Para lá de quatro décadas após a sua entrada ao serviço, a Força Aérea Mexicana (FAM) está a avançar com o processo de substituição dos seus caças Northrop F-5E/F Tiger II, que continuam a ser o principal meio de defesa aérea do país. Integrados no início da década de 1980, estes aparelhos sustentaram durante anos a capacidade supersónica da instituição. Ainda assim, o desgaste acumulado, a subida dos custos de manutenção e a quebra da disponibilidade operacional tornaram evidente a necessidade de os substituir.
Northrop F-5E/F Tiger II na FAM: fim de ciclo e impacto operacional
Hoje, o Esquadrão Aéreo 401 é a única unidade da FAM equipada com interceptores supersónicos. Opera a partir da Base Aérea Militar n.º 1, em Santa Lucía, e tem como missão central assegurar a defesa do espaço aéreo nacional. A unidade dispõe de uma frota reduzida de F-5E/F adquiridos entre 1981 e 1982 (dez monopostos e dois bipostos). Depois de vários acidentes ao longo das décadas, o número de aeronaves efectivamente operacionais diminuiu de forma significativa.
Anúncio no Tulum Air Show 2026 e meta de 12 caças até 2028
Neste enquadramento, durante o Tulum Air Show 2026, realizado na Base Aérea Militar n.º 20 (Aeroporto Internacional de Tulum), o comandante da FAM, Román Carmona Landa, confirmou que a instituição deu início formal ao processo de substituição da frota de F-5, com o objectivo de incorporar doze novos aviões de combate até 2028.
Em declarações ao meio especializado Janes, o chefe da força afirmou: “O F-5 representa a maior capacidade do México, mas é uma tecnologia antiga e estamos a planear a sua substituição a curto e médio prazo”. No mesmo sentido, referiu que estão a ser avaliadas várias opções, incluindo o Lockheed Martin F-16 Block 70/72, o Saab Gripen E, bem como plataformas de combate ligeiro como o KAI FA-50 Fighting Eagle e o Leonardo M-346FA.
Carmona destacou que a prioridade passa por escolher uma aeronave capaz de executar missões de defesa aérea, reconhecimento e ataque ao solo, em linha com as necessidades operacionais actuais da FAM.
Outras modernizações: transporte C-130J-30 Super Hercules
Em paralelo, o oficial confirmou a existência de outros programas de modernização. Entre eles está a compra de dois aviões de transporte Lockheed Martin C-130J-30 Super Hercules, cuja primeira entrega está prevista para o final de 2027 ou o início de 2028.
Alternativas em estudo: F-16 Block 70/72, Gripen E, FA-50 e M-346FA
Quanto às alternativas em análise, o F-16 Block 70/72 surge como uma solução madura e amplamente testada, equipada com radar AESA APG-83, aviónica de última geração e uma vida útil estrutural até 12 000 horas. A sua actualidade na região reflecte-se em aquisições recentes, como a do Peru, juntando-se a operadores históricos como Chile e Venezuela, além da sua incorporação recente na Argentina.
Já o Gripen E, desenvolvido pela Saab, distingue-se pela arquitectura orientada para a guerra em rede, pela fusão de sensores e pela elevada capacidade de sobrevivência em ambientes contestados. Na América Latina, foi entretanto adoptado pelo Brasil.
Num patamar inferior, o sul-coreano KAI FA-50 reúne treino avançado e combate numa única plataforma supersónica, com capacidade de carga até 4,5 toneladas. Por fim, o M-346FA da Leonardo apresenta-se como uma solução LIFT com capacidades de ataque, apoio aéreo aproximado e inteligência táctica, embora com desempenho inferior face a caças supersónicos.
A escolha do futuro avião a incorporar terá um peso decisivo no rumo da aviação de combate mexicana, num contexto em que a FAM procura recuperar e modernizar as suas capacidades de defesa aérea para as próximas décadas.
Imagens utilizadas a título ilustrativo.
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