Preços diferentes para o mesmo jogo no PS Store
Utilizadores da PlayStation repararam que, no PS Store, o preço do mesmo jogo pode não ser igual para toda a gente. A descoberta gerou debate sobre a eventual aplicação de preços personalizados ou de uma estratégia de preços segmentados. A Sony, por sua vez, não esclareceu de que forma este sistema funciona.
O que dizem as directivas da UE
Perante as dúvidas, o meio dinamarquês Arkaden procurou a opinião de especialistas em direito. Segundo a leitura destes peritos, a falta de transparência por parte da Sony pode entrar em conflito com a Directiva 2011/83/UE. De acordo com essa norma, quando são aplicados preços personalizados, o utilizador deve ser informado de forma clara de que está a ver um preço ajustado.
Os especialistas também apontam a Directiva 2005/29/UE, relativa a práticas comerciais desleais. Se uma empresa omitir informação relevante que possa influenciar a decisão de compra, isso pode ser interpretado como uma prática enganosa.
Personalização ou segmentação: onde está o problema
A situação não é linear. A Sony poderá defender que não se trata de personalização, mas sim de testes de preços ou de uma separação dos utilizadores por grupos. Ainda assim, mesmo nesse cenário, o jogador deveria conseguir perceber por que motivo lhe é apresentado determinado valor e se esse valor difere do que é mostrado a outros utilizadores.
O professor Jan Trzaskowski, da Universidade de Aalborg, resumiu o ponto central de forma simples: o cliente acaba por receber um preço com base em quem é ou em que grupo foi colocado. Para ele, é irrelevante se isso resulta de acompanhamento do comportamento do utilizador ou de segmentação.
Por outro lado, o uso de ofertas personalizadas, por si só, não é proibido. A crítica principal dirigida à Sony prende-se com a ausência de uma explicação clara sobre o que está a acontecer.
Se o tema chegar aos tribunais, o processo poderá tornar-se um dos primeiros testes de peso às regras mais recentes aplicadas à indústria dos videojogos. O impacto financeiro para a Sony pode ser limitado, mas o risco reputacional parece bem mais significativo.
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