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Audi A6 Avant e-tron: um novo capítulo para a carrinha elétrica

Audi A6 E-Tron prata estacionado em ambiente moderno com carregadores de veículos elétricos.

O Audi A6 Avant e-tron inaugura uma nova fase na linhagem do modelo - mas terá o que é preciso para estar à altura do nome?


A mais recente geração do Audi A6 não se limita a refinar a anterior: marca, de facto, um ponto de viragem na trajetória de um dos nomes mais fortes do segmento executivo há mais de 30 anos.

Numa altura em que o automóvel vive a maior mudança da sua história, o A6 respondeu às novas exigências e, pela primeira vez, passa a existir numa variante 100% elétrica: o A6 e-tron.

Não estamos perante “apenas mais uma versão”. Esta proposta elétrica é separada do A6 com motor de combustão - que, entretanto, também recebeu uma geração renovada - e conta com base técnica própria, o que lhe garante características que nunca tinham existido num A6: por exemplo, é o primeiro A6 de sempre com tração traseira.

Só que eletrificar um modelo com o currículo do Audi A6 não é tarefa simples. A própria arquitetura dos elétricos faz com que muitos acabem por se parecer entre si, com uma personalidade mais “plana” e menos distintiva.

Por isso, aqui não basta herdar o emblema. É preciso apresentar um conjunto de argumentos à altura das expectativas associadas ao nome A6.

Para o conseguir, a Audi recorreu a uma velha conhecida - começa por “Por” e termina em “sche”. Já chegaram lá? Sim, é mesmo da Porsche que estamos a falar…

Será isto suficiente para o A6 e-tron ganhar destaque no seu segmento? Os cinco dias que passei «ao volante» desta carrinha elétrica - a primeira da Audi - serviram precisamente para encontrar as respostas.

Uma carrinha ou uma «nave espacial»?

Num primeiro contacto, as impressões iniciais pesam muito. E, no caso do Audi A6 Avant e-tron, a sensação foi de «amor à primeira vista», muito por causa do pacote S line e das imponentes jantes de 21″, acompanhadas por maxilas vermelhas, que reforçavam (ainda mais) a presença desportiva.

Mesmo com esse apontamento extra de agressividade, a aerodinâmica não sai prejudicada - na berlina, trata-se do Audi com menor resistência ao ar de sempre, e a Avant não fica muito distante - e a unidade ensaiada somava ainda outro “ás”: os retrovisores digitais. Um extra que acabei por considerar pouco necessário, embora contribua para baixar o arrasto aerodinâmico.

É também ao observar o exterior que surge uma sensação quase «extra-terrestre». A reduzida altura ao solo, as superfícies marcadas, os detalhes em preto brilhante e até o som grave emitido a baixa velocidade dão-lhe uma imagem futurista - mais próxima de uma nave espacial do que de uma carrinha convencional.

E a reação de quem se cruzava com ela confirmava isso mesmo: o A6 Avant e-tron faz virar cabeças por onde passa, incluindo de pessoas com pouco ou nenhum interesse por automóveis.

Tecnologia a mais? Possivelmente

Ao entrar no A6, fica claro que estamos num produto atual. O habitáculo é dominado por ecrãs em vários pontos, numa quantidade que, na minha perspetiva, acaba por penalizar a experiência de utilização.

Ainda assim, ao painel de instrumentos digital (11,9″) e ao sistema de infoentretenimento (14,5″) a adaptação é rápida. Já aos retrovisores digitais (opcionais), não posso dizer o mesmo. Aqui, mantenho a ideia de que «em equipa que ganha não se mexe».

No uso diário, é possível conviver com esta solução, mas é nas manobras mais apertadas e em estacionamento que se tornam evidentes algumas limitações: falta perceção de profundidade, o que dificulta avaliar a distância a objetos à volta.

Mesmo em andamento, há situações em que não ficamos com noção totalmente clara do quão perto - ou longe - estão os veículos em redor, sobretudo nas zonas de ângulo morto.

Sportback e Avant têm o mesmo espaço

De resto, acertar numa boa posição de condução é simples. Os bancos, com regulações elétricas, oferecem amplitude e precisão, tal como o volante que, apesar de ter topo e base cortados, se revelou ergonómico e de operação intuitiva.

No capítulo dos materiais, admito que esperava maior cuidado em alguns detalhes. A montagem é robusta, sem ruídos parasitas e, no conjunto, competente, mas existem propostas mais acessíveis que apresentam melhor execução.

