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Carraças e borreliose de Lyme: como reduzir o risco no verão

Pai examina ferida no braço do filho com lupa enquanto estão sentados num banco ao ar livre.

Enquanto as crianças rebolam na relva, os cães farejam o mato e o grelhador fica aceso até tarde, há um minúsculo parasita à espreita no verde. Uma única picada pode desencadear uma infeção capaz de desequilibrar a vida de quem é afetado durante meses: a borreliose de Lyme. Com algumas regras simples, é possível reduzir bastante o risco - no dia a dia, nas férias e até no próprio jardim.

Porque é que as carraças são tão ativas no verão

A espécie de carraça mais comum na Europa, Ixodes ricinus, prefere zonas húmidas e sombreadas: bordas de bosque, relva alta, arbustos, sebes - inclusive perto de áreas habitadas. Não cai das árvores; normalmente fica apenas a 20 a 50 centímetros do chão, agarrada a folhas de erva ou a pequenos ramos, à espera que uma pessoa ou um animal passe a roçar.

Invernos mais amenos e períodos quentes mais prolongados têm vindo a estender a fase de atividade. Em vez de aparecerem apenas alguns meses, as carraças circulam hoje, em geral, de abril até ao fim do outono. O verão é especialmente arriscado porque se mostra mais pele, anda-se mais descalço e é comum deitar-se na relva.

"As estimativas apontam, em alguns países europeus, para dezenas de milhares de novos casos de Lyme por ano - só devido a picadas de carraças."

Em teoria, qualquer pessoa que passe tempo em espaços verdes está exposta. Ainda assim, alguns grupos tendem a ter um risco mais elevado:

  • Crianças que brincam na relva ou trepam no bosque
  • Caminhantes, corredores e praticantes de BTT
  • Jardineiros amadores e pessoas com terrenos grandes
  • Campistas, trabalhadores florestais e caçadores
  • Donos de cães e gatos que andam no exterior

Apenas uma parte das carraças transporta bactérias Borrelia. Ou seja, nem toda a picada resulta automaticamente numa infeção e, mesmo quando há contacto comprovado com carraça, só uma fração das pessoas adoece. Ainda assim, uma única picada pode ser suficiente para provocar queixas prolongadas.

Como surge a borreliose de Lyme

O agente da borreliose de Lyme pertence ao grupo Borrelia burgdorferi sensu lato. As bactérias encontram-se no intestino da carraça e, durante a refeição de sangue, migram para a saliva. Quanto mais tempo a carraça permanecer a sugar na pele, maior a probabilidade de transmissão do agente.

De acordo com a prática clínica, o risco mantém-se relativamente baixo quando a carraça é detetada muito cedo. Se o parasita for removido nas primeiras 12 a 24 horas, a probabilidade de infeção diminui de forma clara. É por isso que a inspeção cuidadosa do corpo após estar ao ar livre é tão importante.

Sinais típicos após uma picada de carraça

O sinal precoce mais conhecido da borreliose de Lyme é o eritema migrans. Muitas pessoas não reconhecem o termo e a alteração na pele pode parecer, à primeira vista, apenas uma vermelhidão inofensiva.

Como é a "vermelhidão migratória"

  • uma vermelhidão redonda ou oval no local da picada
  • surge, na maioria dos casos, entre 3 e 30 dias após a picada
  • a área aumenta lentamente e pode atingir vários centímetros
  • muitas vezes lembra um alvo: centro mais claro e bordo exterior mais avermelhado
  • geralmente quase não dói, apenas com ligeira comichão ou sem sintomas

Como a zona raramente arde ou dói de forma intensa, é frequente passar despercebida ou ser confundida com uma picada de mosquito. No entanto, é um sinal importante para iniciar o tratamento com antibiótico atempadamente.

Sintomas gerais que devem ser levados a sério

Em paralelo com a alteração cutânea - ou mesmo sem ela - podem surgir outras queixas:

  • febre ou ligeira elevação da temperatura
  • cansaço intenso e prostração
  • dores de cabeça e dores no corpo
  • dores musculares, queixas articulares em puxão ou em pontada

Sem tratamento, a infeção pode disseminar-se no organismo. Em fases mais tardias, os doentes referem:

  • inflamações articulares recorrentes, sobretudo nos joelhos
  • inflamações nervosas, paralisia facial, sensação de dormência
  • alterações do ritmo cardíaco
  • dificuldades de concentração e de memória
  • exaustão persistente e marcada

"Cansaço prolongado, dores difusas e dificuldades de concentração após uma picada de carraça devem ser sempre motivo para avaliação médica."

As medidas de proteção mais importantes no dia a dia

Na natureza, nunca existe risco zero. Ainda assim, com alguns hábitos simples, é possível baixar bastante a probabilidade de picadas - e muitos deles demoram apenas alguns segundos.

Roupa adequada para uma caminhada

  • calças compridas em vez de calções, sobretudo no bosque e na relva alta
  • colocar as pernas das calças dentro das meias para bloquear o acesso à pele
  • calçado fechado; evitar sandálias em zonas de mato
  • camisolas de manga comprida quando há risco de contacto com arbustos
  • roupa clara para facilitar a deteção de carraças escuras

Quem passa muito tempo ao ar livre pode optar por calças ou meias de exterior tratadas com substâncias repelentes de carraças. Em crianças, estas opções podem ser especialmente úteis, já que muitas vezes correm pela relva alta sem se aperceberem.

