Um grupo composto por quatro mulheres australianas e nove crianças, com ligações ao Estado Islâmico (EI) e mantido durante vários anos em acampamentos na Síria, segue agora para a Austrália. À chegada, alguns dos adultos poderão vir a ser detidos por suspeitas de crimes associados ao terrorismo.
Viagem a partir do campo de Al Roj, na Síria
Segundo noticiou a cadeia pública australiana ABC, o grupo saiu recentemente do campo de Al Roj, localizado no nordeste da Síria. A deslocação prosseguiu com viagem de Damasco para Doha (Catar), antes de embarcarem em voos com destino a Melbourne e Sidney.
O que dizem as mulheres e o que afirma o Governo australiano
Algumas das mulheres terão viajado anos antes para a Síria com os maridos, que entretanto se juntaram às fileiras de combatentes do Estado Islâmico. Em declarações à ABC, disseram querer "voltar a casa" e assegurar a proteção dos filhos, depois de terem vivido "um inferno" nos campos sírios. "Só queremos que os nossos filhos estejam seguros", afirmou uma delas.
Entretanto, o Governo australiano confirmou que o grupo pretende regressar, mas fez questão de sublinhar que não promoveu nem financiou o retorno. Na quarta-feira, o ministro do Interior, Tony Burke, indicou que "uma parte será detida", advertindo que algumas mulheres poderão ser alvo de acusações de terrorismo, escravatura ou outros crimes contra a humanidade.
Atuação policial, acompanhamento dos menores e debate na Austrália
A comissária da Polícia Federal Australiana, Krissy Barrett, frisou que qualquer cidadão que tenha praticado crimes terá de responder em tribunal. Quanto aos menores, deverão ser integrados em programas de prevenção do extremismo e acompanhados por serviços sociais e pelas autoridades policiais.
O processo volta a agitar a discussão na Austrália sobre o regresso de familiares de combatentes estrangeiros do EI, sobretudo depois do ataque à comunidade judaica em Sidney, em dezembro, que Camberra atribuiu à influência ideológica do grupo extremista islâmico.
A Austrália já repatriou, no passado, vários menores órfãos e também outros grupos de mulheres e crianças provenientes da Síria. Ainda assim, dezenas de cidadãos continuam retidos em campos sob controlo de forças curdas desde a perda do território do EI, em 2019.
Especialistas e organizações humanitárias têm alertado que manter cidadãos nesses campos por tempo indefinido eleva o risco de radicalização e contraria obrigações internacionais relativas à proteção consular e aos direitos humanos.
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