Um exemplo é a Volkswagen Passat que ensaiámos recentemente: custando cerca de metade, mostrava alguns acabamentos mais caprichados, como o forro em alcatifa nos compartimentos das portas - um pormenor ausente neste A6.

Quanto à habitabilidade, apesar de associarmos as carrinhas a maior capacidade, aqui a escolha entre Avant e A6 Sportback é sobretudo estética. Isto porque ambos disponibilizam a mesma bagageira: 502 litros, aos quais se somam mais 27 litros num compartimento dianteiro.

Não anda, desliza…

Se alguns pormenores não eram o que eu esperava num modelo com este estatuto e preço, bastam poucos quilómetros para deixarem de ter peso. Impressiona a forma como o Audi A6 Avant e-tron torna tudo fácil, graças à suavidade com que cada ação acontece.

A direção, além de muito precisa, comunica na medida certa, e os travões - que em muitos elétricos são difíceis de “ler” - respondem com naturalidade e consistência. E a suspensão… sendo pneumática, pouco há a acrescentar: mesmo com jantes enormes de 21″, transforma qualquer estrada num exercício de tranquilidade.

E essa tranquilidade não se perde quando se aumenta o andamento; é aí que os “genes” Porsche da plataforma PPE (Premium Platform Electric) se fazem notar com mais intensidade.

Ao encarar curvas com maior decisão, o A6 revela uma compostura de alto nível: mantém-se estável, previsível e surpreendentemente ágil para um modelo com mais de duas toneladas. Muito disso vem da suspensão pneumática, que gere massas com grande competência, ajustando amortecimento e altura ao solo conforme o modo de condução e a velocidade o pedem.

Não se deixe enganar pela designação “performance” desta unidade. Não estamos perante um desportivo. O nome aponta, isso sim, para a bateria de maior capacidade: 100 kWh (94,9 kWh úteis) em vez de 83 kWh (75,8 kWh) da versão «normal».

Esta bateria alimenta um motor elétrico com 270 kW (367 cv) e 565 Nm, instalado no eixo traseiro. Os valores traduzem-se numa resposta imediata - viciante, como é típico num elétrico -, mas o mais marcante é a forma controlada e refinada como tudo acontece, tal como se espera num Audi.

Mais de 600 km são possíveis

Com um andamento mais calmo, surge outro argumento forte do Audi A6 Avant e-tron performance: a autonomia que, face aos rivais Mercedes-Benz EQE e BMW i5, anuncia mais 16 km e 78 km, respetivamente, para um total de 705 km entre carregamentos (WLTP).

Na unidade ensaiada, as jantes de grandes dimensões penalizam este indicador. Apesar de elevarem o apelo visual, fazem descer o valor para 656 km em ciclo combinado (WLTP). Ainda assim, continua a ser um número bastante realista.

Durante o teste, os consumos fixaram-se nos 15,6 kWh/100 km, um resultado muito positivo para uma carrinha deste tamanho, beneficiando da aerodinâmica trabalhada, da eficiência do sistema elétrico e dos vários níveis de regeneração, que permitem conduzir praticamente só com o pedal do acelerador.

No dia a dia, isto significa uma autonomia real que pode ultrapassar os 600 km, colocando o A6 e-tron entre as propostas mais equilibradas do segmento, com capacidade para viagens longas sem exigir grande planeamento.

Quanto custa?

O Audi A6 Avant e-tron chega ao mercado a partir de 68 678 euros, um valor ligeiramente inferior ao dos seus principais concorrentes. Já na versão performance, como a do exemplar ensaiado, o preço sobe para 76 869 euros.

Como é habitual nas marcas alemãs, a lista de opcionais pode ser longa (e cara), e este A6 não foge à regra. A unidade testada trazia vários extras, alguns dos quais, na minha opinião, pouco acrescentavam à experiência de condução - como os retrovisores digitais ou as jantes de 21″.

No total, eram mais de 35 mil euros em extras, fazendo o preço ultrapassar os 112 mil euros. Por mais competente que o conjunto seja - e é -, trata-se de um valor difícil de justificar.

No fim, fiquei sem dúvidas de que a eletrificação pode coexistir com o carácter que sempre definiu o A6 e de que este é capaz de transportar para o futuro a história de décadas associada a esta designação.

O conforto, a estabilidade e a confiança que sempre marcaram este modelo continuam presentes, agora acompanhados por ainda mais silêncio, eficiência e tecnologia.

Ainda assim, há margem para limar arestas: a perceção de qualidade no interior podia estar num patamar superior e o preço, inevitavelmente alto, coloca-o num nível de exigência que nem todos estarão dispostos a suportar.

Especificações técnicas

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