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Negociações Japão–Indonésia sobre contratorpedeiros da classe Asagiri
Depois do recente abrandamento das regras japonesas para a exportação de equipamento de defesa, o Japão e a Indonésia deram início a conversações com vista a uma possível transferência de contratorpedeiros da classe Asagiri, actualmente ao serviço da Força Marítima de Autodefesa do Japão (JMSDF). A informação foi divulgada pelo Ministério da Defesa japonês na sequência de um encontro em Tóquio entre o ministro japonês da Defesa, Shinjiro Koizumi, e o seu homólogo indonésio, Sjafrie Sjamsoeddin.
De acordo com o Ministério da Defesa do Japão, o ministro indonésio demonstrou vontade de aprofundar a cooperação bilateral em matéria de equipamento e tecnologia de defesa, referindo explicitamente a transferência de contratorpedeiros da classe Asagiri. Na sequência da reunião, os dois lados aceitaram avançar para conversas formais através de um grupo de trabalho, que irá tratar temas ligados a formação, manutenção, reparação e também questões operacionais associadas a uma eventual integração destes navios na Marinha da Indonésia.
Grupo de trabalho e enquadramento das normas de exportação
Esta evolução surge poucas semanas depois de Japão e Indonésia terem acordado, em maio de 2026, a criação de um grupo de trabalho destinado a reforçar a cooperação bilateral em defesa e tecnologia militar. Ainda assim, responsáveis japoneses sublinharam que o arranque destas conversações não representa uma decisão final sobre a transferência, apesar de constituir a primeira negociação formal visando a eventual exportação de contratorpedeiros japoneses para a Indonésia.
O avanço das negociações coincide com a retirada progressiva da classe Asagiri do serviço activo na Força Marítima de Autodefesa. Comissionados entre o final da década de 1980 e o início da década de 1990, estes navios serviram como pilar da força de escolta multifuncional da Marinha Imperial Japonesa durante mais de três décadas. O navio líder da classe, o JS Asagiri, foi desactivado a 23 de março de 2026, após 38 anos de serviço operacional e de treino.
Capacidades e configuração dos contratorpedeiros da classe Asagiri
Constituída por oito navios, a classe Asagiri foi concebida para missões de guerra anti-submarina, guerra anti-superfície e defesa aérea. Os contratorpedeiros medem 137 metros de comprimento, deslocam até 5.200 toneladas a plena carga e atingem uma velocidade máxima de quase 30 nós, graças a um sistema de propulsão COGAG assente em quatro turbinas a gás. Operam com uma guarnição de cerca de 220 militares e dispõem de convés de voo e hangar para operar um helicóptero anti-submarino SH-60J/K Seahawk.
No que toca ao armamento, estas plataformas integram um canhão OTO Melara de 76 mm, mísseis anti-navio Harpoon, mísseis antiaéreos Sea Sparrow, um sistema de guerra anti-submarina ASROC, tubos lança-torpedos e sistemas de defesa de ponto Phalanx. A tudo isto juntam-se vários radares de vigilância aérea e de superfície, além de sensores de sonar montados no casco e rebocados, o que lhes permite actuar como escoltas de uso geral em operações navais de elevada complexidade.
Contexto regional no Sudeste Asiático e outras conversações
A abertura de conversações com a Indonésia representa mais um passo na estratégia japonesa de cooperação militar com países do Sudeste Asiático. Até aqui, uma parte significativa das atenções estava centrada nas Filipinas, com quem Tóquio criou outro grupo de trabalho para avaliar a transferência de contratorpedeiros da classe Abukuma já desactivados. Para além disso, em 2025 surgiram relatos sobre um possível interesse filipino nos próprios contratorpedeiros da classe Asagiri, sinalizando a crescente atracção destas embarcações junto de marinhas da região que procuram reforçar as suas capacidades navais através da incorporação de navios que ainda podem oferecer um potencial operacional relevante.
Imagens usadas para fins ilustrativos.
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