30 anos do Curso de Ciência Política no Instituto de Estudos Políticos - UCP
Ao assinalarem-se os 30 anos desde o arranque do Curso de Ciência Política no atual Instituto de Estudos Políticos - UCP, sob a chancela de João Carlos Espada, deixam-se aqui algumas notas breves sobre a urgência de construirmos uma agenda coletiva orientada para uma sociedade aberta. O pensamento de Karl Popper, que debatíamos há três décadas, revela-se hoje mais pertinente do que nunca: é essencial reforçar um sentido de inteligência coletiva que nos permita confiar na edificação do futuro que se aproxima.
Pilares da Sociedade Aberta: convergência, risco e rigor organizacional
A base desta Sociedade Aberta deve assentar num conjunto de ideias renovadas, capazes de gerar convergência e de manter em ligação constante todos os que partilham uma agenda de renovação do futuro. Torna-se necessário acelerar uma cultura de risco na sociedade, que estimule um novo patamar de competência e de ambição.
Foi precisamente essa a mensagem que, há 30 anos, se fazia sentir com particular intensidade quando João Carlos Espada trouxe para a escola a relevância de discutir uma nova forma de ser e de estar: uma postura comprometida com uma agenda de propósito, assumida por todos quantos acreditam que o valor social não se impõe por decreto.
Tempo, qualidade e cumprimento de objetivos
Numa Sociedade Aberta, já não há lugar para a falta de rigor e de organização nos processos e nas decisões, sobretudo quando se ignora o fator tempo e se desvaloriza a qualidade. Também não pode continuar a aceitar-se, sob o pretexto de uma lógica secular latina, o incumprimento de horários, cronogramas e objetivos. Falhar este paradigma traduz-se em ineficácia e numa incapacidade estrutural de conseguir ser melhor.
Daí a importância de uma cultura estruturada, com dimensão organizacional, aplicada de modo sistémico aos atores da sociedade civil. É preciso fazer da capacidade organizacional um verdadeiro operador de modernidade, ao serviço de uma sociedade que pretende ser diferente.
Coesão territorial, excelência e cooperação para o futuro
Procura-se igualmente uma sociedade aberta mais equilibrada em termos de coesão social e territorial. O crescimento - e a excessiva - metropolização do país agrava o diagnóstico. A desertificação do interior, a dificuldade das cidades médias em assumirem um papel catalisador de mudança, em fixarem competências e em atraírem investimento empresarial são realidades marcantes; e confirmam a ausência de uma lógica estratégica consistente.
Não é possível pensar uma aposta na competitividade estratégica do país sem compreender e sem responder à coesão territorial, que é também um fator crítico para a qualificação e modernização da nossa sociedade.
A sociedade civil portuguesa tem pela frente uma agenda exigente. Apostar na excelência - na diferença e no sucesso - depende de uma orientação estratégica voltada para um futuro permanente. A excelência deve ser um compromisso continuado na procura de valor, de inovação e de criatividade, enquanto fatores críticos de mudança. Os bons exemplos têm de ser seguidos, as boas práticas precisam de ser compreendidas, e o caminho deve ser o da distinção e da qualificação. Numa Sociedade Aberta, permanece quem consegue ganhar escala e participar, com valor, nas grandes redes de decisão.
Num país que quer projetar-se no futuro, empresas, universidades e centros de competência têm de assumir uma lógica de cooperação positiva em competição, sob pena de desaparecerem. O desafio da Sociedade Aberta precisa, por isso, de ser reforçado: transformar a nossa sociedade na oportunidade desejada de um país onde conhecimento e criatividade consigam sustentar o compromisso - nem sempre simples - entre a memória de um passado que não se quer apagar e o regresso a um futuro que não se quer perder.
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