Saltar para o conteúdo

Terras de Bouro vai reabilitar casas florestais no PNPG com investimento de 1,7 milhões de euros

Dois arquitetos à frente de casa de pedra nas montanhas, um segura plantas e o outro aponta para o horizonte.

Está previsto um investimento de 1,7 milhões de euros para dar nova vida a várias casas florestais no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), colocando estes edifícios ao serviço do turismo, da cultura e da proteção civil. A estratégia passa por criar centros interpretativos e estruturas de apoio, recuperando património atualmente degradado.

A Câmara Municipal de Terras de Bouro vai avançar com candidaturas a fundos comunitários para reabilitar algumas das casas florestais existentes no PNPG, num montante global estimado em cerca de 1,7 milhões de euros. O objetivo é requalificar os imóveis, preservando-os e adaptando-os a novas utilizações que beneficiem a comunidade, reforcem a oferta turística e contribuam para a conservação da natureza.

Em declarações ao JN, o presidente da autarquia, Manuel Tibo, indicou que os projetos definidos para estas intervenções preveem manter as fachadas e respeitar o património construído, assegurando ao mesmo tempo a adaptação interior a várias funções. Entre as valências apontadas estão centros interpretativos temáticos e espaços de apoio a caminheiros, peregrinos, associações locais e entidades da proteção civil.

Casas florestais prioritárias no PNPG

Entre as intervenções consideradas prioritárias, e que irão avançar com candidaturas ao Portugal 2030, está a casa florestal da Ermida, em Vilar da Veiga. A Câmara pretende instalar ali um centro interpretativo dedicado à cabra montês, espécie emblemática do PNPG e também símbolo do brasão municipal. Como sublinhou Manuel Tibo: "O projeto da cabra montês é muito importante, porque é um dos maiores símbolos de Terras de Bouro e está intimamente ligado ao seu habitat natural, em pleno Parque Nacional".

Este edifício deverá igualmente funcionar como apoio a sapadores florestais, vigilantes da natureza e restantes agentes da proteção civil, criando melhores condições para vigilância, prevenção e conservação da natureza.

A casa florestal da Pedra Bela, devido à sua localização privilegiada, será transformada num centro interpretativo da Vezeira, tradição ancestral associada à pastorícia de montanha. Já a casa florestal de Leonte deverá receber uma exposição permanente dedicada à água e disponibilizar informação sobre turismo de bem-estar e termal, em articulação com o plano da Reserva Mundial da Biosfera.

Protocolo com ICNF

Relativamente a estes três edifícios, Manuel Tibo destacou que os projetos de arquitetura já estão concluídos e que foram assinados os protocolos entre a Câmara Municipal e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) para a cedência dos espaços.

Numa fase posterior, dependente da disponibilidade financeira e de eventuais novas oportunidades de financiamento, o município quer avançar com a recuperação de outras casas florestais, para as quais já existem ideias definidas sobre as futuras funções.

Novas utilizações para outros edifícios

Segundo o autarca, a casa da Junceda poderá vir a operar como albergue de apoio aos caminheiros do trilho GR50 e como ponto de informação sobre o trilho da Silha dos Ursos. A casa da Costa Grande, perto do santuário de São Bento da Porta Aberta, está pensada para acolhimento e repouso de peregrinos dos Caminhos de São Bento.

Quanto à casa do Beiral, em Rio Caldo, a intenção do município é que passe a ser sede de coletividades locais. Para a casa da Portela do Homem, está previsto um centro interpretativo dedicado ao PNPG.

Saber mais

Respostas concretas
Manuel Tibo, presidente da Câmara Municipal de Terras de Bouro, explica que "esta estratégia permite recuperar património, criar novas centralidades e dar respostas concretas às necessidades de quem visita o Parque Naciona".

Modelo de cogestão
O modelo de cogestão em vigor no PNPG abriu a possibilidade de os municípios utilizarem as casas florestais, que pertencem ao ICNF, desde que seja assegurada a reabilitação do edificado.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário