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Francisco Pedro Balsemão: Impresa quer transparência na entrada de acionistas e destaca Media for Europe

Homem de fato a apresentar documentos num escritório moderno com várias pessoas a trabalhar ao fundo.

Francisco Pedro Balsemão sustenta que se deve fazer tudo para impedir que entrem acionistas nos grupos de media "por quererem o poder pelo poder ou para dar poder a terceiros ou para satisfazer interesses que não sejam os interesses do jornalismo“. Acrescenta ainda que o grupo que lidera - e no qual é acionista - "felizmente conseguiu ter um acionista de referência que é do sector", a italiana Media for Europe, que passou recentemente a deter 32,934% do capital.

Posição de Francisco Pedro Balsemão sobre a propriedade dos media

A propriedade dos grupos de media é algo que continua a preocupá-lo? Disse no podcast do Expresso 'O CEO é o Limite', em janeiro de 2024, que 'sabemos há muito tempo que os media estão sitiados por pessoas que estão cá pelas razões erradas, ou para se promoverem a si próprias, ou os seus negócios, ou até para promoverem narrativas falsas'.

Mantenho a ideia de que a Impresa é o único grupo de media cujo único objetivo é a comunicação social, sem outras atividades paralelas. Quem detém a empresa dedica-se exclusivamente a este setor e, para nossa satisfação, alcançámos aquilo a que nos propusemos: assegurar um acionista de referência que pertence ao sector. Orgulhamo-nos disso, porque significa que existe foco, ADN e um legado bem definido. Para nós, isto torna-se uma vantagem competitiva face aos concorrentes.

Não nos identificamos com estratégias, abordagens ou esquemas que contrariem esta forma de encarar os media. E isto não corresponde a uma visão purista: defendemos sempre que, sem sustentabilidade financeira, não existe autonomia editorial nem independência dos jornalistas - e dizemo-lo com total convicção. Não seguimos caminhos alternativos, não apenas por motivos morais ou de valores (até porque, do ponto de vista deontológico, o jornalismo é isto), mas também por razões económicas: esta visão cria uma vantagem competitiva.

Sabemos que conseguimos atrair para a Impresa o melhor talento. No caso dos jornalistas, são profissionais que acreditam que mantemos este rumo e que continuamos a querer bom jornalismo. E esse bom jornalismo nota-se e sente-se na informação produzida, o que gera mais receita; depois, com isso, podemos reforçar o investimento no negócio, e assim sucessivamente.

Transparência e regulação: o caso da Global Media

Considera que deveria haver maior controle, mais cuidado com a entrada de determinados acionistas nos media? Por exemplo na Global Media foi bastante fácil um fundo de investimento misterioso, sediado num país fiscal, entrar e tomar conta de um grupo de comunicação social.

Em Portugal existe uma lei - a lei da transparência - que, na minha opinião, está bem concebida e até é bastante inovadora no contexto europeu; não são muitos os países que dispõem de um enquadramento semelhante. Ainda assim, não basta o quadro legislativo: é indispensável que a lei seja aplicada e que quem tem responsabilidades regulatórias atue de forma efetiva. No caso da Global Media, penso que a ERC [Entidade Reguladora para a Comunicação Social] respondeu com a maior rapidez possível; seria difícil fazê-lo mais depressa, até porque não se conseguia chegar à fala com o fundo...

Mas deveria ser tomada alguma medida para evitar que uma entidade destas, sem rosto, entre nos media sem se saber sequer quem são os seus proprietários? Esse fundo tomou conta da Global Media e fez mossa, causou desgaste durante alguns meses...

Entendemos que deve ser feito tudo o que contribua para reforçar a transparência e para evitar que entrem, num grupo de comunicação social, pessoas movidas por razões erradas - por quererem o poder pelo poder, por quererem dar poder a terceiros, ou por procurarem satisfazer interesses que não sejam os interesses do jornalismo.

Acionista de referência na Impresa: Media for Europe (MFE)

Ter um acionista como Cristiano Ronaldo, como tem a Medialivre, era algo que era interessante para a Impresa?

Acabámos por antecipar aquilo que muitos, provavelmente, desejariam: ter um acionista de referência que fosse do sector e, de preferência, estrangeiro. Não conheço o Cristiano Ronaldo, nem conheço os números da empresa. Ele terá, certamente, feito esse investimento pelas melhores razões, mas, felizmente, nós estamos muito bem com os nossos parceiros de referência, a MFE.

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