Apoio municipal e preços do “chic-nic”
O apoio de 75 mil euros concedido pela Câmara de Lisboa ao “chic-nic” - um piquenique que se realizou no domingo passado no Parque Eduardo VII para assinalar o Dia da Mãe - continua a provocar forte contestação nas redes sociais. No centro da polémica estão, sobretudo, os valores cobrados no evento, com experiências e cestos de piquenique a atingirem os 300 euros. Passada uma semana, a autarquia ainda não se pronunciou publicamente sobre o tema.
A discussão ganhou ainda mais força depois de se tornar público que o apoio municipal foi atribuído por ajuste direto. Desde então, têm surgido várias críticas online ao recurso a dinheiro público para uma iniciativa associada a um segmento premium, num período marcado por dificuldades económicas e pela crise na habitação.
Reações nas redes sociais e críticas às prioridades
Entre dezenas de publicações, multiplicam-se comentários sobre as prioridades da autarquia e sobre o contraste entre este financiamento e as dificuldades que associações e famílias dizem enfrentar para aceder a apoios públicos. Vários utilizadores questionam também o facto de um espaço público emblemático da cidade ter sido usado para uma iniciativa vista como inacessível para grande parte da população. “Piquenique para ricos comparticipado pela CML?”, escreveu uma utilizadora. Noutro comentário, falava-se num “evento só para ricos” promovido com recurso ao dinheiro dos contribuintes.
Houve ainda quem optasse pela ironia, propondo a realização de um “contra-piquenique popular” no mesmo local ou, em alternativa, de uma “sardinhada” aberta à população.
Críticas da Esquerda
A polémica passou também para o plano político, com PCP, PS, BE e Livre a criticarem as prioridades do Executivo liderado por Carlos Moedas, comparando este apoio com outras iniciativas culturais e cívicas levadas a cabo na cidade.
O “chic-nic” decorreu no Parque Eduardo VII com zonas reservadas, restauração, música ao vivo e experiências gastronómicas. Os promotores apresentaram-no como uma experiência premium ao ar livre para celebrar o Dia da Mãe, e a organização já reconheceu que pretende repetir a iniciativa.
Pedido de esclarecimentos à Câmara de Lisboa
O JN contactou a Câmara de Lisboa para pedir explicações sobre os critérios que sustentaram a atribuição do apoio financeiro e para recolher uma reação à polémica. Contudo, apesar da dimensão entretanto alcançada pelo caso, não recebeu resposta em tempo útil.
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