As garantias bancárias estão a consolidar-se como uma peça-chave na política de financiamento do investimento em Portugal e, por isso, a ter um impacto cada vez mais visível na economia.
Garantias bancárias e investimento em Portugal: números do BPF
De acordo com informação do Banco Português de Fomento (BPF), “só no ano de 2025 foram emitidas mais de 160 mil pré aprovações de garantias para 140 mil empresas, num valor global de 42 mil milhões de euros de financiamento potencial. Destas pré-aprovações resultaram mais de 18 mil operações contratadas por empresas, com um montante global superior a 5,7 mil milhões de euros, beneficiando directamente mais de 16 mil empresas, o que equivale a perto de 300 mil postos de trabalho”, afirma ao Expresso o director executivo, Gonçalo Regalado.
Na prática, as garantias, sublinha Gonçalo Regalado, “tornam o financiamento bancário mais acessível, mais ágil e mais simples para as empresas, sobretudo quando o investimento é mais inovador ou com uma maturidade de longo prazo”.
Tendência europeia: garantias na AECM em 2024
Este movimento não é exclusivo de Portugal. Os dados mais recentes da Associação Europeia das Instituições de Garantia Mútua (AECM) - que, a partir desta quinta-feira, passa a integrar 51 empresas de 33 países - indicam que, em 2024, as garantias contratadas chegaram aos 217,9 mil milhões de euros, o que representa uma subida de 5,5% em comparação com 2023.
Também o valor médio associado a cada garantia tem aumentado: nas novas garantias aprovadas, passou de uma média de 41,4 mil euros para uma média de 44,6 mil euros.
Para Guy Selbherr, presidente da Associação Europeia das Instituições de Garantia (AECM), parte desta evolução explica-se porque “os empréstimos com garantia oferecem, geralmente, taxas de juro mais baixas e melhores condições, pois os credores enfrentam uma menor exposição e os bancos beneficiam do alívio de capital, o que lhes permite emprestar mais”.
O que está a impulsionar a procura por garantias
Há ainda um factor adicional por detrás do aumento dos pedidos e do consequente crescimento na concessão de garantias bancárias: as empresas necessitam, actualmente, de quantidades muito elevadas de financiamento para responder à transição energética, à reindustrialização, à digitalização, à Inteligência Artificial (IA) e, simultaneamente, à procura de novos mercados e de fornecedores de energia, num contexto marcado por vários conflitos geopolíticos em curso.
“Ao partilhar o risco com os bancos comerciais, o BPF permite viabilizar projectos de maior dimensão, maior magnitude, maior prazo e melhor pricing que, de outra forma, seriam dimensionados ou avançariam com condições de prazo e de preço menos compatíveis com a realidade das empresas”, Gonçalo Regalado
Apesar de existirem grandes projectos a recorrer a estas garantias, são sobretudo as Pequenas e Médias Empresas (PME) que acabam por beneficiar, já que, pela sua dimensão, tendem também a enfrentar maiores obstáculos no acesso ao crédito.
Guy Selbherr nota que “as garantias - frequentemente cobrindo 50% a 80% do montante pedido - permitem às PME obter empréstimos que ou não estariam disponíveis ou seriam demasiado dispendiosos, devido à insuficiência de garantias próprias ou ao maior risco”.
Gonçalo Regalado acrescenta que isto se relaciona com o facto de “o enquadramento regulatório e prudencial obriga[r] a uma gestão muito criteriosa do risco, especialmente em segmentos considerados com maior volatilidade ou imprevisibilidade: micro e pequenas empresas, sectores expostos a ciclos económicos ou com histórico limitado de relacionamento bancário”.
Em 2024, os membros da AECM apoiaram mais de seis milhões de PME, o que corresponde a um aumento de 29,5% face a 2023.
“As garantias são particularmente benéficas para startups, financiamento do crescimento e da inovação e têm demonstrado efeitos anti cíclicos positivos para estabilizar as PME em tempos de incerteza”, Guy Selbherr
Encontro anual da AECM em Lisboa: temas e acordos
A evolução das garantias e as perspectivas futuras, tal como o financiamento à economia, vão estar no centro do encontro anual da AECM que, este ano, se realiza em Lisboa, com organização do BPF e da Sociedade de Garantia Mútua (SGM).
Ao longo de dois dias, estão previstos debates e apresentações de especialistas em crédito e garantias de vários bancos europeus; de membros da Comissão Europeia, do Gabinete de Propriedade Intelectual da União Europeia e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE); bem como de entidades de fora da Europa - neste caso, a Korea Credit Guarantee Fund (KODIT) e a Japan Finance Corporation (JFC) que, segundo a AECM, “estão entre os maiores e mais desenvolvidos sistemas de garantia pública da Ásia”.
No âmbito do encontro, o BPF irá ainda formalizar dois novos Memorandos de Entendimento: um com o HBOR, o Banco Promocional e Agência de Crédito à Exportação da Croácia, e outro com o Hellenic Development Bank (HDB), o Banco Promocional da Grécia.
“Acesso a financiamento: necessidades de investimento num contexto global”
O que é?
Trata-se do encontro anual da Associação Europeia das Instituições de Garantia (AECM) que, este ano, é organizado pelo Banco Português de Fomento (BPF).
Quando, onde e a que horas?
Dia 21 de maio, quinta-feira, das 14h às 17h00, e dia 22 de maio, das 10h30 às 17h, no Pátio da Galé, na Praça do Comércio, em Lisboa.
Quem vai estar presente?
- Gonçalo Regalado, director executivo, Banco Português de Fomento
- Guy Selbherr, presidente da Associação Europeia das Instituições de Garantia (AECM)
- Gijs Schilthuis, director de sustentabilidade da Direcção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural da Comissão Europeia (DG AGRI)
- Aliénor Margerit, responsável da unidade de acesso a financiamento da Direcção-Geral de Mercados Internos, Indústria, Empreendedorismo e PME da Comissão Europeia (DG GROW)
- Milena Angelova, membro do Comité Económico e Social Europeu (EESC)
- Miguel Alves, director financeiro, Banco Português de Fomento
- Davide Galli, presidente da SMEunited (Associação das PME Europeias)
- Luís Guimarães, director comercial, Banco Português de Fomento
- Andrea Di Carlo, director executivo adjunto do Gabinete de Propriedade Intelectual da União Europeia (EUIPO)
- Helmut Kraemer-Eis, economista-chefe no Fundo de Investimento Europeu
- Lucia Cusmano, responsável da divisão de PME e Empreendedorismo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE)
Pode consultar a lista de todos os intervenientes aqui.
Porque é que este encontro é central?
A transição energética, a procura de novos mercados e de novos fornecedores de energia, o crescimento rápido da Inteligência Artificial e a reindustrialização exigem volumes muito elevados de investimento - e, para esse esforço, será necessário financiamento bancário, sendo que uma parte terá de recorrer a garantias.
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