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Antiga tradição revitalizada por associação local une populações de Bárrio e Cepões em Ponte de Lima

Mulher sorri enquanto coloca flechas coloridas numa fonte decorada com fitas e flores, ambiente festivo ao ar livre.

Uma antiga prática popular voltou a ganhar vida na União das Freguesias de Bárrio e Cepões, em Ponte de Lima, graças ao impulso dado durante a pandemia pela Associação Recreativa e Desportiva dos Amigos do Bárrio (ARDAB). A tradição aproxima, por estes dias, moradores de ambas as aldeias, que se juntam para ornamentar fontes e fontanários com flores, quadras e enfeites ligados aos santos populares, no contexto das festas de São João.

ARDAB reacende a tradição das fontes em Ponte de Lima

Em Cepões, uma fonte dedicada a S. Pedro tornou-se um dos símbolos mais visíveis deste regresso. Dora Cunha e a irmã criaram ali uma decoração onde se destaca uma placa de sinalização com dez setas - uma referência às direções das dez fontes que, este ano, participaram na iniciativa. Para além de indicar “o caminho” para cada uma delas, a peça pretende traduzir o espírito de união e de entreajuda que a população diz estar a sentir com o retomar desta dinâmica comunitária.

A fonte de S. Pedro e as dez setas de Dora Cunha

Junto à casa, no lugar de S. Pedro, Dora Cunha descreve a adesão de vizinhos e amigos ao momento de preparação e à convivência que se seguiu. "Isto uniu muito aqui a comunidade. Ontem à noite estava aqui tudo. Pessoas que até pensei que não aparecessem, apareceram. Veio muita gente e, no fim, [de decorar a fonte] fizemos um convívio. Era meia-noite e estávamos todos aqui a petiscar e a beber um branquinho", relata.

A ornamentação inclui um arco de flores, “a porta do céu” com a respetiva chave, além de peixes e um barco colocados na água. A placa com as setas foi pensada para abranger tanto Bárrio como Cepões, reforçando a ideia de ligação entre as duas comunidades. "Pusemos ali as setinhas com as fontes todas de Bárrio e Cepões. Representa a união. Tem que haver, se não for assim não faz sentido. É o que mais gosto desta iniciativa, porque antes não tínhamos isto e de há uns anos para cá convivemos", acrescenta.

Fonte de Paredes recuperada com apoio local

Noutro ponto de Cepões, a fonte de Paredes foi recuperada por iniciativa dos vizinhos Lúcia Vieira e Filipe Pereira, com o apoio da junta de freguesia. Lúcia explica que, apesar de a requalificação já estar concluída, o abastecimento ainda não vem da nascente original. "A água ainda não é da própria fonte. Para já, ainda é emprestada aqui de um vizinho. Primeiro fez-se a requalificação da fonte, porque estava muito degradada e agora está bonita", conta, sublinhando que o objetivo é que, no próximo ano, a fonte tenha água própria: "para o ano, já tem de ter a própria água".

Filipe Pereira também destaca o valor do regresso desta tradição, associando-o à recuperação do património local: "É uma iniciativa de louvar. Se não fosse assim, não tínhamos a nossa fonte, que estava quase a cair e agora renasceu".

Dez fontes enfeitadas e arraial com 40 quilos de sardinha

Além destas, foram igualmente ornamentadas as fontes de Nagrais, da Pia, da Fontinha, da Cachada, de Paínçal, da Aldeia, do Faval e da Valinha. Nesta última, o tema fugiu aos santos populares e virou-se para o futebol e para o apoio à Seleção Nacional, com a mensagem: "A taça é nossa".

O presidente da ARDAB, José Pacheco, considera que o empenho foi especialmente visível este ano, mas frisa que o essencial está no encontro entre pessoas. "As pessoas, este ano, esmeraram-se. Estão todas bonitas. Extraordinárias. Mas o mais importante é o convívio e o espaço comunitário", afirma.

A programação fecha com um arraial onde estão previstos 40 quilos de sardinha para assar. Este ano, a organização ficou a cargo de João Crasto, antigo emigrante em Andorra, e das duas filhas - também emigradas naquele país - que regressaram de propósito para colaborar.

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