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O porta-aviões nuclear USS Nimitz (CVN-68) foi, pela sua dimensão e pelo simbolismo, a imagem mais marcante do Exercício PASSEX no âmbito do Southern Seas 2026, no Mar Argentino. Porém, até se chegar ao momento dos navios alinhados, das comunicações cruzadas e das manobras sincronizadas, houve outra narrativa a decorrer em paralelo: a dos navios cinzentos da Armada Argentina que largaram amarras a partir de diferentes pontos da província de Buenos Aires e das guarnições que sustentaram a operação por dentro.
Uma dessas unidades foi a corveta ARA *“Rosales”* (P-42), a bordo da qual a Zona Militar acompanhou parte da navegação, permitindo ver de perto a função do navio, a sua dotação e a rotina diária no mar.
Navegação e integração no Southern Seas 2026
A saída da Base Naval Puerto Belgrano assinalou o começo de uma navegação com finalidades distintas. Por um lado, a integração no destacamento *Southern Seas 2026, enquadrada nas actividades desenvolvidas com o porta-aviões *USS Nimitz e o destróier USS Gridley da Marinha dos Estados Unidos. Por outro, a continuidade do treino próprio da Flota de Mar, que ao longo do ano progride por fases para consolidar procedimentos, reforçar funções e aumentar gradualmente a complexidade das capacidades e das manobras.
Dentro desse quadro, a ARA “Rosales” não foi apenas mais uma silhueta na formação. A corveta desempenhou um papel no dispositivo naval argentino, participando em navegação, comunicações e manobras com outras unidades nacionais e estrangeiras. A partir dos seus conveses, o exercício viveu-se numa escala diferente daquela que as imagens gerais do PHOTEX costumam mostrar: a do passadiço, do pessoal, das guardas e dos espaços partilhados por uma dotação que, durante dias, manteve o ritmo próprio de uma navegação operacional.
Vida a bordo e treino da Flota de Mar na ARA “Rosales”
O que se viu a bordo confirmou que uma operação no mar não depende apenas da plataforma. A corveta tem os seus sistemas, procedimentos e capacidades, mas cada manobra existe porque há pessoas a ocupar postos, a descansar e a comer quando a rotina o permite, a cruzarem-se nos corredores e a regressarem às funções quando a operação o exige. O navio avança porque há uma dotação que o mantém vivo.
Ao aprofundar a história da unidade, a ARA “Rosales” é uma corveta do tipo MEKO 140 da Armada Argentina. Construída nos Astilleros y Fabricaciones Navales del Estado (AFNE), em Río Santiago, sob licença e com materiais fornecidos pela Blohm + Voss, da Alemanha, foi recebida pela Armada em 14 de novembro de 1986 e integrada na Flota de Mar em 24 de março de 1987. Desde então, participou em missões de vigilância e controlo marítimo, em exercícios nacionais e internacionais e em diversas operações de relevância para a Armada Argentina.
Em conversa com a Zona Militar, o Capitão-de-Fragata Pablo Román Bianco, comandante da corveta ARA “Rosales”, caracterizou o navio como “um navio de combate” e “um navio multiusos”, preparado sobretudo para “defender os interesses argentinos no mar”. Segundo explicou, trata-se de uma plataforma que integra a primeira linha de defesa naval, mas cujo desempenho não se entende apenas pelas capacidades técnicas ou pela condição de sistema de armas.
A bordo, a corveta reúne uma dotação de cerca de cem pessoas. De acordo com o comandante, aproximadamente 40% do pessoal embarcado é feminino, uma composição que também espelha as mudanças por que passam as guarnições da Armada Argentina. O quadro superior, composto por oficiais, assume tarefas de comando, organização e coordenação dos vários departamentos, enquanto o restante pessoal garante as funções indispensáveis para o navio navegar, operar e cumprir a missão atribuída.
Esse ponto atravessa grande parte da vida embarcada: cada função conta. Num navio onde o espaço é limitado e a rotina se estrutura por guardas, manobras, refeições, descanso e prontidão permanente, não há papéis secundários. “Todos os papéis são importantes”, sublinhou Bianco durante a entrevista. Nesta perspectiva, o passadiço, as máquinas, as comunicações, o convés, a cozinha e cada posto do navio fazem parte do mesmo mecanismo.
Como referido, a navegação integrou também a segunda etapa da Flota de Mar. Nas palavras do comandante, cada início de ciclo obriga a reajustar procedimentos, em especial porque as tripulações vão mudando e é necessário voltar a consolidar funções. Por isso, o treino progride “do mais simples ao mais complexo”: começa com actividades de base e evolui para exercícios mais exigentes, procurando atingir, perto do fim do ano, um patamar operacional mais robusto.
Nesta fase, a “Rosales” executou manobras que não tinham sido realizadas na etapa anterior, incluindo transferências de cargas ligeiras, navegação em formação e procedimentos de coordenação com outras unidades. Ainda que, de fora, possam parecer rotineiras, estas tarefas pedem precisão, disciplina nas comunicações e confiança entre guarnições. No mar, cada distância, cada velocidade e cada ordem transmitida integram uma sequência que tem de ser cumprida em segurança.
Para lá disso, operar ao lado do porta-aviões USS “Nimitz” acrescentou uma dimensão particular ao processo de treino. Não é todos os anos que uma unidade da Armada Argentina se integra numa formação liderada por um porta-aviões nuclear dos Estados Unidos, e menos ainda num destacamento que envolve navios de superfície, meios aeronavais e procedimentos combinados. Para a dotação da “Rosales”, o PASSEX foi uma oportunidade profissional pouco comum. “Sempre que se treina com outro país, vão-se adquirindo maiores destrezas em tácticas e técnicas”, afirmou Bianco. Para o comandante, actividades deste tipo ajudam a criar confiança mútua e a reforçar a interoperabilidade com outras forças.
O ano da Corveta ARA “Rosales”
Com o PASSEX concluído, a ARA “Rosales” manterá o ritmo operacional previsto para o ano. Entre as actividades referidas pelo comandante estão novas etapas no mar, visitas a portos e a participação no exercício ** Fraterno ** com o Brasil. Além disso, a unidade integra os esquemas de disponibilidade que mantêm as corvetas prontas a responder a eventuais necessidades na área de responsabilidade argentina, incluindo a denominada guarda SAR, que exige capacidade de largar para o mar num prazo reduzido.
Numa cobertura marcada pela presença imponente do USS Nimitz, embarcar na ARA “Rosales” permitiu observar o exercício de outra forma: a de uma corveta argentina que, ao mesmo tempo que se integrava num destacamento combinado com a Marinha dos EUA, dava continuidade ao seu próprio processo de treino no seio da Flota de Mar. A esta escala, cada manobra teve também um rosto, uma voz e um posto assegurado a bordo. Porque nenhum navio avança apenas pelo casco, pelos sensores ou pelos sistemas. Avança pela gente que o opera, o mantém, o conduz e nele convive durante cada singradura.
** A Zona Militar agradece profundamente o convite da Armada Argentina e, em particular, a toda a dotação da corveta ARA Rosales por nos ter permitido acompanhá-los. **
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