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Seguro pede aceleração de apoios e mais coordenação após mau tempo

Equipa de emergência a planear estratégias numa zona residencial afetada por desastre natural ao pôr do sol.

O Presidente da República considera que os efeitos do mau tempo que atingiu o país no começo do ano obrigam a que "se acelerem apoios, se clarifiquem medidas" e a que haja melhor articulação entre as entidades no terreno.

Presidência Aberta na Zona Centro: "para muitas famílias, empresas e comunidades, esta crise ainda não terminou"

No relatório da Presidência Aberta na Zona Centro do país, realizada por António José Seguro entre 6 e 10 de abril nas áreas atingidas pelas tempestades - divulgado este sábado pelo jornal "Público" e a que a agência Lusa teve acesso -, o chefe de Estado adverte, logo na introdução, que "para muitas famílias, empresas e comunidades, esta crise ainda não terminou".

"As consequências desta crise persistem e continuarão a persistir ao longo do tempo. E também por isso deve continuar a vigilância sobre os apoios, sobre a reconstrução e sobre a capacidade do país, e em particular do Estado, para retirar deste episódio as conclusões e as lições necessárias", lê-se.

Seguro sustenta que, durante a semana em que esteve no terreno a escutar populações, autarcas, agentes económicos e muitos outros, "tornou-se claro que o problema não se esgota no momento da destruição inicial".

Apoios, medidas e respostas: acelerar, clarificar e adequar ao terreno

"O que aconteceu exige mais do que a reparação dos danos. Exige que se acelerem apoios, que se clarifiquem medidas, que se adequem respostas a realidades muito concretas, que se melhore a coordenação entre entidades, que se reforcem as infraestruturas críticas e que se corrijam vulnerabilidades acumuladas", defendeu.

Num documento com quase cem páginas, que reúne conclusões, prioridades e lições estratégicas para o futuro, António José Seguro argumenta que "a capacidade de improvisação, sendo valiosa, tem de ser acompanhada por melhor organização, melhor planeamento, maior preparação institucional e uma cultura mais sólida de responsabilidade e autoproteção".

"As preocupações identificadas ao longo da Presidência Aberta são claras: a lentidão de alguns apoios, a persistência de situações por resolver, a necessidade de reforçar a redundância das telecomunicações, do fornecimento de energia, das acessibilidades e da comunicação em emergência, e a urgência de garantir que o território entra nos meses de maior risco em condições mais seguras do que aquelas em que saiu do inverno", é referido no texto.

O chefe de Estado apresenta o relatório como "um instrumento de trabalho", destinado a "compreender o que correu bem, o que correu mal, o que permanece por resolver e o que deve mudar".

"Não basta responder à emergência. É necessário preparar melhor o futuro, com mais coordenação, mais prevenção e maior responsabilidade partilhada. E, sobretudo, porque não podemos permitir que esta experiência se encerre sem mudança", acrescenta.

Governação e coordenação: falhas de comando, aviso e comunicação

No capítulo sobre governação e coordenação, o relatório - com a chancela da Casa Civil da Presidência da República - alerta que os fenómenos extremos registados no início do ano "não testaram apenas infraestruturas, empresas ou habitações".

"Testaram, de forma particularmente exigente, a capacidade do Estado para coordenar, decidir, comunicar e agir num contexto de crise territorial multissetorial", assinala.

Nesta matéria, o documento identifica "fragilidades no aviso, na comunicação, no comando e na coordenação, bem como insuficiente clareza de papéis", sublinhando que a resposta local foi o ponto mais positivo. "Vários responsáveis locais sublinharam a falta de interlocutores claros", é indicado.

Quanto ao executivo central, refere-se que "a crítica principal não foi a ausência, mas a dificuldade em tornar clara a inter-relação entre medidas, critérios, calendários e responsabilidades".

"A principal dificuldade da articulação institucional terá residido, portanto, na insuficiente clareza e estabilização de papéis e procedimentos. A resposta existiu, mas assentou muito na capacidade local de adaptação e em articulações construídas em contexto de urgência", conclui o relatório.

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