Ivkovic, antigo guarda-redes croata, antevê o embate com Portugal nos 16 avos como um jogo capaz de “mudar o estado anímico” de qualquer uma das seleções.
Ivkovic e a ligação a Portugal
Aos 65 anos, Ivkovic continua a ser recordado como um dos grandes nomes croatas que passaram pelo futebol português, com destaque para o período em que se exibiu na baliza do Sporting. Nessa altura, era também o titular de referência da Jugoslávia e marcou presença no Mundial de 1990. Já pela Croácia, não chegou a conquistar o estatuto de internacional, por ter vivido a fase em que o país integrava a nação unificada liderada por Josip Broz Tito.
Entre 1989 e 1998, além dos leões, representou ainda Belenenses, Estoril, V. Setúbal e Estrela da Amadora.
Um Portugal-Croácia demasiado cedo e o impacto das 48 equipas
Em Rijeka, recebeu com desalento a confirmação de um Portugal-Croácia numa fase a eliminar tão prematura, apontando sobretudo o dedo ao formato da competição. “Tenho muita pena que aconteça este jogo nesta altura. São duas equipas de grande qualidade que mereciam ver-se ou medir-se mais à frente. Mas é uma consequência da organização desta prova, da realidade de termos 48 equipas. Mudou tudo e vemos jogos banais e outros de grande cartaz, como o Portugal-Croácia ou o Marrocos-Países Baixos”, explana Ivkovic.
Para o antigo guardião, trata-se de um encontro com um peso “manifestamente imprevisível”.
Forma física, estado anímico e o caminho até Espanha
Na leitura que faz do momento atual das duas equipas, Ivkovic não vê nenhuma a apresentar um nível totalmente condizente com um Mundial, justificando-o com o desgaste acumulado. “Não vejo nenhuma das equipas a viver um momento de forma compatível com um Mundial. Mas também é normal, porque são muitos jogadores que vieram de ligas longas na Europa, de muitas decisões. Estão numa forma discutível. Mas acredito que este jogo pode mudar o estado anímico de qualquer uma”, expõe.
Ainda assim, considera que o vencedor pode ganhar um impulso importante para o que se segue, mesmo com um cenário duro no horizonte. “Quem ganhar sairá reforçado para o resto da competição, mesmo que uma Espanha já praticamente indique poucas possibilidades de sucesso para ambos. É uma eliminatória que pede cabeça fria e coração quente!”, relata Ivkovic.
O croata sublinha também a dificuldade do trajeto potencial. “Se superarmos Portugal, depois temos a Espanha, é não ter sorte. Basta ver o alinhamento da Argentina. Vamos ver no que dá, Portugal tem os seus problemas e sinto que a Croácia tem muitos também. Não sei quem terá mais. Mas, no fundo, os jogadores são as pessoas mais felizes do Mundo a representar o país na prova mais importante do Mundo. Acho Portugal favorito, com uma margem de 10%, 55 para 45”, confessa.
O peso do histórico recente da Croácia
Nas contas do lendário guarda-redes entra igualmente o passado recente: a Croácia foi finalista em 2018 e chegou às meias-finais em 2022. “O que a Croácia fez em oito anos, Portugal ainda está a sonhar, como outras equipas de grande nome. Como até o Brasil. Não é fácil para um país tão pequeno”, sustenta.
Apesar das mudanças geracionais e da saída de algumas figuras, Ivkovic não mostra receio quanto ao que aí vem. “A Croácia terá sempre grandes jogadores, já deu provas da renovação de talento. Chegar a este nível prova a nossa força, nunca temerei o futuro”, adianta.
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