Os números do Grupo Renault relativos a 2025 parecem contar duas narrativas distintas. Por um lado, o grupo apresentou um prejuízo líquido histórico de 10,9 mil milhões de euros. Por outro, este resultado não traduz, por si só, a condição real do negócio: a empresa fechou o ano com um lucro operacional sólido de 3,6 mil milhões de euros, ainda que 15% abaixo do registado em 2024.
A diferença entre estes dois indicadores explica-se quase totalmente pelo efeito Nissan. Entre a desvalorização - um ajuste meramente contabilístico, sem saída de caixa - e a contribuição negativa do construtor japonês, o impacto total retirou 11,6 mil milhões de euros ao resultado final do grupo francês.
Sem considerar o peso da Nissan nas contas de 2025, não haveria qualquer prejuízo a reportar; existiria, isso sim, um lucro líquido (já após impostos e juros) de 715 milhões de euros. Segundo o diretor financeiro do Grupo Renault, Duncan Minto, após este episódio contabilístico isolado do ano passado, os resultados da Nissan deixarão de ser integrados nas contas da Renault.
Lucros caíram, mas receitas aumentaram
Em termos de faturação, o grupo francês totalizou 57,992 mil milhões de euros em receitas, o que representa uma subida de 3% face a 2024. No entanto, esse crescimento não se converteu em maior rentabilidade, e a Renault aponta vários motivos para a contração dos lucros.
Entre as razões avançadas estão um efeito cambial desfavorável e um impacto combinado de preço, mix de produto e estrutura de custos. Estes elementos espelham uma pressão comercial mais intensa na Europa e também um peso superior dos veículos elétricos, que continuam a apresentar margens mais baixas. A quebra nas vendas de comerciais ligeiros - categorias tradicionalmente mais rentáveis - contribuiu igualmente para reduzir as margens.
Feitas as contas, a margem operacional do Grupo Renault desceu de 7,6% (4263 milhões de euros) em 2024 para 6,3% (3632 milhões de euros) em 2025. Olhando apenas para a divisão automóvel, a margem recuou para 4,2%, o que corresponde a 2184 milhões de euros de lucro, face a 2996 mil milhões em 2024.
Performance Comercial
Ao longo de 2025, o Grupo Renault prolongou a trajetória de crescimento pelo terceiro ano seguido, com 2,3 milhões de veículos vendidos a nível mundial, um aumento de 3,2% em comparação com o ano anterior.
As três marcas do grupo - Renault, Dacia e Alpine - evoluíram em alta, com destaque para a Alpine: cresceu 139,2% e ultrapassou, pela primeira vez na sua história, a fasquia das 10 mil unidades. O lançamento do A290 foi o principal motor desse desempenho.
Na Europa, o Grupo Renault manteve-se no pódio dos mais vendidos. As vendas de ligeiros de passageiros avançaram 5,9%, mas os ligeiros de mercadorias continuam a cair (cerca de -16,7%), apesar de o grupo referir, em comunicado, uma mitigação das perdas no segundo semestre. Conheça em mais detalhe a performance marca a marca:
Previsões para 2026
Para 2026, o Grupo Renault antecipa um enquadramento exigente, mas com capacidade de resistência, apontando para uma margem operacional em torno de 5,5%. O impulso deverá vir da expansão internacional, do aumento das vendas a parceiros e do reforço da gama de veículos elétricos e híbridos - ainda que estes vetores possam exercer alguma pressão adicional sobre as margens.
A redução de custos continua no centro das prioridades, através da diminuição dos custos variáveis por veículo e de uma gestão rigorosa dos custos fixos.
“Dentro de algumas semanas, apresentaremos a nossa estratégia para crescer o negócio e reforçar a resiliência do nosso modelo operacional e financeiro. Posicionamo-nos para enfrentar o futuro com confiança e ambição, afirmando o Grupo Renault como referência no setor e criando valor para todos os nossos stakeholders”, afirmou François Provost, diretor-executivo do Grupo Renault.
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