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Aquisição em avaliação: quatro CP-140M Aurora para a Marinha do Chile
Como forma de ampliar de maneira significativa as suas capacidades de patrulha e reconhecimento marítimo, a Marinha do Chile está a avaliar a aquisição de quatro aeronaves de patrulha marítima CP-140M Aurora disponibilizadas pelo Canadá. A proposta prevê a entrega de duas aeronaves a curto prazo, enquanto outras duas permanecem no Canadá a concluir processos de modernização. Caso o negócio avance, a força passaria a reforçar de forma substancial a vigilância e a patrulha marítima de longo alcance, em complemento à frota actual do Comando de Aviação Naval, que opera aeronaves Lockheed P-3ACH Orion.
A oferta canadiana surge num momento em que o Canadá está a renovar as suas capacidades de patrulha marítima. O país prossegue a substituição da frota de CP-140 Aurora através da compra de 14 novos Boeing P-8A Poseidon ao abrigo do programa Canadian Multi-Mission Aircraft (CMMA). A produção do primeiro aparelho já começou na Boeing e as entregas deverão iniciar-se em 2026, permitindo a retirada progressiva de uma frota em serviço há mais de quatro décadas.
Capacidades e perfil operacional do CP-140 Aurora
Para a Marinha do Chile, a possível entrada ao serviço do CP-140M representaria um ganho imediato na vigilância marítima em áreas extensas do Pacífico Sul e do Oceano Austral. Assente na plataforma do P-3 Orion, mas equipado com sistemas derivados do S-3 Viking, este modelo foi alvo de sucessivos programas de modernização, integrando radares avançados de vigilância marítima, sensores electro-ópticos, sistemas acústicos para guerra anti-submarina, equipamentos de comunicações e modernos sistemas de gestão de missão.
Com este conjunto de capacidades, o CP-140 Aurora pode executar um leque amplo de missões, incluindo guerra anti-submarina e anti-superfície, inteligência, vigilância e reconhecimento, patrulha da zona económica exclusiva, coordenação de operações navais e missões de busca e salvamento. Acresce que o seu alcance aproximado de 9.300 quilómetros, autonomia superior a oito horas e velocidade máxima de quase 694 quilómetros por hora tornam-no especialmente indicado para operar sobre grandes extensões oceânicas e apoiar acções longe da costa continental.
Cooperação com a indústria canadiana e impacto na frota P-3ACH Orion
A potencial aquisição assenta também numa relação de cooperação de longa data entre a Marinha do Chile e a indústria aeroespacial canadiana. Em particular, a IMP Aerospace & Defence foi responsável pelo programa de modernização “Albatros IV” da frota chilena de P-3ACH Orion, que contemplou a substituição de asas e estabilizadores, melhorias nos motores e a incorporação de aviónica digital de nova geração. Estas alterações prolongaram a vida útil das aeronaves em cerca de 15.000 horas de voo adicionais, o que equivale a aproximadamente vinte anos de serviço operacional.
Presentemente, o P-3ACH Orion mantém um papel central nas missões de vigilância marítima da Marinha do Chile. Estas aeronaves são empregues com regularidade em operações de monitorização e fiscalização dirigidas a frotas de pesca estrangeiras no Pacífico, actuando em conjunto com aeronaves P-68 Observer II para cobrir uma vasta área marítima e proteger a Zona Económica Exclusiva do Chile. Neste enquadramento, a integração do CP-140 Aurora aumentaria de forma relevante a disponibilidade de meios de patrulha marítima e reforçaria a capacidade da Marinha para sustentar vigilância persistente sobre um dos domínios marítimos mais extensos e estrategicamente importantes da América do Sul.
Imagens utilizadas apenas para fins ilustrativos.
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