A Marinha britânica confirmou esta semana que Lily-Mae Fisher, a única mulher em serviço no corpo de Comandos de Inglaterra, está entre as três vítimas mortais de um acidente com um helicóptero. Os outros dois militares que perderam a vida foram Chris Gayson e Owen Green.
Acidente com helicóptero Merlin Mk4 durante treino
Lily-Mae Fisher tinha 31 anos e morreu quando um helicóptero Merlin Mk4 se despenhou na quarta-feira, durante um exercício de treino perto da cidade de Okehampton. A Marinha Real referiu que era "a única mulher em serviço no corpo de Comandos da Marinha Real Britânica". A tenente encontrava-se na avaliação final do treino de voo, etapa após a qual deveria alcançar a qualificação de piloto de helicóptero.
Lily-Mae Fisher: percurso, desporto e paixão pela aviação
De acordo com informação do Ministério da Defesa britânico, Fisher formou-se em 2016. Praticava desporto desde cedo e chegou a representar o Reino Unido em lacrosse júnior e no salto com vara. Durante a universidade, integrou o Corpo de Formação de Oficiais e o Esquadrão Aéreo Universitário, "onde descobriu a paixão pela aviação", segundo a nota do Governo.
Antes de entrar na Marinha Real, trabalhou ainda durante dois anos como geóloga, ingressando depois no ramo em 2019. Em setembro de 2021, representou a Grã-Bretanha no Campeonato Europeu de Triatlo, enquanto concluía a Formação Básica de Voo.
A militar desempenhou também funções de vigia na Operação de Resposta das Forças Armadas do Reino Unido à crise migratória do Canal da Mancha. Nessa missão, a sua equipa assegurava a "coordenação dos meios navais para localizar, proteger e resgatar embarcações, com o objetivo principal de evitar a perda de vidas", indica o Ministério.
O Governo sublinhou que "A morte representa uma enorme perda para a Marinha Real, a Força e o Esquadrão", acrescentando que Fisher foi "uma inspiração para inúmeras pessoas, especialmente para as jovens". Considerava-se "evidente" que "tinha pela frente um futuro muito promissor como piloto naval". Fisher mantinha ainda uma plataforma nas redes sociais com um alcance significativo, onde partilhava as dificuldades sentidas pelas mulheres na carreira militar.
Chris Gayson, "bondoso" e "apaixonado pelo trabalho"
O capitão-tenente Chris Gayson, de 42 anos, foi outra das três vítimas mortais provocadas pela queda do helicóptero na semana passada. Segundo o Ministério da Defesa, entrou para a Marinha Real Britânica como piloto em 2008, depois de uma breve passagem pela Deloitte, onde trabalhou como contabilista.
Com um currículo operacional extenso, voou na Noruega, na Jordânia, no Afeganistão e noutras missões. Formou pilotos de helicóptero em início de carreira nas três Forças Armadas e, em 2020, foi promovido a capitão, passando então a ministrar formação avançada em helicópteros a pilotos da Força Aérea britânica e da Força de Apoio de Helicópteros dos Comandos.
A Marinha descreveu-o como "um profissional exemplar", salientando a liderança na Unidade de Conversão Operacional e frisando que "a sua perda representa um golpe duro para a Marinha Real, a Força e o Esquadrão".
De acordo com a família de Gayson, o militar era "um homem de família extremamente gentil e bondoso" e, em simultâneo, "apaixonado e dedicado ao seu trabalho na Marinha Real".
Owen Green, desempenho excecional e vida "demasiado curta"
Com 24 anos, o suboficial Owen Green era a vítima mais jovem do acidente. Segundo a Marinha, entrou para o ramo em janeiro de 2022 e evidenciou "um nível consistentemente elevado de competência profissional e dedicação ao longo da carreira".
Depois da formação inicial e de alguns cursos avançados de tripulação aérea, progrediu rapidamente, alcançando o posto de suboficial em setembro de 2025, após ter obtido as Asas de Tripulante de Voo em junho do mesmo ano.
Durante as formações, Green revelou "prontidão operacional e adaptabilidade em ambientes multinacionais", assumindo "um papel fundamental em exercícios de grande envergadura". A Marinha destacou, em particular, a participação na Operação Clockwork 26: acumulou o maior número de horas de voo entre os seus pares em condições exigentes e obteve a qualificação ambiental para o Ártico, afirmando-se como "um dos operadores mais experientes do esquadrão em ambientes extremos".
A família, citada pela Marinha, afirmou que a morte do jovem "deixou todos devastados". A vida de Green "foi demasiado curta" e "a sua bondade, calor humano e personalidade tocaram a todos os que o conheciam".
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