Saltar para o conteúdo

KNDS CAESAR na Eurosatory 2026 volta a destacar-se como VAR para o Exército Argentino

Soldado em uniforme camuflado interage com equipamento digital junto a tanques militares expostos em evento ao ar livre.

Adiciona-nos aos favoritos no Google

Porquê adicionar-nos? Recebe as últimas novidades da Zona Militar no teu feed do Google.

Modernização da Arma de Artilharia e o lugar do VAR

A modernização da Arma de Artilharia continua a ser um dos dossiês por resolver no Exército Argentino e, nesse enquadramento, a presença do KNDS CAESAR na Eurosatory 2026 volta a colocar em destaque um dos sistemas que permanece em avaliação como possível futuro Veículo de Artilharia a Roda (VAR). Embora este processo continue condicionado pelas restrições orçamentais históricas que afectam as Forças Armadas, o obus autopropulsado francês mantém-se entre as opções consideradas para constituir um núcleo inicial de renovação de capacidades. Em linha com outros programas orientados para introduzir meios sobre rodas - como os VCBR 8×8 Stryker - o CAESAR continua a surgir como candidato para impulsionar a transformação da artilharia do EA.

O interesse do Exército Argentino por uma solução deste tipo não começou agora. Há vários anos que a força estuda alternativas para reforçar a sua artilharia autopropulsada, sobretudo depois da retirada dos AMX MK F3 e perante a necessidade de complementar os actuais VCA Palmaria de 155 mm. Nesse cenário, o CAESAR integra o leque de análise ao lado de outros modelos de referência internacional, alinhado com a meta de dotar unidades da Força de Deslocamento Rápido de meios mais ágeis, modernos e ajustados às exigências operacionais actuais.

Requisitos previstos: 72 veículos e a divisão por rodas e lagartas

De acordo com os projectos promovidos pelo Exército, o requisito global apontaria para a compra de 72 veículos de combate de artilharia. Deste total, 36 seriam sistemas sobre rodas e os outros 36 corresponderiam a plataformas sobre lagartas, tendo como referência, neste último segmento, o M109 norte-americano, em particular variantes modernizadas como a KAWEST. Em avaliações anteriores, um relatório de qualificação técnica posicionou o CAESAR atrás de um dos concorrentes; ainda assim, essa etapa não foi vinculativa nem determinante, até porque a força nunca chegou a realizar uma avaliação técnica integral do sistema.

KNDS CAESAR (Mk1 e Mk2): maturidade do sistema e capacidades

Entre as alternativas disponíveis, o CAESAR destaca-se por assentar numa plataforma madura, com anos de serviço e suporte operacional relevante. A KNDS disponibiliza actualmente as variantes Mk1 e Mk2, sendo esta a versão mais recente. Ambas utilizam um canhão de 155 mm e 52 calibres, com alcances superiores a 38 quilómetros, podendo atingir 55 quilómetros consoante a munição empregue. Contam ainda com uma cadência até seis disparos por minuto, soluções de carregamento automáticas e semi-automáticas, capacidade para transportar 18 projécteis completos e a aptidão para entrar e sair de posição em apenas 45 segundos.

Em particular, o CAESAR Mk2 introduz melhorias resultantes de lições recolhidas em conflitos recentes, com especial ênfase na guerra russo-ucraniana. Esta versão acrescenta uma cabina com blindagem reforçada, elevando de forma significativa a protecção da guarnição, além de evoluções na mobilidade e na integração dos sistemas de navegação e de controlo de tiro. Estas alterações aumentaram o seu peso de combate de 18 para 26,7 toneladas, o que traz uma consequência importante: a perda de compatibilidade com transporte aéreo em aviões de transporte táctico Lockheed C-130 Hércules.

Condicionantes orçamentais e outras opções consideradas

Apesar disso, qualquer decisão sobre a futura artilharia autopropulsada argentina dependerá da disponibilização de dotações orçamentais específicas que permitam avançar com o programa. Importa notar que, mesmo soluções que certos estudos consideraram mais ajustadas às necessidades do Exército - como o ATMOS israelita - acabaram por ficar para trás devido às limitações financeiras.

De forma semelhante, no final de 2024 também foram analisadas propostas de desenvolvimento local assentes na integração dos canhões dos AMX MK F3 em chassis de camiões IVECO 6×6. Contudo, essas iniciativas permanecem em fases preliminares de viabilidade e seguem uma lógica diferente, pelo que dificilmente se equiparam, em capacidades, nível de integração e maturidade tecnológica, a um sistema de nova fabricação como o CAESAR. Ainda assim, a exibição do sistema francês na Eurosatory 2026 volta a sublinhar que o Exército Argentino mantém activa a necessidade de modernizar a sua artilharia e que, apesar das dificuldades, as alternativas para concretizar esse objectivo continuam em cima da mesa.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário