A oposição pronunciou-se sobre as suspeitas de peculato que envolvem o presidente da Junta de Freguesia de Vila do Conde, Isaac Braga. O PSD defende a realização de uma auditoria às contas e classifica como "estranho e inaceitável" o silêncio do presidente da Câmara e líder da concelhia socialista, Vítor Costa.
O CDS-PP considera curta "a quebra de confiança política" assumida pela Distrital do PS, enquanto o Chega entende que o caso reflecte uma "cultura instalada de falta de transparência".
"A suspeição é grave e o PS não pode estar a sacudir a água do capote", sustenta a líder do PSD, Luísa Maia, a propósito das suspeitas de utilização de milhares de euros do erário público em benefício próprio, denunciadas na sexta-feira pela RTP e noticiadas pelo JN.
Suspeitas de peculato na Junta de Freguesia de Vila do Conde
Em causa estão despesas e movimentações atribuídas a um período de ano e meio, alegadamente pagas com dinheiro da junta: são quase dez mil euros em tabaco, nove mil em restaurantes, 2500 euros no supermercado, roupas de marca, hotéis, perfumes, uma massagem, pagamentos ao DJ que animou o seu casamento, 115 mil euros de levantamentos indiscriminados, e ainda transferências avultadas por MB Way para a mulher e para o próprio.
A tesoureira, Sílvia Ferreira, afirma que desde outubro pede acesso às contas "sem sucesso". Há uma semana, na votação das contas, nove dos 12 socialistas optaram pela abstenção; as contas acabariam chumbadas pela coligação PSD/CDS-PP e pelo Chega.
"Retirar todas as consequências"
Luísa Maia rejeita que o PS se distancie do episódio e recorda que Vítor Costa escolheu Isaac Braga como candidato à junta por duas vezes, a mais recente em outubro de 2025, numa altura em que os alegados pagamentos "ilegais" já estariam a acontecer, pelo menos, desde abril de 2024.
A dirigente social-democrata diz que o PSD "exige uma auditoria ao exercício dos mandatos da Junta de Freguesia" e pede a Vítor Costa que "retire todas as consequências". Para Luísa Maia, não basta o PS demarcar-se e ter-se abstido na votação das contas.
CDS-PP e Chega apontam falta de fiscalização
"Impõe-se a assunção de responsabilidades políticas claras, tendo em conta que foi o PS quem sustentou politicamente este executivo", afirma o CDS-PP, que pretende ver o caso remetido para a Inspecção-Geral de Finanças e para as autoridades judiciais.
O Chega, por seu lado, alega que a omissão de documentos tem sido "habitual" por parte da maioria socialista, quer no executivo, quer na assembleia municipal, quer nas freguesias. Para a concelhia do partido, o processo de Isaac Braga vem apenas demonstrar que "não são devidamente fiscalizados".
Isaac Braga, recorde-se, assegurou ao JN que tudo não passa de "suspeitas infundadas". Garantiu que iria analisar os factos e explicar tudo..
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