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OMS classifica todos a bordo do MV Hondius como contactos de alto risco por 42 dias após surto de hantavírus em Tenerife

Tripulante em fato de proteção médica mede temperatura de passageiros de cruzeiro no convés junto ao mar.

OMS considera todos a bordo do MV Hondius como "contactos de alto risco"

A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou este sábado que todas as pessoas que seguem a bordo do navio de cruzeiro onde foi identificado um surto de hantavírus devem ser tratadas como "contactos de alto risco" e, por isso, acompanhadas durante 42 dias.

Numa troca de mensagens nas redes sociais, Maria Van Kerkhove, diretora de Prevenção e Preparação para Epidemias e Pandemias da OMS, esclareceu: "Classificamos todas as pessoas a bordo [do MV Hondius] como aquilo a que chamamos contactos de alto risco".

A responsável acrescentou ainda que "se recomenda o acompanhamento de todos os passageiros e membros da tripulação que desembarcarem em vigilância ativa e durante um período de 42 dias".

Chegada a Tenerife e calendário para voos de repatriação

Segundo Maria Van Kerkhove, o MV Hondius deverá alcançar a costa de Tenerife no domingo, entre as 5 horas e as 6 horas, transportando cerca de 150 pessoas, entre passageiros e tripulantes. Assim que saírem do navio, todos serão avaliados para despistar sintomas associados ao hantavírus.

A OMS indicou também que a intenção é realizar todos os voos de repatriação no domingo e na segunda-feira.

Isolamento de passageiros britânicos e procedimentos no Reino Unido

Entretanto, cerca de vinte cidadãos britânicos que estão no navio serão encaminhados no domingo para um hospital nas imediações de Liverpool, em Inglaterra, para um "período de isolamento", informou à AFP a direção do sistema público de saúde britânico.

De acordo com as autoridades, esse período deverá prolongar-se por 72 horas. No final, será decidido "se podem prosseguir o seu período de isolamento em casa ou noutro local"; contudo, caso algum passageiro adoeça, "será rapidamente transferido para outro estabelecimento".

Situação do surto, casos confirmados e resposta em curso

A OMS atualizou para seis o número de casos confirmados de hantavírus associados ao navio, no contexto de um surto em que foram registadas três mortes. Ainda assim, o diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afastou a hipótese de "uma nova covid", sublinhando que "o risco atual para a saúde pública mantém-se baixo".

Ghebreyesus deverá deslocar-se à ilha espanhola para acompanhar de perto a operação de evacuação do navio, em coordenação com as autoridades regionais e nacionais.

Por sua vez, a OMS adiantou hoje que, até à sexta-feira passada, tinham sido reportados oito casos relacionados com o surto. Destes, seis foram confirmados como infeções com a variante dos Andes do hantavírus - a única estirpe em que foi documentada a transmissão de pessoa para pessoa - e registaram-se também três mortes (duas confirmadas e uma provável).

Outros quatro doentes continuam internados, e as investigações mantêm-se em curso para apurar a origem exata do surto.

Um especialista da OMS e outro do Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças permanecem a bordo do navio de cruzeiro, prestando apoio a passageiros, tripulação e operadores durante a viagem.

A OMS recomenda igualmente que os países envolvidos neste evento mantenham os esforços de coordenação e de gestão de saúde pública, tanto a bordo dos meios de transporte como nos países onde existam casos e/ou contactos, ou para onde as pessoas irão regressar.

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