégica nas boxes - e, na altura, antes da era do slot digital, essa “paragem” não era mais do que um «pousar de comando» e uma corrida até ao interruptor mais próximo para apagar as luzes e simular a noite.

No fundo, foi isto que me fez gostar de slot. Não tanto a mecânica em si - que só passei a valorizar a sério quando percebi que, sem manutenção, era impossível manter os carros em «forma» durante muito tempo - mas sobretudo a parte das corridas. Era escolher um carro e correr. Não era preciso mais nada.

Quando a vida não deixa montar a pista

Com o passar dos anos, eu e os carros de slot acabámos por seguir caminhos diferentes. Com muita pena minha. A realidade é simples: na casa onde vivo hoje não tenho espaço para manter a pista montada.

Ainda assim, ela continua lá, funcional, na cave da casa dos meus pais - e sempre que vou lá, gosto de a ligar.

É verdade que, para fazer meia dúzia de voltas, acabo quase sempre por perder mais tempo a limpar as «calhas» e a limpar os carros do que propriamente a correr. Mas no fim compensa. Porque, para mim, quando penso em carros elétricos, são estes pequenos «diabretes» que me aparecem imediatamente na cabeça.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário