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António Simões explica a aposta no futebol nos Estados Unidos na década de 1970 e a evolução até à MLS

Jogador de futebol em uniforme vermelho conduz a bola em campo com estádio cheio ao fundo.

O antigo extremo actuou nos Estados Unidos na década de 1970 e enquadra a forma como o país decidiu apostar no futebol.

António Simões, do Benfica para a América

Magriço e figura marcante do Benfica, António Simões foi um dos nomes que mais se empenhou em levar a classe do futebol para o outro lado do Atlântico, entendendo o esforço feito para valorizar o “produto”. Com um percurso sólido e um papel influente na aura que ficou para a história de 1966, acabou por ser uma referência eficaz na liga norte-americana, iniciando essa etapa em 1975, ao serviço do Boston Minutemen.

A contratação de estrelas e as limitações do modelo

O antigo internacional recorda o contexto que marcou essa fase inicial: "Em 1975 foi a altura de investir nos grandes jogadores, que podiam já não ser estrelas, mas eram ídolos. Desde Pelé, Best, Beckenbauer, Bobby Moore, Eusébio e Cruyff. Naquela época foi algo como tentou a China e, agora, faz a Arábia Saudita. Eles perceberam, emendando erros anteriores, que a contratação de estrelas não era suficiente nem era o caminho a seguir", invoca.

Formação, futebol feminino e o sistema de franquias na MLS

Para Simões, o crescimento do futebol acabou por se afirmar por outras vias. "Passaram a fazer um investimento na formação, com quadros técnicos, importaram treinadores, vários americanos foram aprender no estrangeiro, sobretudo na Holanda e Alemanha. Investiram, olharam para os homens, mas, também para as mulheres, e o futebol evoluiu. Investiram ainda no prisma escolar e os clubes eram autênticas franquias. Em pouco tempo chegaram ao sucesso, primeiro as mulheres e em homens têm estado sempre presentes nas fases finais" assinala.

Nesse enquadramento, sublinha que a lógica não ficou limitada às figuras mediáticas: "Eles contratam jogadores, mas há um suporte enorme do local. Não pensam só nas vedetas e são os norte-americanos que mais se revelam e seguem para a Europa. Têm consolidado um modelo, ainda mais no sistema de franquias. A MLS está entre as dez melhores do Mundo, pela qualidade e espetadores", explica, classificando o Mundial de 1994 "como o melhor de sempre".

O espectáculo e a cultura do futebol: o que os EUA já faziam nos anos 70

A passagem de Simões pelos EUA começou precisamente nos anos 70, e a diferença cultural foi evidente desde o primeiro dia. "Eles estavam 20 anos à frente no que era combinar o jogo com o espetáculo. No nosso primeiro jogo, o Eusébio vê penduradas as nossas camisolas com os nomes escritos nas costas. Vê aquilo e fica fascinado. É ver o tempo que isso demorou a chegar à Europa".

Mais tarde, destaca a evolução do processo: "Criaram a cultura do futebol, hoje exportam grandes jogadores para a Premier League", elogia.

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