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Gustavo Paulo Duarte entra em campo para liderar a CCP

Homem de negócios apresenta ideias a uma equipa sentada à mesa de reunião numa sala com janelas grandes.

Aos 44 anos, Gustavo Paulo Duarte pode afirmar que já enfrentou várias batalhas. Uma delas foi a greve dos motoristas de camiões de matérias perigosas, em 2019, quando presidia à ANTRAM (associação das empresas de transporte de mercadorias). Outra aconteceu no ano anterior, num jogo de râguebi polémico: a alinhar pela Agronomia, acertou com um soco num adversário da equipa de Direito e partiu-lhe o nariz. Ao longo de duas décadas na modalidade, somou cinco internacionalizações pela seleção portuguesa. Agora, volta a “entrar em campo” para comandar a CCP - Confederação do Comércio e Serviços de Portugal. Sai João Vieira Lopes, entra Gustavo Paulo Duarte, e com ele virá um sem número de reuniões de concertação social.

Do râguebi às associações empresariais

Com duas filhas, uma com oito anos e outra com 13, Gustavo Paulo Duarte é licenciado em Gestão e Engenharia Industrial pelo ISCTE e, desde 2018, lidera o grupo criado pelo pai. A empresa, com sede no município de Alenquer, emprega 1400 trabalhadores e tem mais de 2 mil viaturas. Terminou 2025 com uma faturação de €119 milhões e antecipa atingir este ano os €200 milhões. A atividade reparte-se entre Portugal e Espanha.

Gustavo Paulo Duarte na CCP e a experiência na ANTRAM

Com a nova função à frente da CCP - organização onde já era vice-presidente há quatro anos - terá, porém, de dedicar mais tempo a frentes diferentes. Depois de seis anos como presidente da ANTRAM e outros tantos como vice-presidente, Gustavo Paulo Duarte conhece bem o que implica liderar uma associação empresarial e negociar com as estruturas representativas dos trabalhadores.

“O bloqueio [no pacote laboral] foi claramente da UGT, mas o processo negocial poderia ter sido mais claro”

Ainda hoje, à semelhança do que defendia no passado, considera limitada a forma como o debate salarial é conduzido em Portugal, sustentando que existem várias componentes extrassalariais que também beneficiam os trabalhadores. Quanto à legislação laboral, a sua posição segue a linha da CCP. “Fizemos o nosso trabalho com os nossos parceiros. Chegámos agora à conclusão que não funcionou. Resta esperar pelo que se vai passar no Parlamento para saber depois com o que contamos nas nossas empresas”, afirma ao Expresso.

“As empresas não existem sem os trabalhadores”

O que correu mal na negociação do Governo com os parceiros sociais? “O bloqueio foi claramente da UGT, mas o processo negocial poderia ter sido mais claro”, admite. Sublinhando que “as empresas não existem sem trabalhadores e os trabalhadores não têm trabalho sem as empresas”, Gustavo Paulo Duarte recusa a ideia de que, no novo pacote laboral, “só há perdas para os trabalhadores”.

Uma fonte ouvida pelo Expresso, que trabalhou durante vários anos com o atual presidente da CCP, destaca que ele deixou a ANTRAM “financeiramente bem”, conquistando “respeito” pelo trabalho desenvolvido na liderança da associação. Apesar de emotivo, “nunca se exaltou numa reunião”. É retratado como “um tipo transparente”, que não esconde o que pensa, mas também evita que as conversas subam de tom até ao conflito.

“É preciso continuar a trabalhar, gerir empresas e trabalhar com os trabalhadores, procurando alinhar interesses”

Pedro Polónio, que assumiu a liderança da ANTRAM depois da saída de Gustavo Paulo Duarte, considera-o “uma pessoa positivamente diferenciadora, empreendedora, gosta de fazer acontecer como empresário e dirigente associativo”. Vai mais longe e diz que Gustavo “é um líder nato”, é “ativo” e tem “uma personalidade forte, que sabe o que quer”. Já Ema Leitão, atual presidente da associação das empresas de transporte de mercadorias, descreve o novo líder da CCP como um conciliador que, apesar do temperamento, consegue chegar a consensos. Para Ema Leitão, não há dúvidas: a experiência que Gustavo Paulo Duarte acumulou na ANTRAM, em negociações com os sindicatos, é uma mais-valia para o desafio que agora assume na CCP.

Pela frente, Gustavo tem quatro anos para reforçar a representatividade da CCP e impulsionar “uma economia portuguesa mais competitiva”. “Espero conseguir alinhar comércio, serviços e medidas económicas para a melhoria da sociedade como um todo”, disse ao Expresso.

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