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Von der Leyen alerta: UE continuará vulnerável com petróleo e gás importados e pede eletrificação

Mulher de negócios numa sala com mapa e objetos de energia, vista para turbinas e avião no fundo.

Dependência de petróleo e gás deixa a União Europeia exposta

A presidente da Comissão Europeia afirmou esta terça-feira que a União Europeia (UE) “continuará vulnerável” enquanto se mantiver dependente de petróleo e gás importados, num contexto de crise energética associada à guerra no Médio Oriente, defendendo uma aceleração da eletrificação no continente.

Numa intervenção por vídeo na Conferência Europeia sobre Tecnologias Limpas, em Bruxelas, Ursula von der Leyen sublinhou o alcance global do conflito: “A situação no Médio Oriente está a causar um impacto em todo o mundo. Graças às medidas que tomámos nos últimos anos, estamos menos expostos do que antes, mas não estamos imunes”.

A líder do executivo comunitário reforçou a ideia central da mensagem: “Enquanto dependermos do petróleo e do gás, continuaremos vulneráveis”.

Eletrificação na UE e aumento de veículos elétricos

Com esse objetivo, Ursula von der Leyen defendeu que, “se queremos uma verdadeira independência, temos de acelerar a eletrificação” na UE. Assinalou ainda que “os consumidores já estão a agir”, referindo que as compras de veículos elétricos cresceram 51% desde o início da guerra no Médio Oriente.

Estreito de Ormuz e possíveis constrangimentos no abastecimento

Na segunda-feira, a Comissão Europeia admitiu a possibilidade de virem a existir “constrangimentos regionais de abastecimento” de petróleo caso o bloqueio no estreito de Ormuz se prolongue até junho, afetando sobretudo o combustível de aviação, e apontou a hipótese de medidas de poupança no espaço comunitário.

Em comunicado, a Direção-Geral da Energia do executivo comunitário esclareceu: “Embora atualmente não exista escassez de combustível na UE [União Europeia], poderão surgir constrangimentos regionais de abastecimento nas próximas semanas caso o bloqueio do fornecimento de petróleo através do Estreito de Ormuz não seja resolvido, sendo o combustível de aviação a principal preocupação”.

Segundo a nota, tornada pública após uma reunião do Grupo de Coordenação do Petróleo - que reuniu especialistas da Comissão Europeia, dos países da UE, da Agência Internacional da Energia, da NATO e representantes da indústria petrolífera -, os peritos “salientaram que, se a situação persistir, será necessário combinar qualquer libertação dessas reservas com medidas de poupança de combustível, para que as reservas de emergência possam ser geridas de forma mais eficiente e durante mais tempo”.

O encontro serviu para avaliar a segurança do abastecimento de petróleo na Europa e a articulação da resposta a nível da UE, numa fase em que o conflito no Médio Oriente se prolonga e envolve Estados Unidos, Israel e Irão. Foram igualmente analisadas “as perspetivas para a UE e a abordagem coordenada da União caso a situação se prolongue até junho”.

Também na segunda-feira, o diretor executivo da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, alertou que a ‘almofada’ proporcionada pelas reservas comerciais de petróleo acumuladas antes da guerra no Médio Oriente e do encerramento de Ormuz poderá desaparecer ao longo de semanas.

Quase três meses após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão e a resposta iraniana subsequente, já se observam efeitos na aviação, incluindo aumento de custos, impacto nas operações devido à subida dos preços da energia, perturbações nas rotas e riscos acrescidos para a logística global.

A legislação da UE obriga os Estados-membros a manter reservas estratégicas equivalentes a 90 dias de petróleo, cabendo a cada país decidir a proporção entre petróleo bruto e produtos refinados, incluindo querosene e combustível para a aviação.

A UE compra no exterior a maior parte do petróleo que consome, o que a deixa particularmente exposta a choques externos como a atual crise energética relacionada com o conflito que envolve Irão, Estados Unidos e Israel.

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