O ministro da Economia afirmou esta sexta-feira, no parlamento, que o Governo vai preparar as condições necessárias para que existam caixas automáticas de levantamento de dinheiro nas mais de mil freguesias que, neste momento, não dispõem desse serviço.
Plano do Governo para instalar caixas Multibanco nas freguesias
Num debate na Assembleia da República, em Lisboa, Castro Almeida salientou as dificuldades sentidas por quem vive em muitas zonas do país: "Há mais de mil freguesias que não têm caixas Multibanco, não têm forma de aceder a dinheiro. Dar condições é criar, com a SIBS e com o Banco de Portugal, capacidade para que em cada freguesia as pessoas possam levantar dinheiro".
O governante adiantou ainda que, em algumas freguesias, a implementação do projeto deverá arrancar já em junho, sendo intenção do Executivo alargar a solução a todas as freguesias que continuam sem caixas automáticas.
Justiça territorial e acesso a numerário
Para Castro Almeida, garantir este acesso é uma "questão de elementar justiça" para os territórios menos populosos, defendendo que quem aí reside deve poder levantar dinheiro 'vivo' sem depender de deslocações longas.
Alertas da Anafre e a realidade dos “desertos de numerário”
A ausência de multibancos tem sido um tema recorrente nas preocupações da Associação Nacional de Freguesias (Anafre) e chegou mesmo a ser discutida no congresso do final de janeiro. Nessa ocasião, foi aprovada uma moção a pedir atenção para o problema. Em várias freguesias, os habitantes são obrigados a percorrer dezenas de quilómetros para conseguirem aceder a uma caixa automática.
Em setembro de 2025, a Denária - associação que promove a utilização do numerário como meio de pagamento - apontou o que classificou como "desertos de numerário" em Portugal, atribuindo-os à falta de caixas Multibanco e sublinhando que o impacto recai sobretudo sobre os grupos mais isolados e vulneráveis.
A Denária referia dados do Banco de Portugal de 2022, segundo os quais 1276 freguesias (41%) não tinham qualquer ponto de acesso a dinheiro físico. Para a associação, torna-se indispensável reforçar a cobertura da rede e assegurar que todos os portugueses mantêm o direito de usar numerário.
Posição do Banco de Portugal e números da rede
Quando tomou posse como governador do Banco de Portugal, em outubro de 2025, Álvaro Santos Pereira defendeu que o sistema bancário precisa de assegurar um número suficiente de caixas automáticas em todo o território, de forma a que a população consiga aceder com facilidade a dinheiro físico.
"Embora a importância dos pagamentos digitais tenha vindo a aumentar, devemos assegurar que o numerário permanece facilmente acessível a todos os portugueses", afirmou.
De acordo com dados do Banco de Portugal, no final de 2025 existiam 13.700 caixas automáticas em Portugal.
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