Usar repelentes de forma dirigida

Os produtos de proteção contra carraças, para pele e roupa, recorrem a substâncias que afastam estes parasitas. Ao escolher, vale a pena confirmar:

  • autorização/indicação como repelente contra carraças, não apenas contra mosquitos
  • idade recomendada: muitos produtos têm limitações em crianças pequenas
  • em grávidas, confirmar previamente com o médico
  • evitar contacto com olhos e boca; lavar as mãos após aplicação

"Nenhum repelente protege a 100%, serve apenas como complemento às medidas base como a roupa e a verificação do corpo."

Depois do passeio: verificação do corpo como rotina

Após uma caminhada, trabalho de jardim ou brincadeiras no parque, compensa fazer um check rápido na casa de banho. As carraças preferem zonas quentes e resguardadas. Locais onde se escondem com frequência:

  • atrás dos joelhos e face interna das coxas
  • virilhas e zona à volta do umbigo
  • axilas e sob as alças do soutien
  • atrás das orelhas, nuca e linha do cabelo
  • junto aos limites da roupa interior

Nas crianças, o ideal é que os pais façam esta verificação - com boa luz e sem pressa. Cães e gatos também devem ser observados após cada saída, porque podem transportar carraças para dentro de casa.

Encontrou uma carraça - o que fazer a seguir

Ao detetar uma carraça, não vale a pena entrar em pânico, mas é importante agir depressa. A forma de remoção faz diferença.

Como remover a carraça corretamente

  • Tenha à mão um cartão removedor de carraças ou uma pinça própria. Pinças comuns podem esmagar o corpo.
  • Agarre a carraça o mais perto possível da pele, pela zona da cabeça/aparelho bucal.
  • Puxe devagar e em linha reta; pequenas rotações podem ser usadas.
  • Não utilize "remédios caseiros" como óleo, verniz das unhas, cola, álcool ou fogo.
  • Desinfete o local da picada e, no fim, lave as mãos.

Se ficar um pontinho escuro minúsculo na pele, normalmente são restos do aparelho bucal. Pelo conhecimento atual, isso já não aumenta de forma decisiva o risco de infeção. Em regra, basta vigiar a zona.

"O mais importante é remover cedo - não é ‘desenroscar’ na direção ‘certa’."

Quando ir ao médico?

Depois da picada, muitos especialistas recomendam anotar a data e a localização no corpo e tirar uma fotografia da pele. Isto pode ajudar mais tarde na avaliação. Faz sentido procurar um médico se:

  • aparecer uma vermelhidão que aumenta no local da picada
  • surgir febre, cansaço intenso ou sintomas semelhantes aos de gripe
  • houver rigidez da nuca, paralisia facial ou palpitações
  • a pessoa afetada for criança, grávida ou tiver o sistema imunitário fragilizado

Os antibióticos são muito eficazes contra Borrelia na fase inicial. Quanto mais cedo se iniciar, menor é a probabilidade de sintomas prolongados.

Ajudas digitais e mapas de risco atualizados

Vários projetos europeus recolhem notificações de carraças encontradas e de picadas. Os utilizadores podem enviar fotografias e inserir o local e a data, contribuindo para a investigação. Em troca, são criados mapas de risco que indicam onde, naquele momento, há maior presença de carraças.

Para planear tempos livres, pode ser útil consultar estes mapas antes de um fim de semana de caminhada. Quem vai para uma zona conhecida como hotspot de carraças faz melhor em escolher roupa comprida e levar repelente com antecedência.

O que muita gente confunde: FSME e borreliose de Lyme

No debate público, duas doenças transmitidas por carraças aparecem frequentemente lado a lado - e é comum serem confundidas:

Característica Borreliose de Lyme FSME
Agente Bactérias (Borrelia) Vírus
Vacina disponível? Não Sim, vacinação recomendada em zonas de risco
Sinal precoce típico Vermelhidão migratória Quadro semelhante a gripe; mais tarde pode ocorrer meningite
Tratamento Antibióticos Apenas sintomático

Quem passa muito tempo em bosques e prados deve esclarecer com o médico de família se a vacina contra FSME faz sentido. Para a borreliose de Lyme, a melhor proteção continua a ser a combinação de roupa adequada, repelentes e remoção rápida da carraça.

Como as famílias podem ajustar a rotina

A prevenção contra carraças não tem de ser complicada. Em família, ajudam rituais simples: depois do jardim de infância ou de uma visita de estudo, verificar rapidamente braços e pernas das crianças; ao domingo, após o passeio de bicicleta, apalpar bem o cão; no jardim, evitar colocar zonas de estar mesmo ao lado de relva alta.

Outro conselho prático: cortar regularmente a relva alta nas margens do terreno e não armazenar pilhas de folhas ou de lenha junto de zonas de brincadeira ou de terraços. As carraças gostam destes refúgios húmidos.

Com este conhecimento, o verão pode ser vivido com muito mais tranquilidade. Mantendo estes pequenos riscos sob controlo, é possível grelhar, caminhar e deitar-se na relva com carraças por perto - sem acabar, a seguir, no consultório médico.

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