Celso Ferreira presidia à Câmara Municipal de Paredes quando a Cozinha da Terra, em Louredo, recebeu um visitante que ficou para a história. A passagem do argentino Diego Armando Maradona - um dos melhores jogadores de futebol de sempre - pelo restaurante aconteceu em 2013 e pode ser revisitada nesta reportagem: 2013: Quando o convidado para jantar em Paredes é Maradona.
Ainda assim, para a extensa lista de clientes que ao longo dos anos procuraram esta casa de campo - incluindo o antigo autarca -, as estrelas principais são outras: as receitas antigas de família, afinadas ao longo do tempo e executadas com a mestria de Teresa Ruão. Entre elas, impõe-se o “Arroz de pato”, que Celso Ferreira considera ser “o melhor do mundo”. E há um motivo concreto para tanta convicção: em 2002, o prato arrecadou o 1º prémio no Concurso Nacional de Gastronomia.
A casa, as receitas e a alta cozinha tradicional
A Cozinha da Terra nasceu na Quinta de Louredo, o lugar onde Teresa Ruão nasceu, cresceu e começou a cozinhar ainda criança, preparando refeições para dezenas de pessoas que trabalhavam nos campos em redor. O espaço respeita a configuração original e a entrada faz-se pela própria cozinha - um gesto que recorda tempos em que esta era a divisão central da casa.
O pátio interior, as paredes espessas de granito, as hortas, as árvores de fruto e as vinhas à volta reforçam a sensação de regresso a outros tempos. Essa viagem é sublinhada por pormenores como as fardas usadas pela equipa, desenhadas pela própria Teresa Ruão, inspiradas em trajes antigos.
Ao longo dos anos, o restaurante foi por diversas vezes distinguido com Garfo de Ouro do Guia Boa Cama Boa Mesa, entre 2005 e 2016. Uma década depois, volta a somar reconhecimento: O Cozinha da Terra é Garfo de Prata do Guia Boa Cama Boa Mesa 2026.
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Comida de campo com critérios de modernidade
Apesar de uma carreira exigente, com passagem pela indústria têxtil e muitas viagens ao estrangeiro, Teresa Ruão nunca deixou a cozinha em segundo plano. Sempre que recebia amigos ou clientes, voltava ao fogão - e foi a partir daí que começou a adaptar as receitas familiares, dos assados em forno a lenha às feijoadas, ao cozido e à cabidela.
O resultado foi o que descrevia como “comida de campo com critérios de modernidade”: menos carregada em gordura e em temperos demasiado fortes “para ser mais saudável”, valorizando as ervas aromáticas e os legumes vindos da horta. O elogio era recorrente e marcante: diziam-lhe que “quem cozinhava daquela forma não devia fazer mais nada na vida”. Foi exactamente essa a decisão que tomou em novembro de 1997, ao abrir a Cozinha da Terra na casa onde nasceu e cresceu.
Nessa altura, havia apenas seis mesas na sala principal e o serviço funcionava exclusivamente por reserva - um modelo que se mantém até hoje.
Bola enrolada, Bacalhau no pão e Rojões no “pingue”
Com a reserva garantida - e quanto mais cedo melhor, já que não é raro existirem várias semanas de espera, sobretudo ao fim de semana -, a experiência começa numa mesa impecavelmente vestida de linho. A partir daí, vão chegando clássicos da cozinha tradicional e regional, preparados com tempo e rigor, muitos deles beneficiando do calor e do aroma do forno a lenha.
Entre as entradas que mais puxam pela romaria, contam-se as “Pataniscas de bacalhau” (€2,20); a “Bola de carnes” (€2,20) e a “Alheira caseira (€2,50). Nos pratos principais, além do já referido “Arroz de pato”, do campo, feito na hora e alourado no forno (€48), merecem atenção o “Bacalhau no pão” (€48), a “Vitela grelhada” (€49) ou assada (€46) - esta, tal como o “Cabrito assado” (€50), disponível em dias específicos. Vale ainda considerar o “Arroz de costelas” (€42) e o “Polvo salteado em azeite e alho” (€49). Na época certa, destacam-se o “Galo na caçoila” (€46) e os “Rojões”, no “pingue” com castanhas, e papas de sarrabulho (€49).
No momento das sobremesas, a escolha pode recair em referências regionais como o “Leite-creme queimado” (€4,9), a “Torta de laranja” (€5,9) ou a “Tarte de maçã” (€7,5), feita com a variedade reineta. Em alternativa, há o doce mais emblemático da casa: o “Queque de noz”, cozido na hora e servido com gelado de ovos moles (€7,5).
No Guia Boa Cama Boa Mesa 2026, onde ostenta Garfo de Prata, pode ler-se sobre o restaurante Cozinha da Terra (Lugar da Herdade, 8, Louredo Tel. 255780900): “Há lugares únicos que nos transportam para outros tempos, cenários e sabores. Estacione junto à horta, à sombra de árvores de fruto que atestam a proximidade à terra e ao produto, suba a escada em pedra e entre pela cozinha, como nas tradicionais casas portuguesas de outrora. A nostalgia desse tempo estende-se às roupas, desenhadas a preceito para a equipa, bem como a todos os detalhes que fazem desta uma viagem no tempo a bordo da tradição, da cozinha feita com amor, experiência e vagar e do apuro de uma mesa bem posta. Como se todos os dias fossem domingo, toalhas imaculadas recebem receitas antigas, que Teresa Ruão fez renascer aperfeiçoando-as. Esse é o seu legado. Nesta rústica casa de lavradores abastados do século XVII a gastronomia típica portuguesa apresenta-se sem atalhos. “Bacalhau servido no pão em cama de legumes”, “Arroz de pato d’aldeia alourado no forno” e “Vitela assada em forno a lenha com molho de laranja e amêndoa” são propostas ricas antecipadas pelo festim de entradas, onde constam “Bola de carnes e queijo enrolada” e “Pataniscas de bacalhau”. Encerre com o emblemático “Queque de noz, servido quente com gelado e creme de ovos”. A reserva é obrigatória”.
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