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Jorginho, do Maia Lidador, eleito melhor jogador da Liga Pro da A. F. Porto

Jovem jogador de futebol com troféu na mão direita e bola na esquerda, no relvado de um estádio vazio.

O extremo Jorginho, de 27 anos, tornou-se uma das grandes figuras do Maia Lidador e foi distinguido como o melhor jogador da Liga Pro da A. F. Porto. A época da competição chega ao fim este domingo, depois de meses marcados por emoção e por vários nomes em destaque.

Jorginho no Maia Lidador: o destaque da Liga Pro da A. F. Porto

A escolha do melhor jogador da prova foi feita pelos treinadores, num processo ligado a uma iniciativa do JN: Jorginho recolheu cinco de 18 votos e acabou por se impor numa lista com vários candidatos.

O prémio confirma um percurso de reencontro com o futebol, já depois de ter dado nas vistas na formação do F. C. Porto, onde dividiu balneário com Diogo Costa, Diogo Dalot, Vitinha, João Félix, entre outros.

"Tive a sorte de privar com essa geração e foi o tempo em que mais aprendi a nível futebolístico, tanto tático como técnico. Trabalhávamos aspetos que não se trabalham no profissional. Estamos a falar de uma das melhores formações a nível nacional e mundial", disse o jogador ao JN.

Nesse período, viveu um dos momentos mais marcantes na UEFA Youth League, ao atingir uma meia-final frente ao Chelsea, perdida nas grandes penalidades. Apesar desse percurso, Jorginho não integrou o grupo que, na época seguinte (2018/19), viria a conquistar o troféu europeu. Quando olha para o que ficou por cumprir, reage com um sorriso contido e sublinha que o essencial foi "crescer com isso" e "aprender com as injustiças" desde cedo.

Seleção no Jamor e um travão inesperado

Ainda durante a fase de formação, o avançado teve o "orgulho" de envergar a camisola da seleção portuguesa no Jamor, nos sub-17 e nos sub-19. No entanto, o período teve um lado amargo: "Foi marcada pelos melhores e piores motivos. Uma chamada à seleção é sempre boa, mas tive uma lesão grave no pé direito que talvez me tenha impedido de dar continuidade. Nunca se vai saber".

Aventura na Letónia

A transição para sénior aconteceu no Cinfães, no Campeonato de Portugal, num contexto bem diferente daquele a que estava habituado. Entre condições e organização, admite que a mudança "foi um choque".

A seguir, surgiu a oportunidade de rumar à Letónia, por intermédio de um investidor suíço, conhecido do pai, que pretendia levar o Valmiera às competições europeias. "Nem olhei para trás, disse logo que sim. Nesse meio ano conseguimos ir à Liga Europa. Joguei contra o Lech Poznan, do Pedro Tiba. Ele deu-me palavras de apoio e disse-me para não desistir. É a prova viva disso. Foi uma experiência única. Apesar de ser na altura do covid, sem adeptos, deu para sentir o nível dessas ligas".

Já no Báltico, cruzou-se também com Ndoye, que mais tarde se destacaria como um dos heróis da Taça da Liga do Vitória de Guimarães. "Estava tapado pelo Tolu, que está no Wolverampthon e, nessa altura, teve menos minutos. Mas quando o Tolu saiu, acabou por se afirmar e fez golos no Valmiera. Depois foi para a Suíça e o Vitória de Guimarães acabou por ir buscá-lo... Acho que correu bem", contou.

Novo ciclo no distrital

Pelo meio, o trajeto incluiu ainda passagens por Covilhã (Liga 2), Amora (Liga 3), Canelas (Liga 3) e Régua (Campeonato de Portugal), antes de chegar ao distrital da A. F. Porto.

O jogador assume que nem sempre lidou da melhor forma com aquilo que exigia a carreira, apontando a "pressão" autoimposta e alguma falta de maturidade como obstáculos. "Como todos os jogadores, gostámos de jogar e há questões que não nos agradam tanto. A forma como se lida, de um modo não tão profissional, foi o que me fez estar aqui. Mas não desvalorizo, não é motivo de falta de orgulho", afirmou, num contexto em que representa o Maia Lidador, atual segundo classificado da Liga Pro da A. F. Porto.

Números da época e maturidade fora de campo

Neste regresso em alta, soma 32 jogos, 13 golos e nove assistências - números que fazem desta a melhor época da sua carreira.

A nível pessoal, destaca o papel da namorada, com quem vai casar em junho, como peça decisiva neste processo. "Consegui crescer muito nestes últimos tempos, também devido à pessoa que tenho ao meu lado. Foi muito importante para mim. Atingir esse nível de maturidade e focar-me em divertir-me acho que foi o segredo", explicou.

O foco, garante, está no dia a dia e em continuar a evoluir. "Graças a Deus consigo fazer disto um trabalho. O objetivo é tentar progredir. Se puder que seja a subir, no Maia ou noutro clube. Faço isto desde os cinco anos e agora é o momento que estou a desfrutar mais. E julgo que se nota em campo", finalizou.

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