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Força Aérea dos Emirados Árabes Unidos assina com a Embraer a compra de 10 C-390 Millennium, com opção para 10, e estreia-se no Médio Oriente

Dois homens, um em traje árabe e outro em uniforme militar, apertam as mãos junto a avião Embrate no aeroporto.

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A Força Aérea dos Emirados Árabes Unidos vai tornar-se o primeiro operador do C-390 Millennium no Médio Oriente, na sequência de um contrato assinado entre o Conselho Tawazun para o Desenvolvimento da Defesa e a Embraer para a compra de 10 aeronaves, com opção de aquisição de mais 10. O anúncio, feito hoje em Abu Dabi, corresponde ao maior pedido internacional realizado por um único país para o avião de transporte militar brasileiro e assinala a entrada formal do modelo no exigente mercado de defesa do Golfo.

"NOTÍCIA | @TawazunCouncil assina contrato com a Embraer para até 20 aeronaves C-390 Millennium para a Força Aérea dos Emirados Árabes Unidos. Leia notícia completa: https://t.co/emS7t8815W pic.twitter.com/dJeh8Ouc5l" - Embraer (@embraer) May 4, 2026

Contrato Tawazun–Embraer e reforço industrial

A assinatura foi formalizada por Nasser Humaid Al Nuami, secretário-geral do Tawazun Council for Defence Enablement, e por Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defense & Security, na presença do xeque Mansour bin Zayed Al Nahyan, vice-presidente e vice-primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos, e de Francisco Gomes Neto, presidente e CEO da Embraer. No comunicado, foi igualmente sublinhado que o entendimento se enquadra na estratégia dos EAU para consolidar o seu ecossistema industrial de defesa, uma vez que serão desenvolvidas capacidades locais de manutenção, reparação e revisão (MRO), bem como o suporte pós-venda, em colaboração com a empresa.

Avaliação operacional nos EAU e motivos da escolha do C-390 Millennium

Segundo a Embraer, o C-390 Millennium foi seleccionado após um processo de avaliação técnica e operacional que incluiu uma campanha de ensaios no ambiente operativo dos EAU - um ponto relevante, tendo em conta as condições típicas da região: temperaturas elevadas, poeiras, operações a longas distâncias e a necessidade de manter níveis sustentados de disponibilidade. Do lado do Tawazun, foi indicado que a aeronave se destacou pelo desempenho, fiabilidade, eficiência operacional e custos ao longo do ciclo de vida, com o objectivo de reforçar as capacidades nacionais de transporte aéreo militar.

C-390 Millennium

C-390 Millennium – Força Aérea da Hungria

Capacidades do C-390/KC-390 para a Força Aérea dos Emirados Árabes Unidos

Neste contexto, a introdução do C-390 permitirá à Força Aérea dos Emirados Árabes Unidos cumprir missões de transporte de carga e de tropas, lançamento aéreo, assistência humanitária, evacuação aeromédica e operações a partir de pistas não pavimentadas, ao mesmo tempo que melhora a interoperabilidade com forças nacionais, aliadas e parceiras.

Na configuração KC-390, a plataforma também está apta a executar reabastecimento em voo, quer de aeronaves de asa fixa quer de asa rotativa, operando entre 120 e 300 KCAS e a altitudes entre 2.000 e 32.000 pés (aprox. 610 a 9.750 m), de acordo com dados técnicos divulgados pela Embraer.

Integração na frota existente e papel intermédio no transporte aéreo

A entrada do C-390 está orientada para complementar - e, eventualmente, reduzir parte do esforço operacional - da actual frota de transporte dos EAU, que inclui C-17 Globemaster III, C-130H/L-100 Hércules, C-295/CN-235 e aviões reabastecedores Airbus A330 MRTT. Dentro deste conceito, a aeronave brasileira ocuparia um segmento intermédio entre o transporte estratégico pesado e as plataformas tácticas mais leves, acrescentando maior velocidade, modularidade e eficiência em missões logísticas, humanitárias e de projecção rápida.

C-390 Millennium

Expansão internacional do C-390 Millennium

O entendimento com os EAU reforça, em paralelo, a trajectória de expansão internacional do C-390, que já se tinha afirmado na Europa e na Ásia junto de clientes como Portugal, Hungria, Países Baixos, Áustria, República Checa, Suécia, Eslováquia, Lituânia, Coreia do Sul e Uzbequistão, além do Brasil, operador de origem.

A título de exemplo, em Fevereiro de 2026 a Embraer confirmou o Uzbequistão como primeiro operador do C-390 na Ásia Central. Já a Suécia formalizou em 2025 a compra de quatro aeronaves para substituir os seus veteranos C-130, acompanhando uma tendência europeia de adopção do modelo.

Impacto no mercado de defesa do Golfo

Por fim, a adesão dos Emirados Árabes Unidos ao programa representa um novo impulso comercial para a Embraer numa região em que, historicamente, têm predominado fornecedores norte-americanos e europeus. Sendo uma encomenda firme de 10 aeronaves, com potencial para elevar a frota até 20 unidades caso sejam exercidas as opções de compra, o contrato não só posiciona o C-390 como alternativa concreta no Médio Oriente, como também cria condições para futuros acordos de suporte, industrialização e cooperação regional em torno da plataforma.

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