Entre 1978 e 1984, o Lancia Gamma assumiu o papel de «porta-estandarte» da marca italiana. Quarenta e dois anos após ter saído de cena, o nome Gamma prepara-se para voltar - desta vez com um desafio ainda mais exigente.
Há cerca de quatro décadas, o Gamma liderava uma gama completa de uma marca que tinha na competição a sua grande montra. Agora, regressa para ocupar o lugar cimeiro de uma Lancia em fase de relançamento e que, por enquanto, conta apenas com mais um modelo: o Ypsilon.
Um topo de gama num relançamento sob tutela da FIAT
O aparecimento do Lancia Gamma coincide também com um período em que a marca italiana viu o plano FaSTLAne 2030 reduzir-lhe (ainda mais) o peso dentro do grupo. A Lancia passa a ser tratada como uma marca especializada e deixa de ter gestão independente, voltando à tutela da FIAT. Com esta reorganização pretende-se maximizar sinergias, partilhar equipas e cortar duplicações.
Ar de família
É no meio desta mudança profunda que o Gamma se mostra pela primeira vez de forma mais clara, depois de já termos tido contacto com imagens de teste camufladas e com algumas antevisões.
Plataforma STLA Medium e dimensões
Fabricado em Melfi, Itália, lado a lado com os «primos» DS Nº8, DS Nº7 e Jeep Compass, o novo Lancia Gamma recorre à mesma base STLA Medium destes modelos. Ainda assim, a sua silhueta de SUV com inspiração coupé aproxima-se mais da de outro familiar, o Peugeot 3008. Em medidas, o Gamma cresce um pouco em todas as direções: 4,67 m de comprimento, 1,89 m de largura e 1,66 m de altura.
No capítulo estético, o Lancia Gamma segue de perto a linguagem apresentada pelo protótipo Pu+Ra HPE, com o tema do “cálice” reinterpretado como assinatura luminosa. À frente, uma faixa LED muito fina atravessa toda a largura e prolonga-se sobre o capô, enquanto um elemento vertical ao centro acentua a identidade do modelo. Atrás, o mesmo conceito regressa, com iluminação em LED a sublinhar a simetria do conjunto.
Mas o trabalho da equipa de desenho não se ficou pela imagem: o Gamma evidencia um cuidado aerodinâmico particular. Na dianteira, dispõe de entradas de ar ativas, que só abrem quando necessário para a gestão térmica. De perfil, surgem os «controversos» puxadores dianteiros retráteis, ao passo que os traseiros aparecem integrados na carroçaria.
Quanto ao habitáculo - e tendo em conta a única imagem disponível - a Lancia parece ter apostado em revestimentos em pele e numa abordagem minimalista, com os ecrãs em lugar de destaque. Ainda assim, é possível notar a presença de alguns comandos físicos na consola central.
Gamma eletrificado
No que toca a motorizações, a Lancia confirmou para o Gamma uma versão híbrida ligeira de 145 cv, com capacidade para superar os 1000 km de autonomia combinada, além de três opções 100% elétricas: uma de entrada com 230 cv e 540 km de autonomia; uma intermédia de 245 cv com mais de 740 km anunciados; e uma variante de tração integral com 375 cv e cerca de 675 km de autonomia. São valores alinhados com os «primos» equivalentes da Stellantis, uma vez que recorrem às mesmas cadeias cinemáticas.
Para já, não foram divulgadas informações adicionais, nem sobre preços nem sobre a data de lançamento do Gamma, o novo topo de gama da Lancia.
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