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Estados Unidos lançam Project Freedom no Estreito de Ormuz para reabrir corredor energético

Oficial da marinha observa frota naval e aviões de combate a partir de um navio, com mapa na frente.

“Project Freedom” no Estreito de Ormuz

Os Estados Unidos puseram em marcha uma nova iniciativa de segurança marítima com apoio militar no Estreito de Ormuz, designada “Project Freedom”. Com esta operação, Washington procura voltar a abrir ao tráfego comercial neutro um dos corredores energéticos mais críticos do planeta, depois da disrupção provocada pela Operação Epic Fury.

Um MH-60R Sea Hawk armado com mísseis AGM-114 Hellfire prepara-se para aterrar no convés de voo do contratorpedeiro USS Thomas Hudner, há poucos dias. Foto: Marinha dos EUA

Anunciado pelo Presidente Donald Trump e apoiado por forças sob o Comando Central dos EUA (CENTCOM), o “Project Freedom” é apresentado por Washington como uma missão defensiva e humanitária. O objectivo passa por apoiar navios mercantes que não têm conseguido transitar em segurança por esta via marítima, onde o aumento de tensões e de actividade militar tem vindo a pressionar cada vez mais a navegação comercial.

De acordo com responsáveis norte-americanos, a prioridade será viabilizar a passagem de embarcações através do Estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento por onde normalmente circula uma parcela significativa das exportações globais de petróleo por via marítima, bem como carregamentos de combustíveis e fertilizantes. A operação arrancou esta manhã, com meios militares dos EUA já posicionados em toda a região.

Objectivos humanitários e aviso de Trump

Trump enquadrou a missão como uma resposta para evitar o agravamento de uma situação humanitária a bordo dos navios afectados, sobretudo naqueles que enfrentam falta de alimentos e de outros bens necessários para manter as tripulações. Ainda assim, o presidente dos EUA advertiu que qualquer tentativa de obstruir a operação será alvo de uma resposta firme por parte de Washington.

O USS Rafael Peralt DDG-115 é um dos contratorpedeiros da Marinha dos EUA destacados na área do Comando Central. Foto: CENTCOM

Meios militares mobilizados pelo CENTCOM

A missão assenta numa presença militar norte-americana já considerável e em actividade na área de responsabilidade do CENTCOM. Apesar das perdas e dos danos reportados durante a Operação Epic Fury, unidades do Exército dos EUA, da Força Aérea dos EUA e da Marinha dos EUA continuam operacionais no Golfo Pérsico, no Golfo de Omã e nas águas em redor do Estreito de Ormuz.

Segundo o CENTCOM, a contribuição dos EUA para o “Project Freedom” incluirá contratorpedeiros com mísseis guiados, mais de 100 aeronaves baseadas em terra e no mar, sistemas não tripulados multidomínio e cerca de 15.000 militares. Um dos pilares do destacamento será o emprego de plataformas navais tripuladas e não tripuladas para detecção de minas, reflectindo a preocupação persistente com uma das ameaças mais graves ao transporte mercante na zona.

Presença naval e poder aéreo na região

A vertente naval da operação contará com um amplo dispositivo da Marinha dos EUA. Vários contratorpedeiros da classe Arleigh Burke têm operado, há semanas, no Estreito de Ormuz e nas suas imediações, no âmbito do bloqueio marítimo de Washington aos portos iranianos. A Marinha dos EUA mantém também poder aéreo relevante na região através dos porta-aviões USS Abraham Lincoln e USS George H.W. Bush, do grupo anfíbio USS Tripoli, e de aeronaves a operar a partir de bases regionais.

O Exército dos EUA destacou helicópteros de ataque Apache para missões de vigilância no Estreito de Ormuz e em águas adjacentes. Foto: CENTCOM

Aeronaves do Exército dos EUA e da Força Aérea dos EUA deverão igualmente contribuir para missões de vigilância, controlo marítimo e fiscalização associadas ao esforço mais amplo de bloqueio. Estas capacidades servirão para acompanhar as rotas de navegação e para ajudar a coordenar o movimento dos navios mercantes ao longo do corredor.

Coordenação e enquadramento diplomático

O almirante Brad Cooper, comandante do Comando Central dos EUA, afirmou que o apoio norte-americano à missão é considerado essencial tanto para a estabilidade regional como para a economia global, deixando claro, porém, que o bloqueio naval se manterá. Washington está também a associar o “Project Freedom” à Maritime Freedom Structure, uma iniciativa concebida para combinar o envolvimento diplomático com a coordenação militar durante a operação.

Imagem de capa meramente ilustrativa. Créditos: Marinha dos EUA.

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