Saltar para o conteúdo

EUA e Filipinas iniciam em 2026 os primeiros exercícios conjuntos no Mar do Sul da China, junto ao Banco de Areia de Scarborough

Dois oficiais navais em convés de navio apontam para o mar com mapa estratégico e drones ao redor.

As Marinhas dos Estados Unidos e das Filipinas realizaram, a 25 e 26 de janeiro de 2026, as suas primeiras exercitações bilaterais do ano no Mar do Sul da China, nas imediações do disputado Baixo de Masinloc - conhecido internacionalmente como Banco de Areia de Scarborough. As manobras reuniram meios navais, aéreos e de vigilância de ambos os países, num espaço marítimo considerado prioritário no quadro da cooperação entre Washington e Manila.

Meios envolvidos nos exercícios navais conjuntos EUA–Filipinas

No mar, o destróier norte-americano USS John Finn (DDG-113) operou em formação com a fragata da Marinha das Filipinas BRP Antonio Luna (FF-151) e com o patrulha oceânico da Guarda Costeira das Filipinas BRP Gabriela Silang (OPV-8301). Segundo a informação divulgada, o programa incluiu treino de guerra de superfície e operações nocturnas, apoiadas por caças, aeronaves de patrulha marítima e helicópteros.

Estas ações marcaram a primeira atividade naval bilateral de 2026 entre os dois aliados nesta área. O Mar do Sul da China tem registado, de forma recorrente, incidentes envolvendo forças filipinas e unidades chinesas, num contexto de tensão crescente.

Declarações oficiais e resposta chinesa durante as manobras

Em comunicado, as Forças Armadas das Filipinas afirmaram que “esta iteração evidenciou a atualidade da aliança [entre as Forças Armadas das Filipinas e os EUA] e voltou a sublinhar o compromisso partilhado de ambas as forças para reforçar a segurança marítima, melhorar a interoperabilidade operacional e defender uma ordem internacional baseada em regras na região do Indo-Pacífico”.

Órgãos de comunicação social estatais filipinos relataram que, durante os exercícios, uma fragata chinesa do tipo 054A navegou nas proximidades do dispositivo conjunto. Em paralelo, o Comando do Teatro Sul do Exército Popular de Libertação anunciou a realização de patrulhas navais próprias como resposta, acusando as Filipinas de recorrerem a “potências estrangeiras” para “perturbar a paz e a estabilidade no Mar do Sul da China”.

Baixo de Masinloc (Huangyan Dao): ponto de fricção e preocupações recentes

O Banco de Areia de Scarborough - designado Baixo de Masinloc pelas Filipinas e Huangyan Dao pela China - voltou a concentrar atenções nos últimos meses. Em setembro, Pequim comunicou a intenção de classificar a área como reserva natural nacional, o que alimentou apreensões em Manila quanto à possibilidade de uma operação de recuperação de terras semelhante à que já ocorreu nas ilhas Spratly.

O baixo situa-se a cerca de 120 milhas náuticas (aprox. 222 km) da ilha de Luzon, a mais populosa do arquipélago. As autoridades militares filipinas declararam, por sua vez, que não permitirão a instalação permanente de forças chinesas na zona.

A par do valor estratégico, a área é também relevante para a segurança e a previsibilidade das rotas marítimas regionais. Num ambiente de elevada fricção, exercícios que combinam meios de superfície, vigilância e aviação tendem a ser apresentados como forma de reforçar procedimentos comuns, reduzir incertezas operacionais e melhorar a coordenação entre unidades em cenários de crise.

Presença de porta-aviões dos EUA e reorientação para o Comando Central

Como sinal de apoio a Manila, os EUA mantiveram, desde o final de outubro, uma presença naval sustentada ao largo da costa ocidental de Luzon, através da rotação de três Grupos de Ataque de porta-aviões: USS Nimitz, USS George Washington e USS Abraham Lincoln. Esta presença prolongou-se por cerca de três meses no Mar do Sul da China e nas proximidades do Banco de Areia de Scarborough.

Ainda assim, o grupo de ataque do USS Abraham Lincoln (CVN-72) foi posteriormente deslocado do Indo-Pacífico para a área de responsabilidade do Comando Central dos EUA, na sequência do aumento de tensões com o Irão, após exigências do presidente Donald Trump dirigidas a Teerão no contexto de distúrbios internos.

Apoio continuado a Manila: inteligência, drones e patrulha aérea

Mesmo com o fim da sequência contínua de porta-aviões, a postura militar norte-americana de suporte às Filipinas prossegue por outras vias. Entre essas medidas, foi referido o recurso a apoio de informações contratado, o posicionamento avançado de uma unidade de drones Reaper do Corpo de Fuzileiros Navais e missões regulares de aeronaves P-8 Poseidon sobre o Mar do Sul da China.

Enquadramento mais amplo: Sama Sama e passagem pelo Estreito de Taiwan

As exercitações de janeiro inserem-se num calendário bilateral mais abrangente. Em outubro de 2025, as duas Marinhas deram início a mais uma edição do exercício Sama Sama, conduzido nas águas do oeste filipino. Iniciadas em 2017, estas manobras incluem hoje treino de combate, operações anti-pirataria e missões humanitárias, contando com a participação e observação de forças de vários países aliados e parceiros regionais.

Já a meio de janeiro de 2026, o USS John Finn efetuou a primeira passagem confirmada da Marinha dos EUA pelo Estreito de Taiwan nesse ano, acompanhado pelo navio oceanográfico USNS Mary Sears (T-AGS-65). A operação foi descrita como conduzida em conformidade com o direito internacional e acompanhada de perto por meios do Exército Popular de Libertação da China.

Imagens obtidas junto da Marinha das Filipinas.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário