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BMW M pode dizer adeus às caixas manuais: Frank van Meel explica porquê

Carro desportivo elétrico BMW prata com luzes LED azuis, em exposição numa sala moderna.

A BMW M, a divisão de alto desempenho da marca bávara, poderá estar a aproximar-se de uma mudança histórica: deixar de oferecer caixas manuais. Apesar de continuarem a ser muito apreciadas pelos clientes mais entusiastas, Frank van Meel, diretor-executivo da divisão, admite que, do ponto de vista técnico e económico, esta solução tem vindo a perder lógica.

Em entrevista à publicação australiana Carsales, o responsável foi taxativo: “Do lado da engenharia, as caixas manuais não fazem sentido, porque limitam tanto o binário como o consumo de combustível”.

Caixas manuais na BMW M: limites técnicos e de binário

Na prática, a caixa manual de seis velocidades atualmente usada pela BMW M tem um teto de 550 Nm de binário. Esse limite trava evoluções de potência e impede que a transmissão seja aplicada nas variantes mais radicais, como acontece com os modelos CS.

Desafios futuros

Van Meel sublinhou ainda que criar novas caixas manuais será um desafio crescente: “No futuro, vai ser mais complicado continuar a desenvolver transmissões completamente novas, porque o segmento de mercado é pequeno e os fornecedores não estão inclinados a investir nisso.”

Com a procura a cair, torna-se difícil justificar financeiramente o desenvolvimento de novas soluções - ainda que existam mercados com exceções relevantes. Nos Estados Unidos, por exemplo, aproximadamente metade dos BMW M2 vendidos é encomendada com caixa manual.

“Estamos satisfeitos com as caixas manuais que temos e planeamos mantê-las nos próximos anos, mas será cada vez mais difícil mantê-las vivas, especialmente na próxima década.”
Frank van Meel, diretor-executivo da BMW M

Mesmo com estas limitações, o executivo garante que, para já, a opção não vai desaparecer. “Do ponto de vista emocional e do cliente, muitas pessoas ainda adoram caixas manuais. É por isso que nós ainda as mantemos e queremos mantê-las durante o máximo tempo possível”, rematou.

Investimento nos elétricos

O reforço do investimento em modelos elétricos, em linha com os regulamentos da União Europeia (UE), é outro elemento que pode acelerar o fim das caixas manuais.

Além de desviar recursos de tecnologias tradicionais, a arquitetura dos elétricos dispensa uma caixa de velocidades convencional - normalmente recorrem a uma única relação fixa ou, em alguns desportivos de alta performance, a duas relações.

iM3: o que se espera do próximo elétrico da BMW M

Para o próximo ano está previsto o lançamento do iM3 - uma designação ainda por confirmar -, sobre o qual não existem, até ao momento, informações oficiais. Ainda assim, os rumores apontam para uma configuração com quatro motores (um por roda) e uma potência total entre 700 cv e 1300 cv. Saiba mais detalhes:

De acordo com as expectativas, o novo modelo deverá incluir um sistema de simulação de mudanças, acompanhado por sons artificiais destinados a reproduzir o som do bloco S58 de seis cilindros em linha que equipa a geração atual do M3, à semelhança do que acontece no Hyundai IONIQ 5N.

Apesar da aposta na eletrificação, Van Meel confirmou que os BMW M a combustão - como o M3 - vão manter-se em produção, a par das versões M Performance da próxima geração do Série 3 e 4, bem como de outros modelos da gama.

“Nós estamos a trabalhar em mais de 30 novos modelos que serão lançados nos próximos dois anos e meio, por isso estamos bastante ocupados neste momento”, concluiu o executivo.

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