A Jeep apresentou no Salão Automóvel de Paris de 2022 o Avenger, o primeiro modelo 100% elétrico da marca. Este lançamento assume um papel central na nova fase de eletrificação da Jeep na Europa, até porque o Avenger foi desenvolvido especificamente a pensar no público e nas necessidades do mercado europeu.
Com o Avenger, a Jeep dá também o pontapé de saída numa ofensiva elétrica que prevê a chegada de quatro modelos totalmente elétricos até 2025 - Avenger, Recon, Wagoneer S e um quarto modelo ainda por revelar - com a meta declarada de se tornar a marca líder mundial em SUV eletrificados.
A ambição é elevada, mas os resultados associados à eletrificação têm sido favoráveis à Jeep. E mesmo no seu mercado “doméstico”, os Estados Unidos da América - onde as exigências ambientais continuam a ser menos rigorosas do que na Europa e a adoção de soluções eletrificadas tem avançado (bem) mais devagar - a tendência é positiva: o Wrangler 4xe é o híbrido plug-in mais vendido no país.
Em paralelo, a Jeep pretende tornar-se 100% elétrica na Europa até 2030 e garante que, a partir de 2023, irá comercializar apenas modelos eletrificados em quase todos os mercados europeus.
São, por isso, anos de transformação numa marca norte-americana icónica, com raízes que recuam a 1941 e ao lendário Willys MB, um pequeno veículo militar encomendado pelo exército dos EUA para a Segunda Guerra Mundial.
Para perceber melhor o que a Jeep prepara para os próximos anos - em particular para a Europa - estivemos à conversa, no certame parisiense, com Antonella Bruno, responsável pela Jeep na Europa. Falámos de (quase) tudo: do novo Avenger ao Recon (uma espécie de Wrangler elétrico), passando pelo Wrangler e chegando até à carrinha de caixa aberta Gladiator.
Jeep Avenger, um Jeep feito para a Europa
Razão Automóvel (RA) - Temos mesmo de começar pelo Avenger. Dentro da gama Jeep, como é que este modelo se posiciona face ao já conhecido Renegade?
Antonella Bruno (AB) - O Avenger passa a ser a nova porta de entrada na marca Jeep e vai enquadrar-se no segmento B-SUV.
Mas, como sabes, dentro do B-SUV existem duas propostas: há os B-SUV mais “alongados”, com maiores dimensões exteriores e mais potência, onde o Renegade se posiciona; e há os B-SUV compactos, mais próximos de um compacto em termos de tamanho e de potência, e é aí que o Avenger vai atuar.
Por isso, podemos afirmar que o Avenger é uma proposta totalmente complementar ao Jeep Renegade.
RA - Então podemos dizer que o Jeep Avenger foi desenhado, pensado e desenvolvido para o mercado europeu?
AB - É exatamente isso. O Avenger é o primeiro Jeep pensado, desenhado, produzido e, naturalmente, lançado na Europa. Desde o início, o automóvel foi criado para responder às necessidades dos clientes europeus.
O ponto de viragem da Jeep na Europa com o Jeep Avenger
RA - Nesse caso, podemos assumir que o Avenger tem condições para vir a ser o Jeep mais vendido na Europa?
AB - Sim, vai ser, em 2024. O lançamento vai acontecer no início do segundo trimestre do próximo ano. Por isso, em 2024, no primeiro ano completo de presença no mercado, será o modelo mais vendido da Jeep.
É um modelo muito relevante para o continente europeu. Representa o ponto de viragem da Jeep na Europa.
O Avenger nasceu de raiz para ser um Jeep
RA - O Avenger tem mesmo “cara” de Jeep, apesar de partilhar tanto com outros modelos da Stellantis. Mesmo num grupo tão grande, a Jeep parece conseguir preservar sempre a identidade dos seus carros. Qual é a fórmula?
AB - A explicação é simples: este automóvel assenta na segunda geração da plataforma e-CMP e, desde o primeiro dia, foi pensado para ser um Jeep.
Houve trabalho específico na plataforma para garantir que a capacidade todo-o-terreno continuava a ser o elemento central do projeto. O carro foi elevado e apresenta ângulos (todo-o-terreno) fantásticos, tem a melhor altura ao solo face à concorrência e, pela primeira vez num modelo 4×2, inclui de série os sistemas Select Terrain e Hill Descent Control.
Esta evolução da plataforma permitiu à Jeep conservar a capacidade (fora de estrada).
A eletrificação torna a Jeep mais competente
RA - Encaram a eletrificação como uma oportunidade para melhorar as capacidades todo-o-terreno ou como um problema?
AB - Não, para a Jeep a eletrificação é uma oportunidade, porque melhora os nossos carros em termos de disponibilidade e também de desempenho fora de estrada.
Por isso, para a Jeep, a eletrificação não é um constrangimento: é uma oportunidade.
RA - A eletrificação está a atrair novos clientes para a Jeep ou os fãs mais puristas da marca continuam a comprar estes novos produtos?
AB - Estamos a alargar a nossa base de clientes e vamos ampliá-la ainda mais com o Avenger, porque com ele vamos chegar a clientes mais neutros em termos de género, digamos assim. Contamos com mais clientes femininos e mais jovens.
E, quando olhamos para o 4xe - que, como sabes, é o nosso novo 4×4 - também se verificou um aumento na percentagem de vendas. Temos conseguido manter o cliente Jeep tradicional e, ao mesmo tempo, conquistar novos clientes.
Quando experimentas um Wrangler 4xe e percebes do que ele é capaz, essa é a melhor resposta para eles (os fãs mais puristas ou tradicionais da Jeep). Como estava a dizer, a eletrificação torna a Jeep numa Jeep melhor.
O Wrangler vai continuar a ser o ícone
RA - Isso significa que o Recon 100% elétrico será o modelo mais todo-o-terreno da marca?
AB - Não vai substituir o Wrangler. O Wrangler vai continuar a ser sempre o nosso ícone, mas o Recon vai ocupar um espaço que existe abaixo, na nossa gama, no patamar inferior do segmento D-SUV eletrificado.
Vai atrair pessoas que procuram mesmo um automóvel mais “quadrado”, com prestações impressionantes em capacidade (fora de estrada) e com liberdade a céu aberto.
Já o Wagoneer S vai posicionar-se na zona mais alta do segmento D-SUV eletrificado e irá captar clientes mais requintados graças ao seu estilo muito elegante.
Quarto modelo? Continua em segredo
RA - O Jeep Wagoneer S vai ser um modelo de cinco ou sete lugares? E está previsto algum modelo de sete lugares no futuro? Isto porque a Jeep anunciou quatro novos modelos elétricos até 2025 e nós, para já, só conhecemos três (Avenger, Recon e Wagoneer S).
AB - O Wagoneer S terá apenas cinco lugares e não está previsto nenhum modelo com sete lugares. Quanto ao quarto modelo, será revelado mais tarde.
A Jeep Gladiator vai ter nova geração
RA - Em relação à carrinha de caixa aberta Jeep Gladiator, existe algum plano para a eletrificar?
AB - Não, neste momento não. Isso poderá acontecer na nova geração do modelo. Mas, neste momento, não. Na geração atual, não.
RA - Mas a nova geração da Jeep Gladiator já está a ser preparada?
AB - Ainda não posso revelar os planos para a nova Gladiator.
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