Quase 118 milhões de pessoas vivem hoje como refugiadas ou deslocadas à força em todo o mundo, de acordo com as Nações Unidas (ONU), que assinalam este sábado o Dia Mundial dos Refugiados com o compromisso de reduzir esse número para metade até 2035.
Números globais de refugiados e deslocados à força segundo a ONU
Apesar de, em 2025, o total de pessoas que tiveram de abandonar as suas casas ou o seu país ter recuado - algo que não acontecia há uma década -, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) sublinha que os valores “continuam em níveis dramaticamente altos”.
A descida, de 123 milhões em 2024 para 118 milhões no ano passado, explica-se sobretudo por “retornos forçados”, quer por via de deportações, quer por situações em que as pessoas “não tiveram oportunidades de integração e inclusão nos países de acolhimento”, indicou a agência das Nações Unidas.
Relatório de Tendências Globais de 2026: retornos e deslocações em 2025
Segundo o “Relatório de Tendências Globais de 2026”, divulgado esta semana pelo ACNUR, há pessoas a regressar aos seus países de origem em cenários instáveis e sob coação, como acontece no Afeganistão, Sudão e Síria.
Em termos globais, o regresso aos países de origem aumentou 49% face a 2024, representando o segundo maior pico dos últimos 60 anos.
No conjunto de 2025, quase 15 milhões de pessoas voltaram aos seus países, incluindo 4,4 milhões de refugiados e 10,3 milhões de deslocados internos.
Ainda assim, no ano passado, 5,4 milhões de pessoas - 70% das quais oriundas do Afeganistão, Sudão do Sul, Sudão, Síria, Ucrânia e Venezuela - foram obrigadas a fugir de guerras, violência e perseguições, procurando proteção noutros países.
Principais focos de crise: Sudão e Médio Oriente
Embora o Sudão se mantenha como o país com a crise de refugiados mais grave a nível mundial, com 9,1 milhões de pessoas obrigadas a abandonar as suas casas, o Médio Oriente passou a concentrar também forte preocupação, com cerca de um milhão de refugiados do Líbano e 3,2 milhões de deslocados no Irão.
Perante este cenário e num ano em que se assinala o 75º aniversário da Convenção sobre o Estatuto dos Refugiados, o alto-comissário da agência da ONU responsável por este dossier anunciou a intenção de cortar o número global para metade na próxima década.
Barham Salih, que foi ele próprio refugiado durante a juventude antes de vir a ser Presidente do Iraque, salientou a importância de reconhecer e integrar os milhões de pessoas desenraizadas dos seus países por causa da guerra, da violência ou da perseguição, lembrando que estas contribuem para reforçar as sociedades que as acolhem.
"Fugir de casa em busca de segurança é uma das escolhas mais difíceis que alguém pode fazer", avançou.
"Embora uma pessoa possa, durante algum tempo, ser definida como refugiada, tornar-se refugiada não deve definir a vida de uma pessoa", defendeu o alto-comissário.
Dia Mundial dos Refugiados: objetivo, tema e origem
O Dia Mundial dos Refugiados celebra-se todos os anos a 20 de junho, procurando destacar a coragem, os direitos, as necessidades e a resiliência dos refugiados.
A efeméride pretende mobilizar vontade política e recursos para que os refugiados possam não apenas sobreviver, mas também prosperar; ao mesmo tempo, procura recordar todos os que tiveram de escapar a guerras, perseguições ou cenários de terror, por motivos como raça, religião, nacionalidade, pertença a um grupo social particular ou opinião política.
Em 2026, o dia é dedicado ao tema "Até que todos estejam em segurança", com a ONU a apelar aos governos para que assegurem sistemas de proteção internacional justos e acessíveis.
O Dia Mundial dos Refugiados foi proclamado pela Assembleia Geral das Nações Unidas a 04 de dezembro de 2000.
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