Trump volta a insinuar intervenção militar dos EUA em Cuba
O Presidente Donald Trump e o chefe da diplomacia norte-americana voltaram, na quinta-feira, a evocar a possibilidade de uma intervenção militar dos EUA em Cuba - uma ameaça que ganha novo relevo depois de Washington ter anunciado acusações criminais contra Raúl Castro.
Questionado sobre Cuba durante um evento na Sala Oval, Trump disse aos jornalistas: "Outros presidentes têm vindo a analisar esta questão há 50, 60 anos, pensando em fazer alguma coisa".
De seguida, o Presidente dos Estados Unidos acrescentou: "E parece que serei eu a fazê-lo. Por isso, ficaria feliz por fazê-lo".
Marco Rubio e a opção por uma via negociada com Cuba
Noutro evento, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou aos jornalistas que Cuba tem representado, há anos, uma ameaça à segurança nacional, apontando as ligações da ilha a adversários dos Estados Unidos e sublinhando que Donald Trump está determinado a enfrentar o problema.
Rubio referiu ainda que os EUA preferem chegar a um entendimento negociado com Cuba, embora tenha manifestado dúvidas de que seja possível obter uma solução diplomática com o atual Governo cubano.
Em Miami, antes de embarcar num avião para participar numa reunião da NATO na Suécia e, posteriormente, visitar a Índia, Rubio declarou: "A preferência de Trump é sempre um acordo negociado que seja pacífico. Essa é sempre a nossa preferência. Continua a ser a nossa preferência em relação a Cuba".
Ainda assim, o secretário de Estado admitiu: "Estou apenas a ser sincero, sabem, a probabilidade de isso acontecer, tendo em conta com quem estamos a lidar neste momento, não é grande".
Nos últimos meses, vários assessores de topo de Trump - entre os quais Rubio, o diretor da CIA, John Ratcliffe, e outros altos responsáveis pela segurança dos EUA - reuniram-se com autoridades cubanas para avaliar possíveis melhorias nas relações bilaterais. Contudo, a parte norte-americana saiu pouco convencida dessas conversações, o que, na semana passada, levou à imposição de mais sanções ao Governo cubano.
Rubio afirmou que, ao longo do tempo, Cuba habituou-se a "ganhar tempo e a esperar que desistamos". E acrescentou: "Não vão conseguir que desistamos nem vão ganhar tempo. Estamos muito empenhados, estamos muito concentrados".
Confrontado com a possibilidade de os Estados Unidos recorrerem à força em Cuba para alterar o sistema político da ilha, Rubio voltou a insistir que Washington privilegia a solução diplomática, mas frisou que "o presidente tem sempre a opção de fazer o que for preciso para apoiar e proteger o interesse nacional".
Acusações dos EUA contra Raúl Castro e reação de Díaz-Canel
Estas novas declarações surgem depois de os EUA terem anunciado, na quarta-feira, acusações contra o antigo presidente cubano, irmão de Fidel, Raul Castro, que faz 95 anos em junho.
Procuradores federais tornaram pública uma acusação que atribui a Castro a ordem para o abate, em 1996, de aviões civis pilotados por exilados sediados em Miami. As acusações - apresentadas em segredo por um grande júri em abril - incluem homicídio e destruição de um avião.
O Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, criticou a acusação, considerando-a uma manobra política destinada a "justificar a loucura de uma agressão militar contra Cuba".
A acusação contra Castro indica que a Administração Trump poderá estar a seguir um guião semelhante ao usado na captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro, numa operação militar no início de janeiro. Maduro, detido nos EUA desde essa captura, enfrenta acusações federais de tráfico de droga e declarou-se inocente.
Porta-aviões USS Nimitz no mar das Caraíbas
No mesmo dia em que foram anunciadas as acusações contra Castro, as Forças Armadas dos EUA comunicaram a chegada do porta-aviões USS Nimitz e dos navios que o acompanham ao mar das Caraíbas.
O Comando Sul dos EUA indicou que estes navios estão envolvidos em exercícios marítimos com parceiros da América Latina, iniciados em março.
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