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Força Aérea da Suécia testa a mobilidade dos JAS 39 Gripen em pistas curtas no Aurora 26, em Hagshult

Caça militar cinzento na pista com duas pessoas em coletes refletivos a monitorizar na frente.

Aurora 26: JAS 39 Gripen a operar a partir de Hagshult

A Força Aérea da Suécia voltou a colocar à prova a mobilidade e a flexibilidade de desdobramento dos seus caças JAS 39 Gripen. Ao longo de vários dias, no âmbito do exercício Aurora 26, aeronaves do Ala Aérea 17 realizaram treinos de operações em pistas curtas a partir da base aérea alternativa de Hagshult.

JAS 39 Gripen da Força Aérea da Suécia

JAS 39 Gripen armado com dois mísseis anti-navio RBS-15 e dois mísseis ar-ar AMRAAM. Foto: Försvarsmakten – Jonas Holmberg

Durante o Aurora 26, a Força Aérea sueca aplicou, no terreno, o seu conceito de mobilidade de desdobramento com os JAS 39 Gripen - aeronaves concebidas para operar a partir de infra-estruturas alternativas e para empregar tácticas de dispersão, reduzindo a sua assinatura e vulnerabilidade perante ataques inimigos.

“…A Ucrânia está a travar a guerra através da dispersão, o que despertou o interesse da OTAN. No seio da OTAN existe o conceito operativo de Desdobramento Ágil de Combate (ACE), que também constitui uma estratégia de desdobramento. O facto de, na Suécia, conseguirmos operar a partir de (pistas de) curta distância é uma experiência única que podemos aportar ao ACE. O nosso conceito de mobilidade é de grande interesse para a aliança…”, afirmou o Tenente-Coronel Robin Ohlsson, comandante da 171.ª Divisão de Aviação de Caça na Flotilha Aérea de Blekinge.

OTAN, ACE e o exemplo da Ucrânia

A forma como a Ucrânia tem empregado aeronaves de combate de origem soviética - MiG-29, Su-24, Su-25 e Su-27 - e, mais recentemente, os F-16AM/BM Fighting Falcon e os Mirage 2000-5, transformou-se num caso de estudo para as Forças Aéreas da OTAN. Quase desde o início do conflito, a Força Aérea da Ucrânia recorreu à dispersão e à mobilidade, operando a partir de infra-estruturas alternativas para fugir aos temidos ataques russos com mísseis de cruzeiro e mísseis balísticos.

Gripen durante actividades do exercício

Foto: Försvarsmakten – Jonas Holmberg

Depois de 4 anos de combate num conflito de elevadíssima intensidade, a Força Aérea ucraniana não só conseguiu encontrar formas de sobreviver face a um adversário muito superior em dimensão, como também demonstrou capacidade para executar golpes precisos e de grande impacto.

Herança da Guerra Fria: o sistema Bas 90

A selecção de Hagshult para o exercício Aurora 26 não foi fortuita. A base foi pensada à luz do sistema Bas 90, um conceito desenvolvido durante a Guerra Fria que colocava a dispersão dos caças no centro do planeamento, distribuindo-os por várias bases para limitar danos num cenário de ataque inimigo.

“…A base dispunha de uma pista principal e de várias pistas curtas distribuídas por toda a sua área. As zonas de aterragem, onde se realizavam as manobras de descolagem e aterragem, eram preferencialmente colocadas em terreno coberto e a intervalos de 500 metros…”, detalham as Forças Armadas da Suécia.

No Aurora 26, os JAS 39 Gripen suecos operaram a partir de uma pista curta, “…a qual mede apenas 800 metros e se assemelha a um caminho rural, com a diferença de que o início e o fim estão assinalados com um limiar pintado que depois se transforma numa via de circulação…”.

A manutenção e o armamento dos caças são efectuados sob resguardo, em áreas florestais, tarefa assegurada pelas equipas técnicas e de mecânica.

Operações em pista curta durante o Aurora 26

Foto: Försvarsmakten – Jonas Holmberg

Configurações de armamento observadas

Como é possível ver nas imagens, os JAS 39 Gripen surgiram com diferentes configurações. Alguns foram empregues para garantir cobertura aérea, levando apenas mísseis ar-ar AMRAAM e Sidewinder. Em paralelo, observou-se que alguns Gripen receberam mísseis anti-navio RBS-15, constituindo assim pacotes de ataque orientados para ameaças de superfície e alvos terrestres.

No desdobramento em Hagshult, o Ala Aérea 17 não se limitou a treinar com os seus Gripen: a oportunidade foi também usada para projectar pessoal das suas forças de combate aéreo, bem como conscritos, que testaram os conhecimentos e competências adquiridos na fase de formação durante o exercício final.

Imagem de capa: Försvarsmakten – Jonas Holmberg

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