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Mona Khalil, ambientalista libanesa, é homenageada após ataque israelita no Sul do Líbano e trabalho com tartarugas marinhas

Mulher a libertar uma tartaruga marinha na areia junto a uma casa com mural e notas num caderno.

Ativistas e várias organizações prestaram, no sábado, uma homenagem à ambientalista libanesa Mona Khalil, que morreu devido aos ferimentos sofridos num ataque israelita no Sul do Líbano, onde dedicou décadas à conservação das tartarugas marinhas.

Homenagens a Mona Khalil após ataque israelita no Sul do Líbano

Uma fonte médica tinha indicado anteriormente à agência France-Presse (AFP) que Khalil, com quase 80 anos, ficou gravemente ferida num ataque israelita a 4 de junho, que atingiu a sua casa na aldeia de Mansouri, a cerca de 10 quilómetros a sul da cidade costeira de Tiro. A ambientalista acabaria por morrer na sexta-feira.

Julien Jreissati, diretor de programas da Greenpeace Médio Oriente e Norte de África, afirmou que Khalil "dedicou décadas da sua vida à proteção das tartarugas marinhas e da costa de Mansouri". "A sua perda não é apenas uma perda para a sua família e comunidade, mas para o movimento ambientalista no Líbano e na região", disse à AFP.

Costa de Tiro e as tartarugas marinhas ameaçadas

Perto de Tiro, uma longa extensão da costa sul do Líbano - que inclui algumas das praias mais bem preservadas do país - funciona como área de nidificação para tartarugas, incluindo as tartarugas-comuns e as tartarugas-verdes, ambas ameaçadas.

Projeto Casa Laranja (Orange House) e o trabalho em Hima Qoleileh-Mansouri

Depois de regressar ao Líbano, o seu país natal, vinda dos Países Baixos há mais de duas décadas, Khalil fundou em Mansouri o Projeto Casa Laranja, que combinava conservação com ecoturismo, permitindo aos visitantes assistir ao nascimento de tartarugas e participar em ações de proteção.

"Durante décadas, Mona esteve na vanguarda dos esforços de conservação ao longo da costa Sul", sublinhou a Sociedade para a Proteção da Natureza no Líbano (SPNL), que lamentou a morte de "uma das mais dedicadas defensoras ambientais do Líbano e uma incansável campeã da conservação das tartarugas marinhas".

Segundo a SPNL, o trabalho de Khalil contribuiu "significativamente para a proteção de um dos mais importantes locais de nidificação de tartarugas marinhas do Líbano em Hima Qoleileh-Mansouri, um troço de sete quilómetros de costa arenosa e rochosa que alberga anualmente mais de 58 ninhos de tartarugas marinhas ameaçadas".

A ambientalista, acrescentou a organização, inspirou comunidades e "ajudou a construir uma cultura de gestão ambiental enraizada na apropriação local e na responsabilidade coletiva", concluiu a SPNL num comunicado divulgado na sexta-feira.

Entretanto, o grupo ambientalista local Green Southerners escreveu na rede social X sobre a morte de "uma pioneira na defesa do ambiente" que, ao longo de décadas, "dedicou a sua vida à proteção das tartarugas marinhas ameaçadas e dos seus habitats de nidificação". "Através da Orange House, inspirou gerações de libaneses a valorizar e proteger o seu património natural e os ecossistemas costeiros", acrescentou.

Ataques no distrito de Tiro e a guerra entre Israel e o Hezbollah

A Agência Nacional de Notícias do Líbano (NNA), estatal, vinha a relatar ataques intensos no distrito de Tiro, incluindo incursões em Mansouri, no início deste mês, período em que Khalil foi ferida. A aldeia situa-se também perto de uma área onde operam tropas israelitas no Sul do Líbano.

Khalil estava entre os poucos residentes locais que continuavam na região, apesar da guerra entre Israel e o Hezbollah.

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