A Ford Performance decidiu, literalmente, pôr a «carne toda no assador». Não há frase que descreva melhor o novo Ford Mustang GTD. A marca norte-americana foi directamente ao catálogo de componentes do seu departamento de competição e basicamente disse: “levamos o pacote completo”. E ainda bem que o fez…
O resultado é o que se vê nas imagens: o Mustang mais extremo de todos os tempos. E não se trata apenas de visual. Por baixo da carroçaria estão soluções capazes de obrigar os engenheiros da Porsche a fazer contas de cabeça.
Porsche, vamos atrás de ti!
É difícil escapar à comparação: basta olhar para este Ford Mustang GTD para pensarmos, de imediato, num frente-a-frente com o Porsche 911 GT3 RS.
No fim de contas, são dois modelos do mesmo segmento e com a mesma missão: trazer para a estrada a sensação de conduzir um verdadeiro carro de competição - ainda que com filosofias relativamente diferentes.
No Ford Mustang GTD mora um V8 - como seria de esperar… -, com 5.2 l e mais de 800 cv. Um motor que consegue «cantar» até às 7500 rpm, num espectáculo sonoro reforçado pelo assobio de um compressor volumétrico e por um escape em titânio.
Em linha recta, as dúvidas são poucas… o Ford Mustang GTD tem argumento para “empurrar” o Porsche 911 na traseira. Mas, e quando a estrada começa a dobrar?
Carne toda no assador é carne toda no assador
Sim, potência não lhe falta. Sim, é um motor impressionante. Mas um carro deste calibre tem, acima de tudo, de saber curvar. Por isso, a Ford pegou em praticamente tudo o que era do Mustang «normal», deitou fora e equipou o chassis com o melhor material disponível.
A transmissão deixou de estar acoplada ao motor e passou para o eixo traseiro, com o objectivo de optimizar a repartição de massas - uma solução conhecida como transaxle. Estamos a falar de uma caixa automática de dupla embraiagem, com oito velocidades.
Esqueçam a opção «caixa manual», este é um carro focado na performance máxima. Não há tempo a perder com mudanças manuais.
Um Ford Mustang GTD «colado»
Aqui está, muito provavelmente, o capítulo mais fascinante do Mustang GTD. Quando dissemos que a Ford Performance mandou quase tudo para o lixo, não estávamos a exagerar.
A suspensão dianteira foi redesenhada do zero, ao ponto de não sobrar uma única peça do modelo que lhe serve de base.
Ainda assim, é atrás que se percebe melhor o grau de empenho da marca. Recriaram toda a arquitectura de suspensões e adoptaram um sistema pushrod - o mesmo que encontramos, por exemplo, na Fórmula 1.
Para completar, a suspensão é activa. Os componentes “falam” entre si para preservar a melhor distribuição de massas possível, mesmo nas situações mais exigentes. Em modo TRACK, tudo fica mais rígido e a altura ao solo baixa 40 mm. Estamos a aplaudir de pé Ford!
Vamos à pior parte?
O Ford Mustang GTD - não confundir com o Golf GTD… - vai ser produzido em número limitado. O preço arranca nos 275 000 euros, nos EUA. Somando os impostos nacionais, caso venha a ser vendido em Portugal, é expectável que ultrapasse os 400 000 euros.
É caro? Sem dúvida nenhuma. Mas é o custo de entrada para aquele que será (muito provavelmente) o derradeiro Ford Mustang com motor a combustão. As primeiras unidades só chegam no final de 2024.
Até lá, resta-nos esperar por mais desenvolvimento no sítio do costume: Nürburgring Nordschleife. Que comecem os jogos!
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